Diretor de Bohemian Rhapsody enfrenta novas acusações de abuso sexual e estupro

As primeiras denúncias contra Bryan Singer aconteceram em 2014

Rolling Stone EUA Publicado em 23/01/2019, às 15h20

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O diretor Bryan Singer durante a premiere do filme O Hobbit (Foto: Matt Sayles/Invision/AP)

Um dia depois de Bohemian Rhapsody, o filme biográfico do Queen, ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme, surgiram novas alegações de abuso sexual e estupro de meninos menores de idade contra o diretor do filme, Bryan Singer.

A publicação The Atlantic  publicou nesta quarta, 23, uma investigação de 12 meses a qual relata alegações de abuso dos acusadores anteriores de Singer, bem como novas vítimas.

Os crimes teriam acontecido no set do filme Apt Pupil, de 1998, dirigido por Bryan Singer.

Victor Valdovinos, afirma que tinha 13 anos de idade quando o diretor o molestou durante as gravações do longa.

A produção chegou a enfrentar ações judiciais por uma cena em um chuveiro com garotos adolescentes e pelo tratamento recebido pelos atores.

“Toda vez que [Singer] tinha uma chance – foram três vezes – ele voltava para lá ... Ele estava sempre tocando meu peito", disse Valdovinos ao The Atlantic.
 
“Ele agarrou meus órgãos genitais e começou a se masturbar”, reportou. “Eu estava congelado. Sem palavras."
 
“Ele voltou para onde eu estava no vestiário durante o dia todo para me molestar."

A reportagem também inclui relatos anônimos sobre as festas dadas na casa de Singer, em Los Angeles, que seriam frequentadas por garotos menores de idade.

“[Singer] colocaria as mãos na sua calça sem consentimento”, afirmou um dos entrevistados. "Ele tinha um comportamento predador e fazia os meninos usarem álcool e drogas, depois fazia sexo com eles".

Além das novas denúncias, o The Atlantic  falou com Cesar Sanchez-Guzman – que entrou com uma ação contra Singer em dezembro de 2017, poucos dias após o diretor ter sido demitido de Bohemian Rhapsody – e Bret Tyler Skopek, que falou sobre a sua relação com o diretor ao Deadline em dezembro de 2017.

Sanchez-Guzman alega que Singer o estuprou quando tinha 17 anos, em 2003, a bordo de um iate. “[Singer] aproximou-se de Cesar e jogou seu corpo nele”, afirma o processo.
 
Os advogados de Singer tentaram intimidar Sanchez-Guzman denunciando-o às autoridades de imigração; seus pais eram do México e faliram nos anos após o suposto estupro.

O The Atlantic  também detalhou que a 20th Century Fox contratou Singer para Bohemian Rhapsody, apesar das alegações contra ele, apenas porque o diretor tinha o apoio dos membros remanescentes do Queen.

Em 2017, a 20th Century Fox confirmou a demissão do diretor depois de sua presença se tornar “incerta”, segundo informações do Hollywood Reporter.

O estúdio chegou a informar que tinha "temporariamente interrompido” a produção do filme devido à “inesperada falta de disponibilidade” de Bryan Singer.

As tensões no set cresceram quando Rami Malek, que interpretou Freddie Mercury, começou a reclamar da falta do diretor. Depois, a 20th Century Fox confirmou que a ausência de Singer foi determinante para a demissão.

Singer faltou diversas vezes ao set de filmagens do longa, o que também irritou o ator Tom Hollander, que dava vida ao empresário do Queen e também deixou do filme.

O cineasta Thomas Newton Sigel, inclusive, teve de assumir o posto de diretor por alguns dias. Além disso, Rami Malek e Singer tiveram pelo menos uma discussão mais acalorada, em que o diretor teria atirado um objeto no ator.

A cinebiografia da banda acabou sendo creditada a Bryan Singer e ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama. “A indústria vai varrer a sujeira para debaixo do tapete e fingir que nada aconteceu”, disse Sanchez-Guzman à publicação.

Singer e seus representantes não responderam aos pedidos de resposta.