Lollapalooza 2016: Aos 21 anos, a norte-americana Halsey é uma das novidades promissoras no line-up do festival

"Se for possível resumir minha carreira em um título caça-cliques de internet, eu fiz algo errado", diz

PAULA MEJIA Publicado em 11/03/2016, às 19h51 - Atualizado às 20h08

Halsey: jovem e ousada.
RICH FURY/INVISION/AP

A história de origem da norte-americana Halsey segue uma narrativa que tem começado a se tornar o padrão no pop moderno. Covers no YouTube que levaram a material original no SoundCloud; muitos seguidores online; um acordo de gravação de disco e a promessa de sucesso fora da internet; e, então, a escalação para grandes festivais nacionais e internacionais, incluindo, agora, o Lollapalooza Brasil.

Ainda assim, a compositora de 21 anos é, sem dúvida, uma voz única. Estrela nas redes socais, Halsey escreve faixas honestas “sobre sexo e sobre estar triste”. Onze dessas canções estão no trabalho de estreia dela, Badlands (2015), cujo repertório servirá de base para a apresentação no Brasil. “Acho que escrevo muito sobre isolamento, porque eu componho sobre aquilo que mais me dá medo. E o que mais temo é estar sozinha”, define.

"Tive depressão pós-parto quando terminei meu álbum", brinca. "Estava com todos os sintomas. De repente, deixei de estar em estúdio todos os dias com as pessoas que amo, compartilhando um objetivo em comum, uma obsessão. Tinha mudado para um apartamento novo em Los Angeles quando comecei o disco. Não tinha móveis. As paredes estavam cobertas de recortes de jornal e com as músicas que íamos manter ou cortar, era como uma instalação artística no MoMA [Museu de Arte Moderna]: 'É assim a casa de um serial killer! É em um lugar como esse que mora um sociopata!'" Todo santo dia tínhamos o mesmo objetivo, e finalmente tínhamos alcançado aquilo. Finalmente encerramos e aí eu fiquei sentada por três meses esperando sair. Fiquei pensando se as pessoas iam gostar. Fiquei grávida de um disco por meses, pari e entreguei para o mundo", analisa. "Foi apavorante."

Halsey, que é um anagrama para "Ashley", é tanto um projeto como um alter ego que abraça as complexidades da personalidade da cantora. "Não quero ser a 'Halsey: queridinha da América' ou a 'Halsey: menina má'", conta ela. "Se for possível resumir minha carreira em um título caça-cliques de internet, eu fiz algo errado."