Lollapalooza 2015: sem reverenciar Charlie Brown Jr., Bula encara público diminuto com show morno

Trio foi a primeira atração do palco Onix neste sábado, 28

Lucas Brêda Publicado em 28/03/2015, às 14h56 - Atualizado às 16h40

Bula no palco Onix do Lollapalooza Brasil 2015

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Escalado para abrir o palco Onix no primeiro dia de Lollapalooza Brasil 2015, o trio de ex-integrantes do Charlie Brown Jr., o Bula, encarou um público diminuto ao apresentar as músicas do disco de estreia da banda, Não Estamos Sozinhos, lançado no fim do ano passado.

Edição 70 (capa) – Vivendo no limite e buscando incessantemente respostas, Chorão alcançou o sucesso, colecionou fãs e propagou mensagens.

O grupo subiu ao palco já perto das 13h, mas, apesar do horário, o sol não era forte e um vento tornou a atmosfera agradável no ambiente mais distante das outras atividades do festival. Vestindo uma camisa xadrez e um colete, o vocalista e guitarrista Marcão puxou as diversas faixas do trio com temas prosaicos e jovens, como “Ela Nasceu Pra Mim” (“Não é questão de sorte, ela nasceu pra mim”, cantou ele).

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Como uma forma de deixar para trás a sombra da ex-banda, o Bula abriu mão das homenagens e citações aos companheiros que os deixaram recentemente – Chorão, há dois anos, e Champignon, há um ano e meio –, e sequer incluíram canções do Charlie Brown Jr. no repertório.

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Além de Marcão, virtuoso guitarrista, o baterista Pinguim e a baixista Lena Papini chegaram a empolgar com as passagens instrumentais, mas a apresentação demorou a crescer. Nem “O Sol Dela Brilhou”, em rotação nas rádios de rock, foi suficiente para tirar a plateia da inércia (a indiferença era percebida com o silêncio monótono ao fim de cada música).

Como vocalista, Marcão nem demonstra personalidade nem compromete o resultado final. Como frontman, contudo, ele se esforça para chamar o público a participar. O Bula ainda emendou a balada “Em Algum Lugar” com “Só na Contabilidade”, e seguiu para a parte final com “Não Estamos Sozinhos” – com inserções de DJ –, “Dilemas” e a pegajosa “Duas Caras”.

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Deixando de lado os versos em hip-hop e os arranjos de ska – e focando em riffs roqueiros e no baixo inquieto e altíssimo de Lena –, o Bula tem sucesso ao se afastar do “fantasma” do Charlie Brown Jr. O trio, contudo, ainda passa muito longe de reverberar no público como a banda de Chorão. Prova disso é o encerramento da apresentação, quando a distribuição das palhetas de Marcão foi mais celebradas do que qualquer música do repertório.