E3 dia 1: Microsoft e Sony focam em interatividade, enquanto EA e Ubisoft apostam em franquias consagradas, mas surpreendem

Com cada vez mais jogadores novatos e casuais inflando o mercado, empresas usam evento para mostrar que ainda se importam com o mercado hardcore

Gus Lanzetta Publicado em 05/06/2012, às 18h20 - Atualizado às 18h46

Watch Dogs, da Ubisoft, é um jogo de ação com cooperação entre vários jogadores e mecânicas de hacking para controlar e interferir em aparatos eletrônicos em uma cidade aberta.

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Depois de três anos seguidos dando destaque para tecnologias de captura de movimento nos videogames, as fabricantes Sony e Microsoft certamente pararam de bater tão forte nessa tecla. As razões para tanto, de acordo com as performances das duas empresas no evento Electronic Entertainment Expo (E3), em Los Angeles, são bem diferentes.

Para a Microsoft, que já vendeu dezenas de milhões de cópias do acessório Kinect (uma espécie de câmera que captura movimentos do jogador e os transfere para a tela do jogo), não era necessário tentar vender novamente esse peixe. E havia a presença de uma tecnologia muito mais interessante para ser demonstrada pela primeira vez: Smartglass, um aplicativo que permite o uso de uma segunda tela para controlar e interagir com o Xbox 360 através de smartphones e tablets. Tanto o sistema Windows Phone, da Microsoft, quanto o iOS (da Apple) e o Android também serão compatíveis.

Em uma apresentação fechada para a imprensa na noite desta segunda feira (4), Jose Pinero, executivo da Microsoft, demonstrou diversos usos conceituais do Smartglass, que permite até quatro dispositivos conectados simultaneamente a um mesmo console Xbox 360.

“Sabemos que as pessoas estão usando seus tablets e telefones para buscar mais conteúdo e mais informação sobre o que veem na TV”, declarou Pinero, que acredita que os estúdios e produtoras de games irão disponibilizar conteúdo para a plataforma Smartglass exatamente pelo fato de a mesma estar disponível em todos os sistemas móveis.

No evento, foram demonstrados exemplos de como a tecnologia poderia funcionar. Na telinha, um mapa interativo exibia informações sobre localizações da série Game of Thrones, da HBO, enquanto um episódio era reproduzido na TV. O aplicativo, por estar conectado ao console, modificava as informações exibidas de acordo com a cena na tela da televisão.

Também foi exibida a possibilidade de abrir páginas que mostram nomes e informações dos artistas atuantes na cena em questão, listas de frases marcantes dos personagens e a possibilidade de se assistir a outro filme imediatamente em seguida, tudo utilizando o dispositivo nas mãos do usuário.

A integração com jogos também foi demonstrada, apesar de aparentar não estar ainda tão bem explorada. Em Ascend, por exemplo, era possível utilizar um dispositivo móvel para enxergar um mapa do calabouço sendo explorado na televisão. Em Dance Central 3, previsto para o fim do ano, será possível escolher músicas para dançar enquanto outra pessoa estiver jogando, eliminando assim a necessidade de retornar aos menus entre cada coreografia.

Com a Nintendo apostando suas fichas em um novo console que utiliza controles com telas de toque extra – o Wii U -, a proposta da Microsoft para a integração do Xbox 360 com dispositivos móveis parece mais lógica e comercialmente atrativa: trata-se também de um console com suporte a telas de toque extra, com a diferença de que milhões de pessoas já possuem o console e as telas de toque em questão.

A razão pela qual a Sony não se aprofundou em jogos com seu sensor de movimento - o Move - ou com suporte a 3D é simples: o mercado não se mostrou interessado em ambas as empreitadas da gigante por trás da marca PlayStation.

Na apresentação da Sony durante a E3, também na noite de segunda, 4, o PlayStation Move só apareceu como uma varinha de condão no anúncio de Spell Book, projeto de livro interativo de J.K. Rowling que utiliza a câmera e o bastão eletrônico da Sony. Certamente interessante para os leitores assíduos de Harry Potter, o projeto parece ser caro demais para os consumidores tradicionais: o investimento na compra de um console PS3, mais o Move e o console Spell Book ficaria na casa dos US$ 400.

Uma clara mudança em todas as apresentações do primeiro dia de E3 2012, incluindo as das publishers Ubisoft e Electronic Arts, foi o foco em títulos de ação cheios de explosões, sangue e protagonistas cascas-grossas – justamente o arquétipo clássico de jogos para o chamado público “hardcore”, mas que continuam a ser líderes de mercado, como a franquia de guerra Call of Duty.

Porém, o título que causou o maior falatório dentre os presentes na E3 foi uma novidade: Watch Dogs (veja o trailer abaixo), da francesa Ubisoft, é um jogo de ação com cooperação entre vários jogadores e mecânicas de hacking para controlar e interferir em aparatos eletrônicos em uma cidade aberta. Com visual claramente inspirado na série Grand Theft Auto, Watch Dogs parece ser complexo e trazer muitas possibilidades de ação fresca e menos focada em tiroteios do que outros games semelhantes.

Observando a lista de games anunciados até agora – novas versões de franquias clássicas, como Gears of War, Tony Hawk’s Pro Skater, Halo, Call of Duty, Hitman e Resident Evil, entre outras -, a performance das fabricantes de jogos na E3 2012 parece focada em agradar principalmente os consumidores de longa data. Não que a ideia seja abandonar os novatos ou os casuais, mas tudo leva a crer que, para empresas como EA, Ubisoft, Microsoft e Sony, o importante ainda é conquistar o jogador hardcore.