Filme nacional que o The New York Times elegeu como um dos melhores de 2012 estreia no Brasil nesta sexta, 4

“É a publicidade que o dinheiro não compra”, diz o diretor estreante Kleber Mendonça Filho sobre a recepção da imprensa internacional a O Som ao Redor

Stella Rodrigues Publicado em 04/01/2013, às 13h38 - Atualizado às 18h36

O Som ao Redor
Divulgação

A ideia de um filme conceitual, que esbarra na estrutura de coral e que foi vencedor de diversos festivais europeus pode passar uma primeira impressão de um trabalho “cabeça”, pretensioso, experimental e pouco palatável. Esqueça, não é o caso de O Som ao Redor, do diretor estreante em longas Kleber Mendonça Filho. “É uma representação artística da ideia de Pernambuco”, explica ele, natural do estado. “Tem coisas que odeio aqui e coisas que me deixam fascinado: a história, a cultura, a forma como as coisas funcionam”, explica ele.

A trama se passa em Recife, em um bairro de classe média assombrado por questões urbanas. Após uma onda de roubos, uma espécie de milícia se oferece para cuidar da segurança da região de forma privada, desestruturando a ordem previamente estabelecida. Nela, um homem rico (vivido por W. J. Solha) representava o poder e o dinheiro, já que a maior parte das propriedades da região é dele. “A ideia que eu tinha era de transpor a lógica e ética de um engenho de cana, que ainda é uma realidade de Pernambuco e um elemento de cultura e história muito forte localmente”, afirma Mendonça, enfatizando que isso nunca é dito explicitamente no filme, mas é uma análise que ele deixa para o público. “Levei isso para uma rua moderna de cidade, com carros, casas, ar condicionado e TV de LCD.”

O longa apresenta diversos núcleos, a maior parte deles com atores desconhecidos e talentosos. Apesar disso, não se trata de uma produção feita exatamente em coral (diversos personagens interligados para servir a um objetivo), algo que parece estar na moda. Aliás, Mendonça diz que não queria isso e tinha medo de O Som ao Redor ser associado ao vencedor do Oscar Crash – No Limite, que ele detesta. “O problema desse tipo de filme é que cada personagem tem um papel muito ensaiado para participar de uma parte específica da história. Eu queria que todos os meus personagens fossem importantes.”

O Som ao Redor chega aos cinemas do Brasil depois de passar 2012 no circuito de grandes festivais internacionais e nacionais – Roterdã, Gramado, Rio (do qual saiu vencedor na categoria Melhor Longa), entre outros, e de ter sido amplamente noticiado como a produção nacional que entrou para a lista do jornal The New York Times como um dos melhores filmes do ano passado – e não foi só lá, o LA Times, o Village Voice e outros veículos internacionais também o elogiaram de forma entusiasmada. Sobre o assunto, o diretor comenta: “Tem sido incrível e muito bom para divulgar o filme. Há produções com milhões para fazer divulgação. Acho irônico, a gente tem bem pouco dinheiro para lançar o filme, mas essa coisa toda em torno dele é a publicidade que o dinheiro não compra, nenhum produtor consegue comprar uma vaga na lista do New York Times.”

Assista abaixo ao trailer de O Som ao Redor: