Seguindo em frente

Integrantes do Lynyrd Skynyrd falam sobre a atual fase da banda e os obstáculos vividos nos anos 70

Patrícia Colombo Publicado em 14/11/2011, às 18h48 - Atualizado às 19h39

Lynyrd Skynyrd
Foto: Willian Aguiar/Divulgação

O Lynyrd Skynyrd foi uma das atrações do SWU, apresentando-se pela primeira vez no Brasil, em mais de 40 anos de carreira, neste domingo, 13. O show priorizou os álbuns setentistas do grupo e presenteou os fãs com os dois grandes clássicos “Sweet Home Alabama” e “Free Bird”. “Sempre quisemos vir ao Brasil, mas nunca tínhamos tido a oportunidade”, contou o único integrante original do grupo, o guitarrista Gary Rossington, à Rolling Stone Brasil no backstage antes da apresentação. “Estamos amando estar aqui e esperamos voltar mais vezes. Talvez até tocar no Rock in Rio.”

A história do Lynyrd Skynyrd é conhecida: a banda de Jacksonville, Flórida, estourou no início dos anos 70 com seu southern rock, mas um trágico acidente de avião em 1977 matou o vocalista Ronnie Van Zant e o guitarrista Steve Gaines (entre outros integrantes da equipe técnica do grupo). Rossington ficou seriamente ferido, mas sobreviveu ao impacto, voltando a tocar anos depois. “Acho que o motivo dos momentos ruins é justamente você poder se levantar depois e seguir em frente”, argumenta. “Nessa nossa fase atual, tentamos manter a música e o legado da banda vivos.” Atualmente, quem comanda os vocais é o irmão mais novo de Ronnie, Johnny Van Zant. Rickey Medlocke, que havia tocado no Lynyrd Skynyrd em 1970, também faz parte da atual formação.

“Tenho lembranças maravilhosas daquela época [antes do acidente]. Estávamos no topo do mundo, éramos jovens, tínhamos nossos 20 e poucos anos, tudo era novo e empolgante. Era uma boa época”, relembra o guitarrista. Jonnhy, hoje com 51 anos, era garoto quando o Lynyrd Skynyrd estava em seu auge, mas guarda na memória as experiências vivenciadas junto a seu irmão mais velho. “Crescer com eles e vê-los começando a ter sucesso foi demais. Foram bons momentos para mim, sob o ponto de vista de alguém de fora”, diz. “O Lynyrd Skynyrd sempre compôs músicas para trabalhadores e as pessoas se identificam. E é muito legal ver pais passando a nossa música para seus filhos. Acho que boas canções ficam para sempre e o Skynyrd tem duas: ‘Free Bird’ e ‘Sweet Home Alabama’”.

Um dos pontos controversos da banda é a relação dela com a bandeira dos Estados Confederados da América (da Guerra Civil norte-americana) – alguns fãs, aliás, marcam presença nos shows, como aconteceu no SWU, carregando o item -, o que não é visto com bons olhos por muitos norte-americanos devido ao carater escravocrata comumente relacionado ao símbolo. Os músicos, contudo, dizem que, para eles, apenas se trata de um patriotismo sulista. “As pessoas raptaram a bandeira – a Ku Klux Klan, alguns Skinheads -, mas não usamos para ser racistas, apenas homenagear o lugar de onde viemos, sem significar outra coisa”, garante Gary. “Como poderíamos ser racistas? Amamos Ray Charles, Marvin Gaye. Mas não temos vergonha de sermos do sul”, diz Van Zant.

Álbum de inéditas

Ainda na conversa, os simpáticos integrantes adiantaram que já estão trabalhando em um álbum de inéditas que deve sair em 2012, sucedendo o lançamento de God & Guns. “Começamos a trabalhar no novo disco recentemente e estamos compondo as faixas”, disse Medlocke. “Em janeiro daremos início à pré-produção, então provavelmente lançaremos no ano que vem.”