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“É uma aula de ginástica para o pessoal perder caloria”, explica DJ Gorky sobre o show do Bonde do Rolê

Trio, responsável por encerrar a primeira noite do festival Vaca Amarela, está trabalhando no terceiro disco

Pedro Antunes, de Goiânia Publicado em 15/11/2013, às 17h25 - Atualizado às 19h59

Bonde do Rolê, no festival Vaca Amarela, em Goiânia.
Kirah van der Lemon / Divulgação

Dizer que Rodrigo Gorky, Pedro D'Eyrot e Laura Taylor promovem o caos quando estão no palco não é exagero. E eles gostam disso. “É a nossa aula de ginástica, pro pessoal perder um pouco de caloria”, brinca Gorky, em entrevista à Rolling Stone Brasil minutos após uma improvisada sessão de fotos com fãs que pularam e dançaram durante a apresentação do grupo. “Eu emagreci de tanto fazer show”, diz ele rindo. “Mentira.”

Vaca Amarela 2013: festival mostra a força da cena do rock goiano e festeja com Nevilton e Bonde do Rolê. Veja a nossa cobertura do primeiro dia de evento.

O Bonde do Rolê foi escalado para encerrar a primeira das três noites do festival Vaca Amarela, em Goiânia, no retorno do evento ao Centro Cultural Martin Cererê. Um dia que teve muita psicodelia e canções introspectivas de bandas goianas, mas fechado pela anarquia total e etílica da banda de Gorky.

“A gente tá tão bêbado, que as coisas vão. A gente erra, acerta. É uma farra, entende?”, explica o DJ da banda – Pedro e Laura são os MCs. “Por isso gostamos de tocar tarde, porque daí o povo está bêbado junto com a gente, sabe? É uma festa com todo mundo feliz junto. A diferença é que as músicas são nossas.”

Músicas, aliás, que ao invés de encabular os presentes, fazem com que o público deixe os pudores de lado e entre nessa orgia musical que une funk, ritmos caribenhos, rock e pop. “Picolé”, que está no mais recente trabalho deles, Tropical/Bacanal, é um pancadão dançante que canta, em detalhes, o sexo oral. E por aí vai.

O Bonde é requisitado para tocar nos Estados Unidos e Europa, onde as letras não produzem o mesmo efeito. Para traduzir a diferença entre a energia das apresentações dentro e fora do Brasil, Gorky brinca com onomatopeias divertidas. “Lá, nós vamos e é ‘uuuuuh’. Aqui é “aaaaaaaah!”, completa ele, estendendo os braços. “É como se fôssemos um centro recreativo, fazemos uma fila de conga, fazemos de tudo. Aqui, a energia é outra, as pessoas entendem as letras.”

Tropical/Bacanal mostrou que o Bonde segue no mesmo ritmo, agregando influências e sonoridades ao som do grupo. E fãs ilustres. Paul McCartney, por exemplo, já disse ter aprovado as músicas de Gorky e companhia. Já Caetano Veloso fez uma participação em “Baby Don’t Deny It”. O DJ faz um coraçãozinho com as duas mãos ao ouvir o nome do baiano. “É o Caetano, né?”, completa. “Foi super rápido. Ele gostou que fizemos uma tradução fonética da música 'Baby Doll de Nylon' e, no dia seguinte, Caetano estava gravando a parte dele.”

Gorky revela ainda que o Bonde já está trabalhando em um novo disco, o terceiro da carreira do grupo, previsto para ser lançado em 2014. “É uma coisa bem diferente desse último trabalho”, explica. “No Bonde, cada um tem a vez em um disco. O último foi meu. O próximo será do Pedro. Agora, eu estou pensando no quarto disco, estou preparando algumas coisas.” E o primeiro álbum? “Ah, o primeiro nós fizemos num peido.”