Há dez anos, Central do Brasil triunfava

Urso de Ouro em Berlim foi um dos cerca de 20 prêmios ao redor do mundo; Fernanda Montenegro, no papel de Dora, foi a primeira brasileira indicada ao Oscar

Da redação Publicado em 22/02/2008, às 17h58 - Atualizado às 18h13

Fernanda Montenegro em cena de Central do Brasil
Divulgação

O filme Tropa de Elite ganhou na semana passada o Urso de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Foi o segundo prêmio de melhor filme dado a uma produção brasileira no festival alemão: há exatos dez anos, Walter Salles elevava o cinema contemporâneo brasileiro a novos patamares com seu Central do Brasil, primeiro filme a trazer o Urso para o país.

Central do Brasil conta a história de Dora, que escreve cartas na estação ferroviária carioca homônima ao filme. Dora recolhe dinheiro pelo trabalho, mas não envia os textos, até que vem a ela Josué, filho de uma cliente que morre atropelada perto da estação. O filme caiu nas graças da crítica internacional.

O embrião do enredo da produção foi um episódio na vida da presidiária baiana Maria do Socorro Nobre. Frans Krajcberg, artista plástico polonês, amigo de Salles, respondeu a uma carta de Socorro, interessada em seu trabalho depois de ler uma entrevista. Primeiro, Salles gravou Socorro Nobre (1995), documentário sobre o encontro dos correspondentes. Depois, surgiu a idéia de Central do Brasil.

Fernanda Montenegro no Oscar

Com Fernanda Montenegro, o estreante mirim Vinícius de Oliveira, Othon Bastos e Matheus Nachtergaele no elenco, a produção estreou em cerca de 30 países. Ganhou duas dezenas de prêmios - 18 internacionais. Foi o quarto filme brasileiro a receber uma indicação ao Oscar (os primeiros foram O Pagador de Promessas, O Quatrilho e O Que é Isso Companheiro?).

Central, porém, foi além de seus predecessores: Fernanda Montenegro entrou para a história do cinema, sendo a primeira e única brasileira a ter recebido a indicação ao prêmio de melhor atriz. Não levou o Oscar (vencido por Gwyneth Paltrow, por Shakespeare Apaixonado), mas papou o Urso de Prata no Festival de Berlim.

O filme abriu portas também para Walter Salles. Depois de dirigir mais duas produções nacionais, O Primeiro Dia (co-dirigido por Daniela Thomas e exibido no Festival de Berlim em uma sessão fora da competição) e Abril Despedaçado, Walter entrou para a produção internacional. Primeiro, com Diários de Motocicleta, sobre as andanças de Che Guevara pela América Latina, com Gael García Bernal no papel principal. Em seguida veio Água Negra, com a atriz Jennifer Connelly protagonizando a adaptação de um horror japonês.