Glauco Villas Boas e filho são assassinados em Osasco

Crime aconteceu na madrugada desta sexta, 12, depois de invasão na casa do cartunista; principal suspeito pelo assassinato foi identificado

Da redação Publicado em 12/03/2010, às 16h09

Atualizada às 16h09

O cartunista Glauco Villas Boas foi morto a tiros, aos 53 anos, junto a seu filho, Raoni, 25, na madrugada desta sexta-feira, 12, em Osasco, São Paulo. O principal suspeito pelo assassinato foi identificado pelo política nesta manhã, segundo informou o site do jornal Folha de S. Paulo.

A partir de depoimento de testemunha sobre um dos bandidos, a polícia levantou informações sobre o carro e o endereço dos suspeitos. Então, o estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld, de 24 anos, foi identificado. Ao que tudo indica, o garoto é um conhecido da família e costumava frequentar a igreja Céu de Maria, fundada por Glauco há cerca de 15 anos. A polícia está investigando, mas, até agora, não localizou o suspeito.

A casa de Glauco, localizada no bairro Jardim Santa Fé, foi invadida por pelo menos dois homens armados durante esta madrugada. A participação de uma terceira pessoa foi citada no boletim de ocorrência do crime e, agora, a polícia investiga a informação.

No entanto, ainda não se sabe ao certo o que aconteceu no momento do assassinato. O delegado Archimides Cassão Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco, anunciou uma nova versão do caso, descartando a primeira possibilidade de morte decorrente de assalto. Segundo o delegado, Glauco tentou impedir que o suspeito cometesse suicídio, o que fez com que o garoto atirasse nele e, logo em seguida, no seu filho. O suspeito teria aparecido na casa, onde tinha livre acesso por frequentar a igreja, para pedir conselhos.

Poucas horas depois do assassinato, o advogado da família, Ricardo Handro, informou outra versão do ocorrido. De acordo com ele, o cartunista teria negociado com os bandidos e iria sair com eles, deixando a mulher e os filhos em casa. Mas, Raoni teria chegado à residência no momento em que deixavam o local. Houve discussão, e os assaltantes teriam atirado em Glauco e Raoni.

Os bandidos fugiram do local em um carro roubado. Logo depois, Glauco e Raoni chegaram a ser socorridos por testemunhas e levados ao hospital Albert Sabin, no bairro da Lapa, mas não resistiram aos ferimentos.

O caso foi registrado no 1º DP de Osasco e, por volta das 9h, os corpos estavam no IML (Instituto Médico Legal) da cidade, de onde já foram liberados.

Mais informações sobre o caso devem ser divulgadas em breve.

Carreira

Nascido em Jandaia do Sul, interior do Paraná, Glauco começou a publicar suas tirinhas no jornal Diário da Manhã, de Ribeirão Preto, no começo da década de 70.

Em 1976, foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba e, no ano seguinte, começou a publicar suas charges no jornal Folha de S. Paulo. A partir de 1984, Glauco passou a publicar suas tiras regularmente no jornal. Lá, desenvolveu seus personagens mais conhecidos, como Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Para o público infantil do Folhinha, o cartunista criou o personagem Geraldinho, que é uma versão "mais leve" do seu personagem mais famoso.

Em 1981, Glauco lançou seu primeiro livro, intitulado Minorias do Glauco. Pela Circo Editora, o cartunista publicou Geraldão e Abobrinhas da Brasilônia. Entre os anos 80 e 90, lançou cerca de 40 revistas do Geraldão, pela mesma editora. Nesse período, ele também foi colaborador das revistas Chiclete com Banana e Circo.

Na tevelisão, o cartunista chegou a ser roteirista da TV Pirata e TV Colosso, da Rede Globo.

Sua última publicação, em 2006, foi o livro Política Zero, com 64 charges políticas sobre o governo Lula - todas publicadas na página 2 da Folha de S. Paulo.