Marc Ecko, o homem da "marca do rinoceronte", fala à RS Brasil

"SPFW é melhor que a semana de moda de Nova York", afirma o estilista, que veio ao país para conhecer Alexandre Herchcovitch e a primeira turma brasileira do Design For Life, seu projeto social

Por Anna Virginia Balloussier Publicado em 02/07/2009, às 17h47

O ano é 1993 e Marc Ecko não consegue sossegar. Ele acabou de fundar a grife Marc Ecko Unltd., que nos próximos anos se transformará em um império da moda urbana, popularizado por "embaixadores" como Jay-Z e Sean "Diddy" Combs. O problema é que este grafiteiro norte-americano não faz a mínima ideia de qual será o logo de seu novo empreendimento.

Passados 16 anos, ele vem pela primeira vez ao Brasil e está na São Paulo Fashion Week, especialmente para assistir ao desfile da coleção masculina de Alexandre Herchcovitch, na segunda, 22. Questionado a respeito pela reportagem do site da Rolling Stone Brasil, Ecko ri ao se lembrar de como foi escolher o rinoceronte como símbolo de sua marca.

Estamos falando de um mamífero que não sabe andar para trás - só consegue seguir adiante. "E é meio atrapalhado, como eu", diverte-se. "Não sabia pelo que optar. Todos os logos estavam usando grafite. Fui na casa do meu pai, e ele tinha essas esculturas de rinocerontes. Aí comecei a refletir: 'Taí um animal interessante'. Não é nada lógico. E, se você pensar bem, não tem nada a ver com a cultura de rua, que também não é muito lógica. É tudo não-lógico."

A RS Brasil falou com Ecko em dois momentos: minutos antes do desfile de Herchcovitch começar e logo após norte-americano e brasileiro se encontrarem pela primeira vez. O discurso inicial era de que o colega "obviamente tem um senso de streetwear". Voltou do backstage com mais elogios: "Ele é o cara!".

Este é um homem capaz de sintetizar a imagem do país "em uma mulher seminua que vi na TV, quando jovem" e, em seguida, falar entusiasmadamente sobre seu projeto social, Design For Life, que ganhou versão brasileira em parceria com a ONG Cidade Escola Aprendiz e o Istituto Europeo di Design (IED) - a primeira turma, que instruirá jovens brasileiros na manha do design, começou em março. Às vezes, Ecko faz o tipo bobão ("como vim parar no Brasil? De avião!"). Mas, quando fala de negócios, logo se sabe que não está para brincadeira.

Os planos para o Brasil não são tímidos. Por ora, o país tem uma loja da Ecko Unltd., recém-inaugurada em Campos do Jordão, além de inúmeras multimarcas que revendem as roupas da grife. Para os próximos cinco anos, o estilista pretende expandir esse número para até 40 estabelecimentos. A ligação com o país, na verdade, vai muito além da tal senhora de peitos de fora que um dia deslumbrou o adolescente Marc. Ele é amigo de Otavio e Gustavo Pandolfo,os Gêmeos - grafiteiros paulistas de fama internacional. Com os irmãos, produziu o videogame Getting Up, há três anos, baseado no personagem de um grafiteiro amador.

Pode ser papo de recém-apaixonado, mas Ecko acha que a SPFW dá um pau na Mercedes-Benz Fashion Week, a semana de moda nova-iorquina. "Lá, é só um grande patrocinador. Vocês têm vários, e levam apenas 20 dias para construir tudo isto - e mais artisticamente. Além do quê, olha para este espaço!", elogia, interessado pelo interior do Pavilhão da Bienal, projetado por um tal de Oscar Niemeyer.