Ladytron faz primeiro show aberto ao público do Cine Joia

Apresentação acontecerá nesta quinta, 17, na nova casa de shows de São Paulo; leia entrevista com o tecladista, guitarrista e vocalista Daniel Hunt

Stella Rodrigues Publicado em 17/11/2011, às 14h32 - Atualizado às 15h46

Ladytron
Foto: Reprodução/Facebook oficial

Liberdade: bairro de São Paulo onde se come comida oriental, canta hits bregas a plenos pulmões e, agora, se ouve também boa música. É lá onde fica o recém-inaugurado Cine Joia, mais nova casa de shows da cidade, que abriu na última sexta, 11, mas terá sua primeira atração aberta ao público nesta quinta, 17. O responsável por estrear o palco do lugar que antigamente abrigava um cinema é o Ladytron, grupo de new wave e electro pop liderado por Daniel Hunt, tecladista, guitarrista, vocalista e um dos responsáveis pelo sintetizador.

A banda retorna ao país para tocar também no Rio de janeiro (18/11, no Vivo Rio) e Belo Horizonte (19/11, Grande Teatro Do Palacio Das Artes). Além disso, Hunt aproveitou a vinda ao Brasil para se casar com a noiva, que é de São Paulo, cidade onde tem passado bastante tempo.

Daniel, que também é um investidor da vida noturna, sendo dono de balada na sua Inglaterra natal, não poderia estar mais feliz de participar do debute do Cine Joia. “Estou a par deste projeto há algum tempo, o Facundo [Guerra, um dos sócios do lugar] me falou a respeito no ano passado. O ambiente é magnífico e o fato de ser localizado no centro fará uma grande diferença, será uma casa-chave no circuito global. Eu amo o histórico do prédio, é raro que novos locais de shows venham já de nascença com tanta personalidade e sejam tão ímpares.”

No Ladytron, banda formada pela improvável mistura de uma geneticista (Mira Aroyo, vocais e sintetizadores), uma acadêmica formada em música pop (Helen Marnie, vocalista principal e que também mexe no sintetizador) e um bem-sucedido designer (Reuben Wu, produtor, tecladista e compositor), Daniel entra no projeto com a sua “perspectiva Daniel”, conforme define. Ele conta que, quando eles começaram, não eram músicos comuns, o que ajudou a grupo a se tornar igualmente único, perseguindo essa qualidade de singularidade que o artista tanto aprecia. “Isso nos ajudou a progredir”, afirma.

Eles progrediram tanto que Gravity the Seducer, de 2011, o disco mais recente do Ladytron, foi o álbum do grupo, dentre todos os lançados, que chegou mais alto nas paradas do Reino Unido. “É nosso melhor trabalho”, argumenta Daniel. “Os integrantes da banda e nossos amigos concordam com isso e, talvez, o público também ache isso. Para ser honesto, o Reino Unido, apesar de ser o país onde nascemos, nunca foi nosso foco. Sempre encaramos tudo isso com um olhar internacional.”

A associação comum do trabalho da banda à década de 80 é algo que incomoda o músico desde o início da carreira. Em 2002, Daniel deu uma entrevista à Rolling Stone EUA na qual dizia que “não queria que a música do Ladytron lembrasse as pessoas de nada”. “Isso era uma resposta à concepção errada de que estávamos intencionalmente tentando reviver algo, o que nunca foi o caso”, explica. “Olhando agora para trás, para nossos cinco álbuns, acho que fomos bem-sucedidos nisso, de forma que talvez não fosse aparente para quem observasse naquela época.”

Atualmente a banda conta com um novo investimento - composições para filmes. A lista de faixas do Ladytron que entraram para a trilha de longas, videogames e programas de TV é comprida e variada. A faixa “Destroy Everything You Touch”, por exemplo, pode ser ouvida em cenas do documentário The September Issue e dos filmes Mammoth, One Missed Call, Smiley Face e, ainda, no jogo 2006 FIFA World Cup Ainda nos games, ano passado, "Ace of Hz" integrou FIFA 2011. Embora eles estejam abertos a todos esses veículos, a sétima arte tem tido atenção especial. "É no cinema que estamos focando mais ultimamente”, diz Hunt.

Ladytron no Cine Joia

17 de novembro

Abertura: Boss in Drama

R$ 100

Vendas online: www.cinejoia.tv