Fresno se aproxima do post-rock, da melancolia e da solidão no clipe de De Verdade; assista

Com o terceiro single, banda espera encerrar ciclo de preparação do novo álbum, com lançamento previsto para 2019

Pedro Antunes Publicado em 23/01/2019, às 20h00

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Fresno (Foto: Jonas Tucci)

Se a voz de Lucas Silveira não entrasse em ação no 20º segundo de "De Verdade", o mais recente single da Fresno, a canção caminharia na direção de criar, sozinha, as imagens de um amanhecer em uma cidade cinza, de prédios que se sobrepõem. E vazia. Um vazio terrível. E tranquilo.

Ao se embrenhar por um universo estético-musical conhecido como post-rock, de bandas (incríveis!), como Mogwai e Sigur Rós, a banda cria calmaria a partir de repetição e ecos. Estabelece um transe, hipnotica, ao passo que os vocais de Silveira temperam o caldo com auto-entendimento.

"Eu cansei de tentar ser perfeito /
Fazendo todas coisas do meu jeito /
Eu jamais agi contra a vontade /
E hoje, ainda cheio de defeitos /
Eu guardo essas marcas no meu peito /
Pois são de verdade", canta ele, na faixa.

Curioso como a música lançada em dezembro de 2018 - como parte de uma série de singles que chegaram para mostrar um pouco do que será o novo álbum da Fresno -, entrega o que seria seu clipe, antes mesmo da chegada do vídeo.

"De Verdade", o videoclipe, ganha vida na noite desta quarta-feira, 23, e traduz o que é a faixa. Como é possível assistir no player abaixo, as imagens do alto, de Silveira (e sua cabeleira azul -  ou verde?) sozinho, dão a sensação exata de desolação que a canção já indicava.

Reflexão, entendimento. É aquela sensação de que o caminho foi percorrido, do jeito que foi, como deveria ter sido, com erros e acertos, mas sempre em frente.

Um discurso que faz sentido para a banda (e para Silveira) que está prestes a embarcar em uma nova fase da carreira, com o sucessor do álbum A Sinfonia de Tudo Que Há, lançado em 2016.

"Lançamos, antes, 'Natureza Caos' e 'Convicção', que são bem pesadonas, eletriconas, guitarronas, e essa ("De Verdade") é o outro lado", explica o músico.

+++ PARA RELEMBRAR: 'Fresno Contra o Mundo', a nossa matéria de capa com a banda, publicada em 2010

De alguma forma, essas canções dão pistas do que virá para a Fresno em 2019. "A gente quer explorar as facetas da tristeza, seja a tristeza com o seu país, com a sua vida amorosa, uma tristeza que você não sabe como explicar. O disco está tomando essa narrativa", ele revela.

É uma melancolia, inerente da obra da Fresno desde o seu início, mas que agora ganha mais profundidade. O tempo passa, as cicatrizes ainda estão lá, mas os anos ajudam a fazer a dor passar, afinal. "Quando a gente fazia a música que chamavam de emo, as pessoas levavam de um modo pejorativo ser triste e falar desse lado triste das coisas", ele avalia.

"A gente percebe que hoje em dia a tristeza é pintada com um verniz mais bonitinho, o lance da sofrência, da sad music, do trap, que era algo que a gente fazia. Decidimos trazer isso de volta. É um disco que tem coisas cavalonas e coisas que a gente nunca fez, mais leve."

Assista, abaixo, ao vídeo de "De Verdade":