HOTLIST #19

Lançamentos brasileiros mais quentes da semana, escolhidos pela Rolling Stone Brasil

Pedro Antunes, editor-chefe | @poantunes Publicado em 23/08/2020, às 10h00

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Gilberto Gil lançou faixas extras de Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo, gravadas ao vivo em 2012. Pitty revisitou os tempos de Anacrônico com uma versão deluxe do disco 2005, com 3 músicas inéditas. Bebel Gilberto soltou um disco belíssimo de inéditas. Manu Gavassi mostrou que está muito a frente dos outros artistas do pop ao entender profundamente o que é o conceito de um lançamento, estratégias e possibilidades, com uma música com Gloria Groove e produzida por Lucas Silveira, da Fresno. 

E ainda tem mais. 

#HOTLIST #18: Lançamentos de Majur, Hot e Oreia com Black Alien, Dingo Bells, WRY, Daniel Peixoto e mais. 

Na 19ª edição da HOTLIST da Rolling Stone Brasil, reunimos aqui os 33 melhores lançamentos nacionais lançados ao longo da semana que ouvimos (e amamos!), com discos, singles, EPs e clipes.

Na HOTLIST #19, você encontrará os novos lançamentos Gil, Pitty, Manu Gavassi, Bebel Gilberto, Bivolt, Jovem Dionísio, Carlinhos Brown, Hungria Hip Hop, Carol Biazin e Vitão, WC no Beat, Costa Gold, Scalene, 999, Francisco El Hombre com Moral Distraída, Suricato, Djalma Não Entende de Política, Sérgio Pererê, Disaster Cities, Flora, Androla, Alysson Salvador, Playmoboys, Sandyalê, Rodrigo Vellozo, WARLLOCK, Sammliz, Wagner Almeida, Álec, Rodrigo Mello, Arquétipo Rafa, Pedro Mann e Amora. Vamos lá?

Gilberto Gil - 'Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo – Extras'

Registro histórico de Gilberto Gil, na ocasião da comemoração do aniversário de 70 anos, em no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2012, o Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo ganha faixas extras.

O lindíssimo (de ficar com os olhos cheios de lágrimas, de fato) EP 'Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo – Extras' apresenta seis músicas que não foram incluídas no álbum ao vivo lançado na época. Entre as novidades, essa belezinha de "Expresso 2222", que também ganhou vídeo (assista no player abaixo).

+++ HOTLIST #17: Lançamentos de Caetano Veloso e Tom, 3030, Boogarins, Ju Strassacapa,  Jonnata Doll & os Garotos Solventes, Ave Sangria e mais! 

O EP (disponível nas plataformas digitais aqui), inclui além de "Expresso 2222" as canções "Quatro Coisas", "Saudade da Bahia", "Lamento Sertanejo", "Up From The Skies" e “Um Abraço No João”. Bonito demais. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Pitty - 'Anacrônico (Deluxe)'

Sim, já se passaram 15 anos desde que a Pitty sacudiu a música brasileira com o segundo álbum dela, Anacrônico, lançado naquele ano de 2005. Com a força de músicas como a política "Anacrônico" e a devastadora "Na Sua Estante", Pitty era o grande nome do mercado nacional - posto influente ocupado pela artista até hoje, diga-se de passagem.

Nesta celebração de 15 anos do álbum, Pitty prepara algumas ações. A primeira foi a versão de "Anacrônico" com a fulminante Josyara (ouça nas plataformas digitais aqui).

+++ HOTLIST #16: Lançamentos de Gal Costa e Rubel, Mateus Aleluia, Ana Frango Elétrico, Nill, Sebastianismos, Gabz e mais

Ela também relança o álbum em uma versão "deluxe" (disponível nas plataformas de streaming aqui), com 3 faixas inéditas nas plataformas de streaming, como "Seu Mestre Mandou", "O Muro" e uma demo de "Déjà Vu". A primeira é um lado B que só havia sido tocada ao vivo, "O Muro" é a primeira gravação entre Pitty e Martin Mendonça, já "Déjà Vu" é um registro dos tempos do primeiro álbum da artista, Admirável Chip Novo, de 2003, com a participação de Peu Sousa, guitarrista morto em 2013.

Por fim (ufa!), ela soltou o belíssimo documentário Sessões Anacrônicas, que pode ser assistido abaixo, um registro completíssimo dos bastidores da gravação do álbum. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Bebel Gilberto - 'Agora'

O disco mais pessoal de Bebel Gilberto, criado sem pretensão de se tornar um álbum, apresenta as novas possibilidades sonoras exploradas pela artista que estreou há 40 anos quando, adolescente, cantou "Chega de Saudade" em um show do pai (dela e da bossa nova) João Gilberto.

Thomas Bartlett, produtor que trabalhou com Sufjan Stevens, Norah Jones, Yoko Ono, entre outros, trabalhou com Bebel nestas faixas: "Bebel tem uma força vital. Há muito alegria nela", diz ele, em um comunicado enviado à imprensa.

+++ HOTLIST #15: Gilberto Gil e Chico Buarque, Elza Soares e Flávio Renegado, Wado, Pedro Pastoriz, Rincon Sapiência, Kanduras, Luiza Brina e mais

Bebel se mudou de Nova York para Rio de Janeiro para ficar perto dos pais. Em seis meses, perdeu ambos. Parte desse processo está aqui, ressignificado em Agora (disponível em todas as plataformas digitais aqui). [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Bivolt - 'Me Salva'

Terceira faixa do álbum de estreia que leva o nome dela, "Me Salva" apresenta Bivolt a gritar por socorro. Quer ser salva daqui, desse planeta, dessa loucura. Quem não queria?

O disco Bivolt (lançado nas plataformas digitais aqui), lançado em 2020, é cada vez mais atual. "Num mundo de mar que tende a subir / ET vou gritar pra você me ouvir", diz ela, na faixa que tem o inebriante beat do Nave.

+++ HOTLIST #14: Jadsa, Ana Vilela e Ráae, Tuyo, Maglore, Cuscobayo, Betina, Francisco, el Hombre, Rhaissa Bittar, Doctor Pheabes, Maranda, The Raulis e Nego Bala

O clipe de "Me Salva", dirigido por Camila Cornelsen, ainda bebe de fontes das animações como The Midnight Gospel, delirante produção recente da Netflix. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Jovem Dionísio - 'É Osso'

Uma das bandas mais legais desse novo pop cool e brisa, Jovem Dionísio jorra hormônios até para corpos como o meu, já cansados e maltratados pelas mais de três décadas de vida. Assim, é "É Osso", o novo single do grupo que se autoproclamou a "banda dos menino hidratado" (sim, escrito desse jeito).

+++ HOTLIST #13: Cidade Dormitório, Hiran e Tom Veloso, Lienne, Rafa Castro, Amen Jr, Ginge, Caramelows, 1LUM3 e mais!

Música frita na medida certa, com injeção de construções pop que fazem com que seu corpo (hidratado ou não) dance ao som das batidas, "É Osso" (disponível nas plataformas digitais aqui) diverte ao tratar do dilema do jovem apaixonado procrastinador. O clipe (no player abaixo) tem a direção, efeitos e mais assinados pelo duo Two Lost Kids. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Carlinhos Brown e Milla Franco - Paxuá e Paramim Em: A Floresta Dos Rios Voadores

Carlinhos Brown, em parceria com a arte-educadora Milla Franco, resgata os personagens Paxuá e Paramim em novo disco.

Em Paxuá e Paramim Em: A Floresta Dos Rios Voadores (disponível nas plataformas de streaming aqui), os personagens voltam para novas aventuras dedicadas ao público infantil, com a ideia de trazer consciência ambiental em tempos tão sombrios. Nove das dez músicas do trabalho foram criadas dentro do período de isolamento social, inclusive. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Hungria Hip Hop - 'Cheiro do Mato'

Rapper que acumula números superlativos nas plataformas de streaming, Hungria também querer expandir as próprias fronteiras do som com o EP Cheiro do Mato. Com 5 músicas, ele se apresenta com uma nova roupagem.

Todo acústico, o EP Cheiro de Mato (disponível nas plataformas digitais aqui) é a realização de um desejo antigo de Hungria. Violões, violinos, canções inéditas. Hungria manja do que fazer e faz desse EP um retrato bastante íntimo, seja esteticamente ou nas letras - já são costumeiramente pessoais.

Acalmado pela natureza, ao fazer retiro de onde vieram quatro das cinco músicas, em parceria com Luan Padal, Hungria passeia por mensagens de paz e calma, em um novo ambiente estético que lhe caiu muito bem. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Carol Biazin & Vitão - 'Sempre Que Der'

Será que o romance acabou? Foi rotina? Costume? Delirantemente romântica, "Sempre Que Der", single lançado nas plataformas digitais e com clipe (assista no player abaixo), reúne a Carol Biazin e Vitão.

Ambos, cada um de maneira própria, se estabelecem como nomes fortes da música pop brasileira contemporânea de sonoridade fluída, de cordas e beats intrinsecamente ligados e vozes muito bem costuradas.

O feat, é claro, é certeiro. Vitão é uma figura cada vez mais frequente em participações, com uma capacidade camaleônica de se adaptar às diferentes canções. Já a voz de Biazin é um fenômeno, com facilidade em habitar em notas mais graves, mas sabe muito bem subir para irresistíveis agudos. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


WC no Beat - GRIFF

O incansável WC no Beat solta o segundo álbum, o delirante GRIFF (disponível nas plataformas digitais aqui), com 33 participações. Parcerias inesperadas, outras que fazem a gente dizer "como não pensamos nisso antes?".

O produtor une artistas de estéticas distintas, como a cantora pop Anitta e o rapper Djonga, em "Cena de Novela", que ainda tem a participação do trapper PK; Ludmilla e Vitão em "Sem Limites", Dilsinho, Reik e Felp 22 em "B.O. Temporário", e muitos mais.

É um disco para mergulhar e se deixar surpreender para cada voz que brotar nos fones de ouvido. WC no Beat queria que esse álbum estabelecesse a carreira dele. Visionário de unir trap e funk, ele mostra em GRIFF que tem grife. E vale muito. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Costa Gold - UAU!

Com oito anos de história, o grupo Costa Gold faz de "UAU!" uma ode à break dance dentro da cultura hip-hop, enquanto emenda rimas divertidas, politizadas e lascivas.

O flow de "UAU!" (disponível nas plataformas digitais aqui) é alucinante, mas os com drops quando a cantam o título da canção garantem groove neste novo single. Há algo de humor ali, também, e também algumas linhas mais reflexivas.

“Nesse clipe nós pensamos em trazer uma coisa que estava em falta, que é enaltecer a cultura do break, da dança e a expressão corporal dentro do hip-hop. Optamos por valorizar esse movimento e colocar os dançarinos como artistas principais, roubando a cena", contou um dos integrantes do grupo, Nog. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Scalene - 'Caburé'

É preciso aguentar firme para não deixar uma lágrima rolar com o novo vídeo da Scalene, para "Caburé". Embora, cá entre nós, chorar é bom e faz bem.

O vídeo de "Caburé", canção delicinha que integra o EP Fôlego (disponível nas plataformas digitais aqui https://SomLivre.lnk.to/Folego) atravessa a casca dura que a vida nos faz colocar diante dos sentimentos mais íntimos. Todo construído com imagens de arquivo da infância da Scalene, o vídeo faz sentir uma saudade incontrolável de dias mais inocentes e simples.

Caburé, como explica o comunicado enviado à imprensa, foi a primeira música criada pela banda no período de quarentena, em um processo que se desaguou em Fôlego, e é uma bonita canção sobre buscar razões otimistas para seguir existindo. Com amor, melhor ainda. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Manu Gavassi e Gloria Groove - Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim

Manu Gavassi é absolutamente arrebatadora. Poucos artistas do pop sabem entender o mercado, as possibilidades e tirar o melhor proveito disso. Principalmente, alguém que entende a música além dela própria.

Assim é o projeto que culminou em "Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim", vídeo escrito e dirigido por ela que chegou ao 1º lugar dos mais assistidos do Brasil no YouTube, com participações até de Chay Suede e Laura Neiva, além da poderosa Gloria Groove, que também canta na canção.

Com sarcasmo, beats refinados e refrão potente, "Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim" (disponível nas plataformas digitais aqui) é a música pop em excelência, bem longe de ser genérico, cheio de easter eggs, como o magnífico livro 1984, escrito por George Orwell, lido por Manu no clipe. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Og Cruz - M0xc4

"A repetição afeta a gente de uma forma… Que machuca", diz o artista visual M0sk4, no curta-metragem dirigido por Og Cruz. "A maior interferência nos nossos comportamentos é o espaço. Quando você limita esse espaço, você coloca esse cérebro numa caixa."

A impressionante arte de M0sk4 agora integra o selo 999, de Baco Exu do Blues e Leonardo Duque. A forma de apresentá-lo, com o curta de Og Cruz, entrega um artista sensível, atento ao mundo ao redor. O vídeo tem a trilha sonora do próprio Baco.

"M0xc4 é um erro de programação que desfragmenta as habituais funções, criando novas
narrativas, expondo a imagem, propondo novas leituras. Meu nome artístico nasce
experimentando a arte na rua, colidindo informações novas e antigas que captei. Como um
nerd da arte, tecnologia e linguagem, continuo cavando todos os terrenos possíveis (foto,
música, literatura, cinema, pintura), vasculhando novas fórmulas na criação de imagem,
desenvolvendo linhas de resolução em linguagens de computador", conta M0sk4, em um comunicado. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Francisco, el Hombre & Moral Distraída - 'Baile Sudaca'

Ressignificar e recriar a existência. As bandas Francisco, El Hombre e a chilena Moral Distraída se unem para transformar a expressão "sudada", usada por espanhóis para tratar pejorativamente os nascidos na América Latina, para criar "Baile Sucada" (disponível em todas as plataformas digitais aqui).

"Deixa eu te mostrar o sorriso latino", cantam Francisco, El Hombre. Com a incrível Moral Distraída, o grupo reverte o pejorativo, transforma em festa e representatividade com uma mensagem poderosa de pertencimento. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Suricato - Suricateando

De Roupa Nova a Fagner, Rodrigo Suricato acessa a própria memória afetiva para criar Suricateando, o novo disco do artista (disponível nas plataformas digitais aqui).

Com Talismã, Deslizes, Volta pra Mim, Cigana, Insensato Destino, Um Pequeno Imprevisto e Faltando Um Pedaço, Suricateando não quer recriar a roda, mas, sim, dar afago em tempos difíceis. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Djalma Não Entende de Política - 'Canastra Real'

Uma delicinha tropical indie, descolada e tilelê com alguma melancolia e desolação, "Canastra Real" é o novo single da incrível Djalma Não Entende de Política, que chega para provar que não só entendem de política, como também do jogo de cartas.

Com o jogo de canastra como metáfora para o afogamento político brasileiro, Djalma Não Entende de Política vive um momento criativo revigorante. Depois da música "Nos Idos de 96", "Canastra Real" é a segunda faixa do EP do grupo, de nome EP da Deprê (sim, há uma referência ao primeiro EP deles, o EP da DP).

O lançamento da canção chega com o clipe dirigido pelo cineasta Gabriel Martins, da produtora Filmes de Plástico (autor de produções como o ótimo Dona Sônia pediu uma arma para seu vizinho Alcides). [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Sérgio Pererê - Canções de Bolso

Falamos de Sérgio Pererê na HOTLIST #18 e ele está de volta, uma semana depois, com o poderoso álbum Canções de Bolso (disponível nas plataformas de streaming aqui).

Esse é o terceiro disco de Sérgio Pererê lançado em 2020. De cara, Canções de Bolso faz uma lavagem de alma. "Oração do Perdão" é, definitivamente, uma das músicas mais bonitas que ouvi em 2020. Com instrumentação que vai até o limite do que é pop, a voz de Pererê é arrebatadora, dilacerante.

Cancões de Bolso propõe encarar a vida com a serenidade que só a voz de Pererê parece ser capaz de propor. Leve, com arranjos abusados, o álbum é um alento em um 2020 tão espinhoso. Merece a escuta atenta, reflexiva e entregue. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Disaster Cities - 'An Ode to Isolation and Confusion, Pt. 1'

A delirante Disaster Cities tocou o projeto de lançar três EPs, com com músicas inéditas e novas versões de canções já lançadas nos outros álbuns do grupo, paralelamente ao novo disco do atualmente quinteto.

Entre revisões e novidades, An Ode to Isolation and Confusion, Pt. 1 (disponível nas plataformas digitais aqui) oferece uma audição para as novas possibilidades estéticas e artistas do grupo, maturada pela vivência, convivência, estúdio e turnês. Bonito de ver essa transformação. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


FLORA - 'A Emocionante Fraqueza dos Fortes'

É bonita a jornada dos versos de "A Emocionante Fraqueza dos Fortes", de FLORA, persona artística de Flora Uchoa. Do "eu adoro dançar só, mas com você" para "Eu prefiro dançar só, mas ninguém crê", em diferentes estrofes na mesma canção, entrega a transformação.

"A Emocionante Fraqueza dos Fortes" (disponível nas plataformas digitais aqui), lançada pela LAB 344, dá nome ao futuro disco de FLORA e foi produzida pelo sagaz WADO, com quem a artista gravou e lançou "Faz Comigo", outra bela canção de um 2020 tão surreal. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Androla - 'Menina'

Com um folk-groove, Androla dispara sobre um novo amor e as transformações criadas a partir da chegada dessa paixão arrebatadora em "Menina", o terceiro single do EP Até Já, produzido pelo Midas Music.

Com um pop inerente, "Menina" (disponível nas plataformas digitais aqui) cria alternâncias estéticas para traduzir a euforia causada por um arrebate amoroso, do refrão com calmaria, e a agonia cantada num "o que eu vou fazer?" com alcances agudos surpreendentes. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Alysson Salvador - 'Quintal da Saudade'

Ê, que brisa boa de saudade. "Quintal da Saudade", novo single de Alysson Salvador, antecede o futuro álbum do artista, Musicarama. A ideia é que novos singles cheguem para antecipar o álbum.

"Quintal da Saudade" (disponível nas plataformas digitais aqui) apresenta uma irresistível união da delicinha dança da sanfona com os delirantes beats eletrônicos. Nesse yin-yang entre o orgânico e sintético, Alysson Salvador canta a esperança até mesmo na terrível agonia da ausência. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Playmoboys - "Cores"

"Que mal há de brincar com as cores da vida?", questiona a banda Playmoboys no single "Cores"? Mal algum, inclusive, como mostra a música, também em uma metáfora sobre os caminhos estéticos adotados pelo grupo ali, ao explorar tons delicados e pastéis para pintar uma canção good vibes na medida certa.

Com um DNA de indie de garagem que arrebatou até os The Libertines, a Playmoboys vem experimentando criações em português e, para isso, absorvem mais referências de MPB e pop.

É bom ter uma dose de otimismo, como em Cores (disponível nas plataformas digitais aqui) injetado nesse 2020 tão pessimista. Não custa e, no fim das contas, faz um bem danado. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


 

Sandyalê - "Linhas que Trago"

Música poderosa do álbum Árvore Estranha, lançado por Sandyalê em 2019, "Linhas que Trago" revive com um clipe criado em parceria com estudantes do curso de cinema da Universidade Federal de Sergipe - antes da pandemia do novo coronavírus, é bom dizer.

Com uma equipe enorme e eficaz na ficha técnica, o clipe de "LInhas que Trago" expõe uma linguagens com o vermelho sangue como a cor que contraste. Solidão se amarra nessas linhas vermelhas do vídeo, aprisiona e nos coloca a pensar sobre os nossos próprios processos. O resultado é lindo. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Rodrigo Vellozo - 'O Mestre-sala da Minha Saudade'

Um samba triste, tristíssimo, desolador e choroso. "O Mestre-sala da Minha Saudade", de Rodrigo Vellozo, é clipe, mas também é disco, ambos lançados no dia 21 de agosto.

O clipe, num pós-carnaval, em meio a carros alegóricos abandonados, Rodrigo é a figura da saudade, da desconexão, da memória de dias mais felizes. "Para onde vai a alegria quando deixa a avenida?", diz um poema recitada durante a canção, uma criação de Vellozo e Romulo Fróes.

O Mestre-sala da Minha Saudade também é o disco do cantor e compositor com a produção de Fróes. O álbum (disponível nas plataformas digitais aqui) é uma bonita homenagem ao irmão de Rodrigo. Tudo soa emotivo, com o ardido terrível da saudade e da ausência, mas também é um retrato muito íntimo e fiel pós-perda. A participação do pai de Rodrigo, Benito Di Paula, é realmente fulminante. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


WARLLOCK - 'Rubro Rio'

Faixa do bastante impressionante EP Nova Escala, Pt. 1, a canção "Rubro Rio", de WARLLOCK ganha clipe criado em stop motion digital, realizada por Deborah Barros e Graça.

O flow de WARLLOCK em "Rubro Rio" não tem pressa. Tudo tem seu tempo ali, como é a relação finada e o processo de aceitação de uma ausência. "Dos meus contatos, tu é o mais frio", rima ele.

A deliciosamente lo-fi "Rubro Rio" é uma das seis canções do ótimo EP Nova Escala, PT. 1, lançado em julho de 2020 (e disponível nas plataformas de streaming aqui). [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Sammliz - 'Irmã'

"O que você será quando acordar em você?" Sammliz questiona a persona virtual que protege quem ataca nas redes com "Irmã", o novo single do futuro EP da artista, vocalista do quarteto Madama Saatan até 2014.

Com a faixa Irmã (disponível nas plataformas digitais), ela se liquefaz em beats eletrônicos em uma base criada pelo ótimo produtor Mateus Estrela, sob o nome de STRR. O vídeo lançado com a canção tem imagens da videomaker Adrianna Oliveira e direção de Bernie Walbenny e de Sammliz.

Com uma pegada sythpop, mas mais industrial do que colorida, "Irmã" é uma canção que reflete nossos tempos loucos e virtuais. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Wagner Almeida - 'Afogar'

Wagner Almeida é o alívio indie com o single "Afogar" (disponível nas plataformas de streaming aqui), o segundo lançamento do artista integrante do movimento artístico de nome Geração Perdida de Minas Gerais. Na preparação do novo álbum, o futuro Campeão da Avenida, Almeida expele candura em versos tão existencialistas.

É um dream-pop com vozes dobradas, lo-fi na medida certa e guitarras que se contorcem em doses homeopáticas. Delirante, deliciosamente divertida, "Afogar" é uma reflexão e uma busca por entender quem se é: "Espero um dia não ter tanta coisa pra pensar / E assim poder nadar sem me preocupar em afogar", canta Warner Almeida. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Álec - 'Pandemônio'

Álec dá um início brilhante à carreira artística com o "Pandemônio". Aqui, entre beats e sons sintéticos, ele recria as angústias. "Meu último sinal de sanidade se perdeu entre o quarto e a sala", ele canta.

Com "Pandemônio" (disponível nas plataformas digitais aqui), ele introduz um mundo particular e estético, tudo escrito e produzido por ele. "Cansei do caos", diz outro verso, que segue: "vou cantar de raiva, vou dançar de raiva".

O que Álec traduz é altamente pessoal, claro, e por isso é tão fácil se relacionar com essas linhas escritas em meio à pandemia. Agonias, tristezas, raivas, rotina, repetição.

O aspecto onírico da estética adotada em "Pandemônio" abre uma porta mais direta para os fantasmas mais escondidos do ouvinte. E isso não significa que não seja dançante também. A dança no caos. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Rodrigo Mello - 'Cristo Redentor'

"Leva esse vazio que ela deixou", pede Rodrigo Mello em "Cristo Redentor", single (disponível nas plataformas de streaming aqui) lançado com clipe.

Com beats de AlefBeatz, Mello faz um híbrido de rima e canto. Soa contemporâneo, bastante ligado nas possibilidades sonoras híbridas de uma canção pop, com flertes de reggae e rap. Música sem limites e barreiras.

Numa canção sobre distância e saudade, Rodrigo Mello canta paz em versos levados como um fluxo de consciência livre. Ausência, distância, o mundo em caos lá fora, mas a mensagem final é otimista: "Tudo isso passa". [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Arquétipo Rafa - 'Surfista de Boi'

Numa ideia realmente genial, Arquétipo Rafa cria "Surfista de Boi", canção que também é jogo para smartphone. É uma provocação, uma diferente forma de lidar com uma canção, de experimentá-la e de conquistá-la.

Afinal, no jogo, para ter a experiência completa de "Surfista de Boi", é necessário evoluir nas fases e, com isso, desbloquear as novas possibilidades estéticas e atmosferas da canção. E, vou contar, são muitas as experiências criadas por Rafa para essa canção. Timbres, vozes, ritmos. Bem bonito, mesmo.

Neste link (clique aqui), você será direcionado para uma página com links para download do jogo para Android e iOS e, claro, para as plataformas de streaming também. Se puder sugerir, experimente o game antes de dar play direto na faixa. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Pedro Mann - 'Todo Fim é Recomeço'

Todo fim é recomeço. Nesse entendimento de como tudo é cíclico na vida, Pedro Mann canta mais um single do novo disco, lançado nas plataformas de streaming e com um clipe intimista.

Afinal, intimista é a canção. A voz, com uma rouquidão suave, canta sobre uma despedida, mas sem a melancolia inerente desse tipo de sentimento. Há paz no violão e voz de Mann, entendimento apesar de versos de destroçar o coração, como "você se foi, e eu fiquei". Afinal, como canta o artista: "Leve dessa estrada uma lembrança boa pra alcançar a força em outra pessoa". Bateu bonito por aí também? [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]


Amora - 'Stay Strong'

Para encerrar a HOTLIST #19, escolhi o som da Amora, que evidencia as possibilidades sonoras e a mensagem forte durante essa vivência de isolamento social e pandemia global. Com "Stay Strong", Amora quer compartilhar a força em tempos difíceis.

A faixa também é uma virada na carreira autoral da artista, com mais dramaticidade, num pop quase barroco com ecos e piano, depois de dois singles com BPMs mais acelerados e vibe dançante. Com isso, Amora realmente nos mostra o que será do novo álbum dela, previsto para sair até 2021. Antes disso, é preciso permanecer forte. Todos nós. [Texto: Pedro Antunes | @poantunes]