Jon Stewart fala sobre o Nirvana com Krist Novoselic, Dave Grohl e Butch Vig

“Foi como se os Beatles tivessem ingerido o Black Flag”, disse Stewart sobre o disco Nevermind

Stacey Anderson Publicado em 27/09/2011, às 16h09 - Atualizado às 16h14

Butch Vig e Dave Grohl
Reprodução/Still

Vinte anos após o Nirvana ter lançado Nevermind, um disco definidor de gerações com energia hardcore e melodia pop, os integrantes sobreviventes do grupo Krist Novoselic, Dave Grohl e o produtor Butch Vig se reuniram em Nova York para um papo alegre e intimista mediado pelo apresentador do Daily Show, Jon Stewart. A transmissão “SiriusXM’s Town Hall with Nirvana”, feita ao vivo de um estúdio em Nova York no último sábado, 24, ofereceu uma nova visão sobre o processo criativo por trás do álbum, seu impacto no rock and roll e o vínculo intenso e artístico entre os punks de flanela, que tornaram tudo possível.

Cobrir as duas últimas décadas em duas horas foi um trabalho duro e Stewart deu o tom da noite ao relembrar entusiasticamente a primeira vez que ele ouviu Nevermind. “Eu não podia acreditar. Tinha tudo – ameaça sonora, melodia, urgência, ironia. Era como se os Beatles tivessem ingerido Black Flag”, disse ele, enquanto Novoselic, Grohl e Vig sorriam um para o outro.

Como a banda revelou, a gravação do álbum foi sucateada por uma forte ética de trabalho envolvida ao redor; com Kurt Cobain, a banda ensaiou o álbum regularmente por três meses e então fugiram para os velhos estúdios Sound City em Van Nuys, Califórnia, onde permaneceram por 16 dias. Gravaram ao vivo na mesma sala e apenas uma mudança de estúdio ocorreu quando Cobain, que ficou tão frustrado durante a gravação de “Lithium”, se lançou na jam desajustada que se tornaria a faixa secreta de Nevermind, “Endless, Nameless” e quebrou sua guitarra. “Kurt poderia ser realmente maduro e amável, mas então poderia mudar e ficar realmente intenso”, disse Novoselic. “Isso é muito sobre o que Nevermind e a música do Nirvana é: A intensidade de Kurt capturada.”

As sessões de Nevermind foram rigidamente focadas e o tempo de inatividade foi inversamente proporcional: a cada noite, a banda ia para a praia, freqüentava uma loja de bebidas com um palhaço sinistro na entrada e negligenciava o estúdio. “Há uma crença popular de que a banda viajou com essa nuvem negra sobre nossas cabeças o tempo todo, mas não era dessa maneira”, disse Grohl.

Vig relembra uma das sessões de mixagem. “Estávamos encantados pelo fato de Ozzy Osbourne estar em um estúdio próximo à gente. Nós ficávamos fora do estúdio e ouvíamos enquanto ele cantava”, disse Vig, antes de Grohl terminar a frase: “Então uma vez, nós ficamos doidões em nosso hotel e escrevemos OZZY em nossos dedos. Eu estava jogando sinuca com Kurt quando Ozzy entrou, nos olhou estranhamente e saiu, então nos demos conta que tínhamos OZZY escrito em nossos dedos. Foi embaraçoso pra caralho.”

Muitos fãs no estudio perguntaram como o Nirvana pavimentou o papel de validadores mainstream da cena grunge de Seattle e da música contracultural em geral. Novoselic descreveu seus sonhos de ansiedade após o lançamento do clipe de “Smells Like Teen Spirit” (a história incluía alguma nudez gratuita, que Stewart cortou habilmente), e então refletiu, “Nós tinhamos essa atitude em relação ao mainstream que talvez não fosse pra gente, e nós sentimos outsiders. Então, de repente, nós éramos a banda número um do mundo, e puxamos as pessoas. Nós tínhamos de reconciliar isso.”

Nos últimos minutos da entrevista, Stewart guiou a banda para um momento solene para Cobain. “Lembrem de Kurt Cobain. Eu gostaria que Kurt estivesse aqui”, disse Novoselic. “Há um grande buraco. Para mim, [a morte de Kurt] foi muito real, foi como: ‘Não, não vou viver. É isso que eu vou fazer’.”

“Eu tive a mesma reação”, completou Grohl. “Eu lembro do dia após a morte de Kurt, acordando e pensando: ‘Nossa, eu acordei de novo? Ok. Você tem de fazer o melhor com o que tem’.”

“Town Hall with Nirvana” ainda focou nos muitos bateristas que precederam Grohl, as farpas com o Guns N’ Roses e a gravação “I Should Have Known”, do último disco do Foo Fighters, Wasting Light, que contou com a participação de Novoselic, Grohl e Vig.

Assista abaixo a um trecho da entrevista: