This Is It não deve virar show-tributo com outros cantores

Orianthi, guitarrista da banda de apoio de Michael Jackson, diz que ideia não deve vingar; australiana acabou de lançar segundo disco

Por Paulo Terron Publicado em 28/10/2009, às 19h12

Com a estreia do filme This Is It, que mostra os ensaios para a temporada londrina de Michael Jackson que não chegou a ocorrer (saiba mais sobre o filme aqui), os fãs do músico puderam ter um gostinho do que seria aquele que já vinha sendo chamado de "o maior espetáculo da Terra". Na época da morte do astro, em junho, os produtores do evento chegaram a cogitar a possibilidade de apresentar o show completo, em forma de tributo, com outros artistas assumindo os vocais. Por enquanto, essa ideia foi abandonada.

"Ouvi umas conversas sobre isso, mas era só um papo meio solto", explica a guitarrista Orianthi Panagaris, integrante da banda de apoio de Jackson. "Acho que com o filme todos os fãs já vão conseguir ver como seria o show." É claro que - como tudo o que envolve o nome do Rei do Pop - as coisas podem mudar. "Por outro lado, se os fãs quiserem muito ver... Eu amo tocar com aquela banda."

Para Orianthi, os melhores momentos da apresentação seriam - por motivos estritamente pessoais - aqueles nos quais ela chegava mais perto do astro. "Adoro a primeira música, 'Wanna Be Startin' Somethin''. É uma faixa de celebração, festeira", conta. "E, claro, eu adorava tocar 'Beat It', correr atrás do MJ. É uma música do caralho. E 'Black or White'. Ele me deu um solo a mais nessa música, pediu para que eu tocasse a nota mais alta que conseguisse. Disse: 'É o seu momento de brilhar'. Ele gostava de me encorajar." Essa cena é apresentada em This Is It, que teve pré-estreia mundial simultânea nesta terça, 27.

A proximidade entre os dois só ocorria mesmo no palco. Orianthi e os outros músicos costumavam ensaiar sozinhos, com Jackson só participando eventualmente - e com mais intensidade nas semanas finais. "Ele estava fazendo várias coisas ao mesmo tempo. Estava construindo o show", explica. "No começo ele aparecia e desaparecia o tempo todo, mas na reta final ensaiou bastante conosco."

Um dos poucos momentos de intimidade aconteceu logo depois do teste que ela fez para a vaga de guitarrista. "Eu estava em um corredor, sozinha, e ele veio andando na minha direção, com o guarda-costas dele. Fiquei muito nervosa, não sabia se o cumprimentava ou se me escondia atrás de alguma coisa. Decidi agir normalmente. Ele agarrou minha mão e disse: 'Deus te abençoe, nos vemos muito em breve'. Ele foi tão gentil que fiquei sorrindo pelo resto do dia."

Disco próprio

Orianthi pode ser atualmente conhecida como a "guitarrista de Michael Jackson" - mas a australiana quer mesmo é investir em sua própria carreira. Aos 24 anos, ela lançou na última segunda, 26, Believe, seu segundo disco. "Fiquei três ou quatro anos trabalhando nesse material. Tenho muito orgulho desse álbum, é bem roqueiro, com uma vibe meio anos 80. Todas as músicas têm solo de guitarra - e todas são bem comerciais."

Instrumentista virtuose, fã de Steve Vai, ela diz querer "incentivar outras garotas a tocar guitarra". Mas nem só de solos vive Orianthi - assim como em Violet Journey, seu disco de estreia, ela também canta em Believe. Dá para conferir o power pop da musicista no MySpace.