Game of Thrones: Richard Madden fala sobre o destino surpreendente de seu personagem na série

O Rei do Norte reflete sobre a longa batalha pelo Trono de Ferro depois do chocante episódio desta semana

SEAN T. COLLINS Publicado em 03/06/2013, às 19h35 - Atualizado às 19h43

Richard Madden - Game of Thrones
Divulgação

Atenção: o texto abaixo contém spoilers.

Poucas palavras são capazes de descrever o episódio de Game of Thrones exibido neste domingo, 2, na HBO. Ainda assim, a inevitável tarefa caiu sobre os ombros do ator Richard Madden, que por três anos interpretou Robb Stark, morto no último episódio. Orquestrado pelos Lannister, o massacre de Robb, a mãe dele, Catelyn (Michelle Fairley), a esposa grávida dele, Talisa (Oona Chaplin), e quase seu exército inteiro colocou fim não apenas aos papéis desses atores, mas também ao conflito central da série, entre os Stark e os Lannister.

Tendo tido muito mais tempo na telas do que seu personagem teve nos livros de George R. R. Martin, Madden teve de lidar com um equilíbrio difícil. Robb Stark precisou mostrar a coragem moral e física do pai, Ned, levando o público para seu lado na guerra contra os Lannister, enquanto tomava o tipo de decisão que só um jovem inexperiente forçado a tomar o poder poderia tomar. Ele era um personagem fácil de se gostar, e por isso o episódio deste domingo foi tão brutal. Por telefone, Madden falou sobre o impacto da vida e da morte de Robb Stark.

Game of Thrones: as dez maiores diferenças entre livro e série.

Você e Michelle Fairley são muito próximos. Qual o significado de filmar a sua saída com ela, que foi sua parceira nessas três temporadas?

Acho que a gente construiu o melhor relacionamento dentro e fora da tela, nos últimos anos. Fomos para aquela cena com o coração pesado, porque nós realmente amávamos fazer parte dessa série e amamos trabalhar juntos. Você não tem a chance de trabalhar com os mesmos atores com frequência. Eu e Michelle temos um ótimo diálogo – é algo real, que você só consegue consegue construir em séries de longa duração e com ótimos roteiristas, como nessa série. Foi difícil passar por isso, mas os roteiros eram ótimos, e o episódio todo foi quase que uma ópera. Levou alguns dias para gravarmos a cena. E tem um momento em que olhamos um para o outro... é essencialmente Robb Stark dizendo adeus à mãe dele, desistindo, e em vez de ser uma coisa muito ruim, há um momento de tragédia e de alívio. Porque esses dois personagens lutaram tanto, e finalmente chegou ao fim. Eu e Michelle realmente sentimos isso no dia, assim como várias pessoas da equipe. Somos uma grande família que passou por isso durante anos, e foi um dia triste.

Quando você descobriu que Robb iria morrer?

Assim que eu consegui o emprego, as pessoas deram um jeito de me contar. “Meu Deus, a sua morte foi tão terrível!” Mas eu li os livros a cada temporada, porque eu nunca quis antecipar para onde ia o personagem. Como ator, era um desafio muito melhor fazer o personagem baseado nos roteiros e no primeiro livro, e depois no segundo. Quando você chega ao terceiro livro, e o Robb está tomando outras decisões, então eu, como ator, sou forçado a curvar o caminho pelo qual eu estava levando Robb e a continuar trazendo surpresas. Espero que eu tenha conseguido fazer isso.

Como você espera que os fãs se lembrem de Robb?

Espero que como se lembram de Ned. Isso está constatemente na minha cabeça durante todo o tempo – menos na terceira temporada, quando ele começa a tomar decisões piores. Como o pai dele, como um homem honesto e justo. Nesse mundo, em Game of Thrones, pessoas honestas e justas e que fazem as coisas pelas razões certas não tendem a sobreviver, e Robb é um grande exemplo disso. Espero que ele seja lembrado como um bom homem, e essencialmente como aquele que teria sido a melhor pessoa para liderar os Sete Reinos. É trágico que ele tenha sido morto, porque acho que ele era o melhor líder de todos os candidatos disponíveis no momento.

A Mão por Trás do Trono: George R.R. Martin fala sobre Tyrion, cenas de sexo e o próximo livro de As Crônicas de Gelo e Fogo.

Sendo os fãs da série e dos livros tão devotados, como imagina que serão as próximas semanas para você?

Eu não sei. Espero que as pessoas curtam as surpresas. Espero que muitas pessoas não tenham sido estúpidas como eu e procurado no Google esse tipo de coisa antes da hora. Aprendi essa lição muito rapidamente na primeira temporada – não procurar as coisas no Google, porque há muitas pessoas que vão simplesmente te contar tudo. Isso pode ser ótimo em termos de pesquisa, mas não é bom para a dramaturgia.

Uma das grandes mudanças entre o livro e a série é o fato de que a Talisa morre, e grávida. Por que você acha que foi importante ela ter morrido, sendo que nos livros ela vive?

Acho que foi importante ela ter morrido porque foi um fim completo para aquele exército. Acho que se tivesse sobrado alguma coisa... acho que é mais trágico que não tenha restado nada. Não existe possibilidade de Talisa estar se escondendo, de ela ter o bebê e de um dia esse bebê se tornar o Rei do Norte. Acho que tem um lado trágico tudo isso acabar instantaneamente.

Dan Weiss e David Benioff, criadores da série, queriam fazer o programa para chegar a essa temporada, e O Casamento Vermelho é a razão para isso. Como figura central do Casamento Vermelho, como é ter esse peso sobre seus ombros?

Eu considero uma honra, na verdade, que eles tenham me confiado esse personagem. Acho que tinha 21 anos quando os conheci. Depois que eu consegui o papel e pude conhecê-los e me tornar amigo deles, fiquei sabendo tanto sobre como eles leram os livros e passaram por aquele processo antes mesmo de começarem a série. Foi O Casamento Vermelho que os fez dizer: “Precisamos fazer essa série, e precisamos chegar nesse ponto”. Então, é um presente para mim. Na segunda temporada, eles realmente me deram muito mais material do que havia no livro, e espero que tenha sido capaz de construir um personagem que signifique que, quando o público chegar a esse episódio, já esteja tão envolvido com Robb Stark quanto eu estou, quando David e Dan estão desde o início. Considero menos um peso e mais uma honra eles terem me confiado essa responsabilidade.

As sete piores coisas que foram feitas na primeira temporada de Game of Thrones.

Além de não vingar o pai, Robb teve negada uma cena de morte grandiosa, heróica e gloriosa, como estamos acostumados a ver em produções desse gênero, quando um personagem é cortado da história dessa forma. Você se ressentiu do modo como tudo aconteceu?

Foi horrível, obviamente. Mas eu não tenho nenhum ressentimento por causa disso, porque a morte de Robb Stark desta forma é uma das coisas que a HBO e Game of Thrones fazem de melhor, que é arrancar esses personagens dos nossos corações sem dó. É duro e, sim, talvez fosse melhor que Robb morresse de forma gloriosa, em um campo de batalha, ou algo assim. Mas isso é algo tão repentino, violento e horrível. Da forma com a qual eu tentei construir Robb Stark, e da forma criada pelos roteiristas, não havia outro jeito de matá-lo. Ele era ótimo no campo de batalha e, apesar das poucas escolhas, era um ótimo líder. Eu acho que muita gente aceitaria ficar ao lado dele e dar proteção a ele. Mesmo no episódio nove, eles tentaram fazê-lo. E tudo isso vem do bom coração e da confiança dele no próximo, da confiança que as pessoas farão o que é certo e não destruir uns aos outros como costumam fazer.

Como foi o clima no set quando foi filmada a sequência principal?

Honestamente? Foi horrível. Foi um dia difícil para todos nós. Muitas lágrimas, inclusive minhas. A forma como foi: Robb Stark com a rainha morta nos braços dele, a barriga dela perfurada e com sangue jorrando das feridas, a mãe dele tendo a garganta cortada. Foi um dia muito perturbador. Tem sido um período tão importante das nossas vidas, da minha, de Michelle e Oona, e de toda a equipe. Nós passamos por muitas coisas juntos, condições climáticas extremas na tentativa de fazer o melhor programa que conseguíamos, nos esforçando ao máximo. De novo, havia um sentimento de exaustão e foi horrível. Ver esses personagens que você ama sendo massacrados. Isso me fez pensar no meu pai: quando ele leu os livros, ao ler o Casamento Vermelho, ele abandonou o livro por uns dois meses, sem querer ler mais. Isso é porque ele obviamente liga Robb Stark a mim. Mas a jornada do personagem e o carinho que todos nós tivemos uns com os outros do elenco e da equipe... Foi realmente emocionante, mesmo que não tenha sido muito legal. Eu saí de lá e fui direto para o aeroporto, pegar o avião, porque não queria mais estar ali. Foi muito difícil.

Quanto tempo levou para livrar-se desse sentimento?

Não havia saído até assistir ao episódio. E ainda está aqui. Assim que eu assistir ao episódio – e será muito difícil - acho que muitas emoções que eu havia deixado de lado por um período serão desenterradas, mas isso irá me separar de Robb. Nós filmávamos por seis meses durante o ano e, nos outros seis meses, saíamos para fazer outras coisas. Mas não foi igual a nenhum outro trabalho que já fiz, porque você não consegue se distanciar do personagem. Você dá um passo para longe por seis meses e, então, volta para aquelas mesmas botas – literalmente, as mesmas que você estava usando na temporada anterior, a mesma roupa. Foi realmente difícil filmar o fim disso. Ainda é muito difícil, para mim, compreender que não vou mais voltar para lá, que aquilo acabou completamente. É divertido, porque eu ainda sou muito próximo da equipe, eu tenho conversado com os cabeleireiros do elenco e com outros atores que estão se preparando para voltar [à série]. Isso é muito esquisito para mim. Neste momento, estamos nos preparando para a chegada do verão e eu provavelmente estaria me preparando para voltar ao programa, mas não estou. Até assistir a esse episódio, eu não serei capaz de descansar, mas assim que assistí-lo, não sei direito se conseguirei diger.

Você chegou a pensar em fazer looby para alterar o destino de Robb ou estender a participação dele na série?

[Risos] Não. Eu sabia onde a despedida estava posicionada nos livros e no roteiro. Desde o início do trabalho, eu sabia quando isso aconteceria. Eu acho que foi o momento perfeito para isso. As outras histórias irão progredir, seguirão em frente, mas é tudo muito chocante neste momento. Eu não gostaria de mudar. Eu sei que David [Benioff] e Dan [ D. B. Weiss] passaram anos estruturando tudo tão bem que eu nunca tentaria chegar e adiar as coisas porque eu gostaria de ter uma temporada a mais em Game of Thrones ou algo parecido. Eu queria seguir à risca. Queria que fosse repentino e chocasse as pessoas da mesma forma que aconteceu comigo quando li o livro e a cena. Espero que o público fique chocado. É uma temporada de 10 episódios – e estamos no episódio 29 do total da série -, então ainda é um programa muito jovem, na verdade, para matar outro personagem, como foi com o Sean Bean [que viveu o decapitado Ned Stark, pai de Robb]. Eu acho que é essencial e eu não gostaria de estragar isso.

Você tem alguma mensagem para que os fãs continuem assistindo à série após verem o que acontece no Casamento Vermelho?

Suspiro. Eu não tenho. Ninguém está a salvo em Game of Thrones.

Você consegue se distanciar da série e pensar no potencial lugar deste episódio na história da TV – que poderia ser tão crucial quando “Who Shot J.R.?”, do Dallas, ou o último episódio de Família Soprano?

Nunca. Eu nunca tive essa habilidade como ator. Eu acho que eu me envolvo demais para isso. Eu sempre me surpreendo. Eu estou filmando no Canadá agora e estive na América do Sul. É sempre estranho porque, para mim, eu apenas gravei um programa na Irlanda. Ao viajar ao redor do mundo é quando você percebe que é muito mais que isso. Eu não estou ignorando esse fato – é que eu fiz esse programa com pessoas que considero amigos meus de muitos anos e não possuo o contexto do significado disso. Eu tenho apenas a consciência de tentar atingir um nível como ator para trabalhar a serviço do personagem. Eu me lembro do caminho até aquele momento e da emoção que levou a mim e outras pessoas até lá, pensando que isso era algo significante. Mas a linha entre atores e personagens, às vezes, fica confusa em termos do que move você – se é você que move o personagem, ou se é o personagem que move você. Suponho que isso afaste a minha consciência do mundo externo e me mantenha focado no meu trabalho. Acho que depois de assistir ao episódio eu terei um maior entendimento do início, meio e fim da jornada de Robb. E da minha jornada também.