Se Beber, Não Case! Parte III encerra saga da matilha de maneira adequada, mas sem a empolgação inicial

Conclusão da trilogia abandona parte rota da fórmula em troca de exagero e inúmeras autorreferências

Gus Lanzetta Publicado em 30/05/2013, às 12h14 - Atualizado às 12h26

Se Beber Não Case Parte III
Divulgação

A primeira continuação de Se Beber, Não Case! pecava por repetir toda a trama do filme anterior. Já Se Beber, Não Case – Parte III, que acaba de chegar aos cinemas no Brasil, joga fora toda a planta da trama que vimos nos dois primeiros longas, ainda que mantenha a estrutura quase idêntica.

Desta vez não há perda de memória, bebedeira e nem um casamento como estopim da reunião dos personagens. Na verdade, tudo começa com um velório e uma jornada a uma clínica de reabilitação, uma nada sutil guinada de valores, que na verdade serve apenas para deixar o começo do filme um pouco diferente.

A produção introduz John Goodman como um antagonista meio genérico e sem muito ímpeto. Ele é apenas mais uma força externa dos deuses do cinema que chega para manter Ed Helms, Zach Galifianakis e Bradley Cooper fazendo o que sempre fizeram na série. As motivações de Goodman podem ser meio superficiais e nunca o foco real da trama, porém a ameaça dele ao grupo é tangível e serve de desculpa para botar o trio em uma série de encontros (e reencontros) trash. Há mais invasões de propriedade, roubos, mortes e animais em Se Beber, Não Case! - Parte III do que em qualquer outro filme da série (dá para arriscar dizer que em qualquer outra comédia norte-americana deste ano).

O clima de “enfiar o pé na jaca”, mais do que comum para a “matilha”, permeia todo o filme, desde as tramas criminosas que envolvem o trio de protagonistas até a quantidade de retornos e referências a personagens da série e locações do primeiro filme. Nesse universo, todas as estradas levam para Las Vegas, que continua sendo a cidade perfeita para as ideias malucas dos roteiristas.

Entrevistas: elenco fala sobre Se Beber, Não Case – Parte III.

A alma dos filmes de Phillips continua sendo a atmosfera de fraternidade entre universitários bêbados e entusiasmados, e este longa acaba prestando uma boa homenagem ao melhor deles, o primeiro Se Beber.... Porém, ele é mais competente em ser um lembrete do que aquele filme fez do que em ser uma comédia boa por si só. Há mais risadas do que em Parte II, e não há a sensação de que o público está sendo insultado por uma reciclagem. Para quem ainda tem boas memórias do primeiro filme e não desistiu de Phillips depois de Se Beber II é interessante acompanhar o clima de festa de formatura desses “frat boys” – mas está na hora de parar, antes que a saga acabe se transformando em série de eventos bizarros que a maioria de nós vai querer esquecer.