Ke$ha prova que é boa ao vivo

Show da estrelinha norte-americana em São Paulo empolga o público e mostra uma performer versátil e irreverente

Fabian Chacur Publicado em 29/09/2011, às 10h39 - Atualizado às 13h58

Ke$ha empolgou público em show em São Paulo
Foto: Stephan Solon

Desde que ouvi pela primeira vez a música “Tik Tok”, fiquei com a impressão de que valia a pena ficar de olho em sua autora e intérprete, a norte-americana Ke$ha. O hit certeiro me pegou o público ianque e o de diversos outros países logo de cara. “Tik Tok” foi usada até como abertura de um episódio dos mitológicos The Simpsons em maio de 2010. Até agora, valeu a pena ficar na cola da loirinha rebelde, que havia aparecido anteriormente no controvertido clipe de “I Kissed a Girl”, de Katy Perry, além de trabalhar e compor para artistas como Britney Spears, Paris Hilton e Flo Rida, entre outros.

Os discos que lançou até o momento foram o álbum Animal e o EP Cannibal, ótimos flagrantes do momento inicial da carreira solo da moça, que hoje tem 24 anos. E com essa mesma idade, Madonna nos tinha oferecido muito menos...

Faltava conferir um show para sentir mais de perto o potencial de Ke$ha. Não falta mais. O desempenho da estrela na noite desta quarta-feira, 28, levou o ótimo público que quase lotou a Via Funchal em São Paulo à loucura, mesmo com uma equalização sonora não muito favorável à sua voz.

A festa começou com a explosiva faixa “Sleazy”, que por sinal inspirou o nome desta que é a primeira turnê solo da cantora, Get $leazy Tour. Em questão de segundos, a adorável maluquinha entrou no palco vestida de viajante espacial.

Durante os aproximadamente 70 minutos de show, Ke$ha bebeu cerveja e cuspiu na plateia, jogou papeis coloridos nos fãs, flertou de forma sensual com os músicos, tocou instrumentos de percussão, vestiu uma camiseta colada no corpo com a estampa da bandeira americana, quebrou uma guitarra e deu um salto mortal, entre outras coisas.

Acompanhada por bons músicos e bailarinos, a cantora esbanjou atitude, presença de palco e capacidade de dialogar com o público presente, no qual predominavam garotas adolescentes copiando o visual da Ke$ha, com direito a shorts e saias curtinhas, camisetas, tênis, glitter e caras pintadas. E muita energia para pular o tempo todo com o som que vinha do palco.

O interessante do repertório autoral de Ke$ha é que as músicas não soam idênticas umas às outras, com direito a boas misturas de rock pesado, eletro, pop e diversas variações de dance music. Lógico que os músicos também se valem de elementos pré-programados em suas performances, mas quem não usa esse recurso nessa praia? E Ke$ha canta de verdade, mostrando que tem potencial para muito mais em um futuro não muito distante.

Após performance impecável no hit “Tik Tok”, que encerrou o show, Ke$ha e sua trupe voltaram para mais duas, a excelente “We R Who We R” e o cover de “Fight For Your Right To Party”, hit dos Beastie Boys nos anos 80, na qual a moça que escova os dentes com whisky soltou a franga de vez no palco. Provavelmente, consciente da missão cumprida.

Reza a lenda que a cantora nascida em 1º de março de 1987 entrou na casa de Prince querendo que ele produzisse seu disco de estreia. Sua Eminência Púrpura recusou a missão. Será que ele se arrependeu?

Nesta quinta, 29, Ke$ha se apresenta no Rock in Rio.