Controle do Wii vira 15 instrumentos musicais

Além da novidade da Nintendo, a Sony anuncia God of War III e possível vinda à América Latina, no segundo dia da feira de games E3, em Los Angeles

Por Pablo Miyazawa, de Los Angeles Publicado em 15/07/2008, às 22h30 - Atualizado em 18/07/2008, às 11h58

Com o Wii Music, jogadores transformam controle em 15 instrumentos musicais, de bateria a saxofone
Reprodução

Duas das principais fabricantes de consoles do mundo, Nintendo e Sony realizaram suas conferências para imprensa pré-E3 na manhã de terça-feira. Em ambos os casos, as empresas não fizeram nada mais do que se esperava delas: valorizaram seus próprios produtos, seus números e seus feitos, mostraram poucas surpresas.

O primeiro dia de E3 foi marcado pelo anúncio de novos games das franquias Guitar Hero e Rock Band. A Microsoft mostrou seu game de karaokeLips, com um show da cantora Duffy. Leia mais

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Nintendo: Música para Todos

O evento da Nintendo, no Kodak Theater (Hollywood), começou às 9h05, um atraso de cinco minutos em relação ao horário previsto. Mais uma vez, a empresa japonesa reforçou seu foco no jogador casual e nas possibilidades interativas de seu console Wii e do portátil Nintendo DS - atualmente, os mais vendidos em suas próprias categorias. O primeiro anúncio foi o game Shaun White Snowboard, estrelado pelo ídolo esportivo norte-americano mais conhecido como "Flying Tomato". O game simula a experiência do surfe nas neves se utilizando da Wii Balance, a plataforma-acessório que acompanha o game Wii Fit.

Em seguida, Satoru Iwata, o presidente global da Nintendo, fez uma longa explanação sobre a estratégia da empresa para com seus consolese o porquê do foco no jogador casual. Iwata exaltou a quebra da "barreira psicológica" que separava jogadores dos não-jogadores, e a intenção de desenvolver novos paradigmas de mercado relacionados aos conceitos de interatividade, criatividade e comunidade.

Para ilustrar esse objetivo, a Nintendo preferiu economizar na quantidade de games exibidos, dando prioridade a poucos produtos, porém impactantes. Animal Crossing: City Folk, game para Wii com foco no público infantil, valoriza a comunicação remota entre jogadores de diferentes partes do mundo com o acessório-microfone Wii Speak. Para o Nintendo DS, o esforço foi voltado para franquias consagradas em outras plataformas não portáteis, como Spore Creatures (baseado no game de Will Wright). Grand Theft Auto: Chinatown Wars, Guitar Hero: World Tour - Decades e Pokémon Ranger. A Nintendo quis provar que sua máquina de duas telas é muito menos um videogame e mais "uma companhia natural para todos", dando pistas de que poderá transformar seu portátil em um utilitário em um futuro não muito distante.

Do lado do Wii, o foco no gamer casual ficou ainda mais evidente. Wii Sports Resort é a "versão verão" do game que popularizou o Wii pelo mundo, o Wii Sports. Com o novo acessório Wii Motion Plus - nada menos que um upgrade no joystick do Wii, encaixado na parte de baixo da peça -, a Nintendo promete movimentos mais precisos e apurados, em esportes como jet ski, esgrima e frisbee. Deve agradar ainda mais aos jogadores de primeira viagem.

O destaque da apresentação curta foi Wii Music, a investida particular da Nintendo no mundo musical. O foco, definitivamente, são pessoas sem experiência tanto com instrumentos quanto com videogames. Com movimentos no joystick, o jogador simula o ato de tocar uma bateria, um saxofone, um violino ou uma guitarra, entre um total de 15 instrumentos. Qualquer movimento, por menos preciso que seja, é captado pelo game, que transforma a informação em música. Shigeru Miyamoto, o principal produtor de games da Nintendo, capitaneou a apresentação do game com uma orquestra composta por funcionários da própria empresa, em um momento que beirou o cômico e o constrangedor. A repercussão do evento foi positiva entre os presentes, apesar da sentida ausência de notícias sobre as franquias clássicas como Super Mario, Zelda, Donkey Kong e Metroid. Talvez no ano que vem?

Sony: De Olho no Brasil?

A coletiva de imprensa da Sony começou exatamente uma hora após o final da apresentação da Nintendo, também com cinco minutos de atraso. O palco do Shrine Auditorium, decorado com dezenas de monitores e telões, era iluminado por tons azulados e violeta, as cores de preferência da Sony na divulgação de seus consoles. O evento teve a apresentação quase integral de Jack Tretton, CEO da Sony Computer Entertainment America, que raramente deixou o palco e misturou improviso, bom humor e notável controle de público.

Sabendo que precisa mostrar serviço para alcançar os principais concorrentes, a Sony concentrou sua apresentação no anúncio de novos jogos para suas três plataformas. A fabricante japonesa relembrou o aniversário de 15 anos da criação da marca PlayStation e valorizou o fato de o PlayStation 2, lançado em 1999, permanecer firme no mercado: Tretton anunciou a impressionante marca de 130 novos games para o console lançados até o final do ano, o que faz do PS2 a máquina de maior longevidade da história do entretenimento eletrônico. Jogos para o portátil PSP também foram revelados aos diversos, assim como upgrades no sistema PlayStation Network, a rede de comunicação online do PlayStation 3, e as parcerias da Sony com distribuidoras de filmes e de conteúdo.

Entre os games para o console de última geração da Sony (o mais caro do mercado atualmente - US$ 400) exibidos, destacam-se o jogo de tiro Resistance 2, o interativo Little Big Planet, DC Universe Online, um RPG online massivo com Super-Homem, Batman e outros heróis da editora de quadrinhos (produzido pelo consagrado desenhista Jim Lee) e MAG, jogo de guerra online para até 256 jogadores simultâneos. Também ganhou destaque o vídeo promocional de God of War 3, seqüência da série de sucesso do PlayStation 2.

Entretanto, foi uma notícia divulgada de maneira descompromissada na coletiva que mais deve chamar a atenção do consumidor brasileiro: a Sony deve começar a distribuição oficial de seus games e consoles na América Latina. Vale lembrar que a empresa jamais lançou oficialmente qualquer um de seus consoles na região, e é fato que a empresa já mantém conversas com algumas produtoras de games baseadas no Brasil. O anúncio deixa a esperança de que as máquinas da família PlayStation talvez em comecem em breve a aparecer de maneira legalizada nos pontos de venda.

Assim como a Nintendo fez horas antes, a Sony economizou no barulho e agiu discretamente. Sem nenhuma grande franquia com games prometidos no horizonte, é a hora de a empresa reforçar sua marca e tentar subir degraus rumo à sua guerra particular contra a Microsoft e seu Xbox 360. Já a Nintendo corre por fora, focando sua munição cada vez menos no jogador tradicional, e cada vez mais no cidadão comum. Até agora, tem dado certo.

Leia mais sobre a Electronic Entertainment Expo 2008 no blog Gamer.br.