A Hospedeira repete ideias de Crepúsculo em embalagem de ficção-científica

Novo filme baseado em obra de Stephenie Meyer possui fórmula certeira para agradar aos fãs da autora

Paulo Gadioli Publicado em 29/03/2013, às 08h56

A Hospedeira
Divulgação

Entre os dois últimos livros da série Crepúsculo, Stephenie Meyer se aventurou pela ficção-científica com o best-seller A Hospedeira. Com o sucesso das adaptações da saga de Bella e Edward, era inevitável que a obra também chegasse às telas, apostando principalmente na fama de sua autora. Para dirigir o longa, que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, 29, o especialista Andrew Niccol, de Contra o Tempo e Gattaca, foi convocado. Infelizmente, o criativo cineasta serve apenas como coadjuvante a uma trama que parece não saber o que dizer.

O filme mostra a história de Melanie Stryder, uma sobrevivente da invasão alienígena que quase extinguiu a raça humana. As Almas, como são chamados, dominam os humanos, apossando-se de seus corpos e memórias. Melanie é capturada mas resiste à ocupação, iniciando um processo que pode salvar tanto a humanidade quanto seu relacionamento com o rapaz que ama.

A linha final dessa pequena sinopse já indica grande parte do problema. O roteiro óbvio, redundante e incapaz de confiar na inteligência de seu público por vezes tenta abordar temas mais abrangentes, mas perde-se ao tentar balancear a trama com os relacionamentos amorosos nela contidos. “Mesmo que fôssemos as duas últimas pessoas na Terra, eu esperaria até você estar pronta”, diz um dos protagonistas, repetindo o ideal romântico de Meyer personificado em Edward Cullen.

Por conta do foco no romance e do público que pretende atingir, A Hospedeira é mais uma história de amor do que ficção-científica. Beijos na chuva, discursos apaixonados e um quadrado amoroso, dos mais esquisitos a já serem retratados nas telas, devem garantir que os admiradores do vampiro que brilha saiam satisfeitos do cinema.

Niccol tenta conquistar os não iniciados com um bom tratamento visual, constantemente sabotado pelo diretor de fotografia Roberto Schaefer. Nos ambientes internos, Schaefer opta quase sempre pela escuridão. O efeito final não é o de uma penumbra programada, como que para retratar as sombras daqueles que vivem escondidos, mas sim de um descuido que diminui o efeito dramático da interação entre os personagens.

A jovem protagonista Saoirse Ronan é talentosa. No longa, acaba por interpretar dois personagens em um único corpo, saindo-se bem em ambos. Seus pares românticos, porém, são responsáveis por alguns momentos de humor involuntário, assim como os veteranos Diane Kruger e William Hurt, aparentemente não estavam muito interessados no filme.

Levando em conta seus projetos passados, é fácil deduzir que, ao escrever o roteiro, Andrew Niccol tentou balancear o romance com outros temas. Fica a impressão de que Meyer e os produtores venceram o braço de ferro e conseguiram que A Hospedeira fosse mera repetição de uma fórmula de sucesso. A confusão e indecisão, no entanto, continuam tão visíveis quanto as pupilas brancas dos dominados.