Courtney Love faz piadas e alfineta Dave Grohl e Billy Corgan no SWU

Em show irregular, mas divertido, vocalista do Hole chamou mais atenção pelo dom de entertainer do que pela música

Bruna Veloso Publicado em 13/11/2011, às 23h32 - Atualizado em 14/11/2011, às 04h58

Hole no SWU

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Quem vai a um show do Hole esperando versões fiéis às de estúdio, se decepciona. Courtney Love troca versos, deixa passar diversas partes das músicas longe do microfone e por vezes parece olhar para o guitarrista, Micko Larkin, para seguir os acordes dele na guitarra. Mas Courtney em um palco é sempre um grande evento, como ficou comprovado na estreia de sua banda no Brasil, no palco New Stage do festival SWU, em Paulínia.

Courtney Love surgiu diante do público às 20h55 deste domingo, 13, falando pelos cotovelos – como faria durante boa parte do tempo. “Estou usando roupas que eu fiz”, ela disse, apresentando quatro moças, aparentemente modelos, que ficaram no palco durante todo o show. Começando com “Pretty on the Inside” e uma já costumeira cover de “Sympathy for the Devil”, dos Rolling Stones, o “novo” Hole (da formação clássica, só Courtney permanece) fez um show barulhento e irregular – mas, graças ao dom de entertainer de Courtney (e à ainda potente garganta da cantora, que continua gritando alto, sem ficar rouca), muito divertido.

A eterna viúva de Kurt Cobain interagiu o tempo todo com a plateia: vestiu uma camiseta, dada por um fã, com os dizeres “Courtney Be My Bitch”; pediu um batom ao público (usou, e depois perguntou se estava “parecendo uma palhaça ou uma modelo da Victoria’s Secret”); mostrou os seios; desceu do palco e cantou junto à grade em “How Dirty Girls Get Clean”. E aproveitou para alfinetar Billy Corgan, vocalista do Smashing Pumpkins e ex-namorado dela (“A gente não transava, talvez umas duas vezes... mas escrevíamos cartas de amor um para o outro”, Courtney disse, ironicamente), antes de um de seus maiores hits, “Violet”, do disco Live Through This (1994).

Ela ainda fez covers de “Bad Romance”, da Lady Gaga, e “The Fly”, do U2 (que provavelmente faria Bono chorar de desgosto). No final de “Honey”, do mais recente disco do Hole (Nobody’s Daughter, de 2010), ela se enraiveceu com alguém da plateia; só depois ficaria claro que uma pessoa estava segurando uma foto de Cobain (“Honey” é uma das poucas músicas que Courtney diz ter escrito para o ex-líder do Nirvana). Por causa da foto, Courtney perdeu a paciência, pediu que “fizessem isso em um show do Foo Fighters”, e desferiu diversos comentários negativos para Dave Grohl. Ela e sua banda saíram do palco depois disso; Micko voltou pedindo que o público gritasse “Foo Fighters are fags” e, em seguida, Courtney voltou ao palco.

Singles de sucesso foram deixados de fora (“Doll Parts”, “Awful”), mas “Celebrity Skin” e “Malibu”, os dois maiores sucessos do Hole no Brasil, fizeram a alegria do público. O show, que durou 70 minutos, terminou com a já citada “How Dirty Girls Get Clean”.