O Homem da "Lua": Chris Weitz

Diretor conversou com a Rolling Stone EUA sobre seu trabalho em Lua Nova

Por Erica Futterman Publicado em 30/11/2009, às 20h32

Dias antes do lançamento de Lua Nova, o diretor Chris Weitz falou à Rolling Stone EUA sobre as acrobacias mais radicais do filme, a lealdade dos fãs e as cenas que você não encontra no livro de Stephenie Meyer.

Você disse que todo mundo ficava te perguntando sobre as pressões existentes ao trabalhar com uma franquia tão bem sucedida. Eles também querem saber por que vampiros são tão populares.

Sinceramente, não havia de fato muitas pressões porque existia um público garantido, que significava que, mesmo que eu fizesse um péssimo filme, ainda teria gente que o assistiria. Portanto, quando você tem essa garantia [risos], você simplesmente passa a trabalhar de forma a fazer o melhor filme possível, que era o que pretendíamos fazer. E eu sinto muito apoio dos fãs desde o primeiro dia - na verdade, no primeiro dia havia ainda uma certa dúvida, porque eu tenho o cromossomo Y, mas desde então eu recebi muito amor por parte dos fãs.

E por que vampiros?

Eu percebi que os vampiros de Stephenie Meyer não são, na verdade, vampiros - você não vê muitas cruzes, não existe muito alho, eles não dormem em caixões, eles podem sair na luz do dia -, eles são mais bonitos. É mais algo semelhante aos deuses gregos. Então, de certa forma, é sobre essa garota que se apaixona por esse semideus. Acredito que isso simboliza seu primeiro amor - aquela pessoa por quem você se apaixona e que você pensa que ela nunca corresponderá.

Quanto você pesquisou sobre vampiros antes de começar a rodar o filme?

Absolutamente nada. Minha pesquisa era ler os livros de Stephenie, conversar com ela, ver o primeiro filme e saber mais sobre os atores, me familiarizar com o trabalho que eles já fizeram.

Li que você tinha essa ideia de fazer com que o filme parecesse, em termos de cores, uma pintura da era vitoriana. Como você chegou a essa abordagem?

Em termos de modelo cinematográfico, acho uma boa abordagem. As pinturas vitorianas, principalmente as do período pré-Rafael, contaram histórias de uma forma sentimentalizada e com uma estética de moda muito bonita. Esse livros não têm receio de serem sentimentais ou românticos, e eu queria que em todos os aspectos de produção não houvesse medo de se encaminhar a algo de caráter romântico.

Considerando que o primeiro filme possuía muito um estilo de amor doloroso e rock 'n' roll, eu quis que este fosse um épico completo. Em diversas formas é um filme muito maior - em termos de tamanho, das emoções, até onde alcança - então eu realmente queria fazer um filme com visual clássico. Alexandre Desplat vem de uma escola de compositores que trabalham simultaneamente com as veias clássicas e contemporâneas. E existe um componente legal nisso, que é a trilha sonora, que pudemos pegar várias bandas boas para que compusessem para nós, o que é extremamente gratificante.

Voltando à noção de um épico completo, o livro em três partes: na primeira, está tudo bem, na segunda Edward abandona Bella e boa parte da história mostra o crescimento da amizade dela com Jacob. O final é marcado por ação quando a história chega ao seu encerramento. Com o propósito de exibir a narrativa nas telas, você chegou a reajustar o desdobramento da história?

Você realmente acabou de descrever os atos um, dois e três. Uma das coisas interessantes é o medo que as pessoas tinham de que possivelmente Edward não apareceria muito. O fato dele ter sido banido do livro não se aplica a esse filme, porque você não fica tanto tempo afastado de Edward. Mas também é importante haver um certo afastamento desse personagem. Acho que teria sido errado ter inúmeras cenas de volta ao rancho vendo Edward andando pela floresta amazônica, procurando por Victoria. Acredito que seja um ótimo meio termo entre perder Edward e ficar cheio dele. Eu e Melissa Rosenberg, a roteirista, decidimos criar uma série de alucinações que envolvessem Edward, em vez de fazer ele aparecer. Quando ela o vê, é de uma forma tão sutil que faz com que o público não se canse do personagem. Acredito que o filme seja bem balanceado. Taylor atua muito bem, e o relacionamento dele e de Kristen se conserva no filme. Sim, ficamos tentados a ajeitar as coisas para que Rob (Robert Pattinson) aparecesse mais vezes, mas os fãs de Edward poderão conferi-lo, assim como os fãs de Jacob. Mas não fizemos grandes alterações.

O livro é um pouco obscuro, mas também há momentos mais alegres.

Quando as coisas ficam obscuras, ficam de fato. E é um pouco melancólico e depressivo por um período. Mas nos encontramos com alguns momentos engraçados nas mãos e quando vi aquilo exibido ao público, houve risos. Senti que foram risadas intencionais [risos] e desconfortáveis. Por exemplo, você descobre como soaria, em uma parte, uma música de vampiro em um elevador, que é uma coisa que você não esperaria e que é algo que não está no livro. Decidi que isso seria interessante durante a pós-produção. Quando Stephanie finalmente viu um pedaço do filme, disse que havia adorado e que queria mais.

Você consultava Stephanie frequentemente nas tomadas de decisão.

Checava sempre com ela quando queria ver se algo estava ok e frequentemente ela dizia "É uma ótima idéia. Engraçada", ou quando tínhamos outras idéias para serem incorporadas ao filme. Então, de certa forma, o filme é extensão do livro. Mas eu cometi alguns erros - uma vez eu coloquei um dos vampiros Volturi com uma faca no pescoço de Edward, mas ela disse que aquilo não funcionaria porque ele não cortaria a garganta de Edward. Então disse "Ok!" [risos]. Meus métodos falham de vez em quando e ela me coloca no lugar.

Você acrescentou alguma cena?

Existe um momento de ameaça quando Bella está se afogando e acho que isso não está no livro. É bastante engraçado. Ouvi a resposta do público e eles viram a cena de forma diferente quando leram - e eu sempre tento fazer as coisas nos conformes do que estou adaptando - mas amo quando algo que escrevi ou está de acordo com o que o roteirista já havia escrito ou é a mesma coisa que havia sido escrita no livro. Então você percebe que assimilou a sensibilidade do trabalho.

Eu li que você instruiu Kristen a fazer aquela cena de uma forma e, então, entrou na água para exemplificar e percebeu que era impossível de se fazer da maneira que você estava falando.

Rob já havia feito uma cena similar em um dos filmes Harry Potter, então estava tranquilo e familiarizado em realizar cenas em uma piscina. Querendo fazer a tomada da melhor forma, precisávamos que Kristen fizesse Bella se afundando no oceano. A melhor maneira seria que Kristen ficasse no fundo de uma piscina de quatro metros de profundidade, imóvel. E ela estava um pouco preocupada em fazer a cena e eu disse: "Quatro metros não é tão fundo!" (risos). Decido vestir a roupa de mergulho e fazer a cena. Então, entrei em pânico. Pensei: "Cacete, isso não é nada divertido!" e percebi que Rob tinha coragem. Reajustamos para que pudéssemos fazer as cenas lateralmente, dando a mesma impressão. Kristen estava resfriada naquele dia, então era a última coisa que faria - colocar alguém resfriado no fundo de uma piscina de 4 metros com pesos no bolso. Não parecia uma decisão inteligente.

Existe também uma corrida de motocicletas neste livro - estavam todos dispostos a fazer a cena?

Não queríamos machucar Kristen de forma alguma - quando ela está na moto, ela está, na verdade, num trailer. Apesar de parecer bastante real, ela, em momento algum, correu de moto. Mas isso não evitou que Taylor fizesse suas acrobacias - eles faz todas, mas uma porque ele é louco para ficar pulando por aí, e quando você vê ele pulando do alto de um prédio, é ele mesmo fazendo. Ele estava com um fio, que foi retirado na edição. Porém, ele só servia para evitar que Taylor morresse se caísse - na verdade, o fio pouco o protegia.

Você também adaptou A Bússula do Ouro e Um Grande Garoto. Acredita que teria sido capaz de fazer Lua Nova sem a experiência desses dois filmes?

Acho que devido as limitações de tempo a que estávamos submetidos, teria sido muito, muito difícil. O fato de eu estar com uma equipe que já conhecia de A Bússula do Ouro, que havia ganho o Oscar pelo filme, me ajudou incomensuravelmente porque nós aceleramos o projeto desde o primeiro dia. Então, ajuda conhecer as pessoas certas.

E em termos de traduzir das páginas para as telas?

Acho que tive um pouco de treinamento no que manter e o que não manter, e tenho cada vez mais me tornado preocupado em retratar as histórias da forma mais fiel possível - tendo percebido a responsabilidade que devo ter com o autor e com os fãs do livro.

Você tem falado sobre a ênfase que o "Team Edward" (os fãs de Edward) e o "Team Jacob" (os fãs de Jacob) ganharam. Quando foi que você se familiarizou com esse costume dos fãs?

Durante as filmagens, eu tentei não me ater às referências dos fãs na internet, porque eu sabia que iria acabar me preocupando toda hora, como um político durante as eleições. Eu li o livro como fã - eu li muito rápido, e me perguntei quais os momentos que foram mais significativos para mim, como fã. Melissa [Rosenberg], felizmente, tinha escrito um ótimo roteiro, focando no que realmente interessa para a maioria dos fãs. Teve um momento que eu me lembrei que Stephenie me escreveu falando que estava acompanhando os sites sobre o filme. Ela tinha visto que a maior preocupação dos fãs eram as cenas que já estavam no roteiro, e isso me fez sentir bem. Vai ter um momento aqui ou lá que um fã vai sentir ou ver uma ou outra diferença na adaptação, mas não posso fazer nada a respeito, a não ser apresentar o trabalho como outro fã, que tem milhões de dólares e disposição para realizar coisas.

Seu momento preferido do livro é diferente do seu trecho preferido do filme?

Não. Espere. Sim, na verdade, é. O último momento do filme é o meu favorito. É um momento do livro que é apresentado de uma forma um pouco diferente - é dado um pouco mais de suspense, e uma sensação mais romântica também. Acredito que o público entenderá o porquê de eu apresentar dessa forma. E o filme inteiro foi construído de maneira bastante cuidadosa.

Você fez aquilo para auxiliar David Slade, que dirigirá o terceiro filme, Eclipse?

Para ser sincero, fui egoísta ao escolher uma cena mais emocional de acordo com meu gosto. Talvez, eu tenha deixado David com alguma dificuldade sobre a continuação. Eu tive a oportunidade de ver o script do terceiro filme e os detalhes são admiráveis, então eles estão bem.