Matt & Kim faz o melhor show da primeira noite do Popload Gig

Duo fez festa com simpatia e boa música; festival teve folk do Holger e powerpop barulheto do No Age

Por Adriana Douglas Publicado em 07/06/2009, às 17h08

Matt, da dupla Matt & Kim, comandou o melhor show da primeira noite do Popload Gig

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O propósito de apresentar grupos de fora do mainstream funcionou em alto e bom som na primeira noite do festival Popload Gig, neste sábado, 6. A mini-maratona indie paulistana, no clube Clash, teve performances dos brasileiros da banda Holger e dos duos norte-americanos No Age e Matt & Kim.

Às 20h, horário marcado para início dos trabalhos, era possível contar nos dedos o número de pessoas no local. Depois de 20 minutos, o Holger surgiu timidamente à frente da plateia, anunciando que era hora de começar.

Entre a empolgação de estar ali e a vontade de tocar o que sabe, o quinteto assumiu as honras do festival e mostrou que tinha todo o mérito de ser uma das atrações do line-up. A rápida meia hora foi insuficiente para a versatilidade dos integrantes, que se revezavam em todos os instrumentos, entoando faixas com pitadas de folk. Entre os destaques,"Brand New T-Shirt", "Nelson" e "The Auction". Cantadas em inglês - como todas as outras -, as faixas chegam a lembrar o Pavement. Quando o público começou a ficar mais volumoso, a banda teve de deixar o palco.

Efeito surdez

Sai Holger, entra o power-pop-punk do No Age. Aparentemente desconhecida da maioria, a dupla - Randy Randall (guitarra) e Dean Spunt (bateria e vocais) - chegou com som ensurdecedor de guitarra, desfazendo o clima de calmaria deixado pelo Holger. A ideia era fazer barulho, sem dó, nem piedade dos ouvidos alheios.

Spunt parecia por vezes possesso por algum demônio musical. Caras e bocas exageradas e uma capa preta compunham o visual do músico; enquanto isso, Randall mantinha-se ocupado com a guitarra, ficando quase nulo frente às estripulias faciais do companheiro. As poucas partes cantadas eram praticamente inaudíveis. Entre as faixas de Nouns, segundo e último disco (lançado em 2008 pela Sub Pop, gravadora ícone do grunge), "Teen Creeps", um exemplo da veia barulhenta da dupla.

Sons dos mais diversos tipos eram entoados por Spunt, que interagiu com a plateia algumas vezes. A intensidade com que tocavam as curtas músicas era suficiente para impressionar os presentes, que entraram na onda do som pesado, agitando o corpo ao ritmo das músicas, quase sem piscar os olhos.

Para encerrar os cerca de 50 minutos de show, o guitarrista sobe em uma das altas caixas de som, enquanto o vocalista vai até a grade da plateia e se junta aos espectadores. Agrado feito, a dupla deixa o palco após dar o último acorde de mais uma faixa ensurdecedora.

"De estourar os miolos"

Antes mesmo de começar o último show da noite, a baterista da dupla Matt & Kim já era exaltada pela plateia quando se ocupava da arrumação dos equipamentos no palco. Esbanjando simpatia, Kim não tirava o sorriso do rosto. Essa era apenas uma amostra do que seria sua apresentação.

Às 22h20, o duo é anunciado em projetores da casa lotada (cerca de 400 pessoas). A moça se junta aos bumbos e pratos e Matt se senta à frente do teclado. "É noite de sábado, vamos agitar isso aqui", avisa o vocalista, já ao som energético da bateria de Kim.

Enquanto o público provava conhecer boa parte das faixas, a dupla de Brooklyn, Nova York, se deliciava com o reconhecimento e não poupava agradecimentos, disparando vários "obrigado". De presente para a plateia, "Yea Yeah" e "Silver Tiles", duas provas de que a dupla sobrevive muito bem sem um guitarrista.

Matt, que em entrevista a este site, afirmou que "não importa qual o seu sentimento no palco, desde que ele seja verdadeiro", era só simpatia aos paulistanos. A certa altura, ele pediu que Kim desse um recado - que acabaria resumindo o espírito do festival. "É por vocês estarem aqui, apoiando bandas novas, que podemos fazer o que fazemos. E o fato de ter tanta gente aqui, é de estourar meus miolos", disse emocionada e meio sem jeito, enquanto o parceiro arriscava mandar beijos para o público.

A dupla transformou o local em uma grande festa, sem poses ou figurino, apenas diversão. Kim aproveitou o clima para dar um mosh, ganhando um pequeno passeio por cima das mãos dos espectadores.

A sintonia e emoção entre os dois parecia não ter fim. Matt pede para os organizadores acenderem as luzes da casa para enxergar o público, porque não conseguia acreditar que estava "do outro lado do mundo", com pessoas cantando suas músicas. Quando as vê, lança ainda mais elogios e continua o show, com direito a trecho da intro de "The Final Countdown", do Europe.

Para encerrar com excelência a noitada, "Day Light" (trilha de comercial de uma marca de bebidas) foi a escolhida. De longe uma das mais conhecidas do público, a música empolgou ainda mais quem estava na pista. Ao final dos 40 minutos de show, era impossível não aplaudir Matt e Kim, que acabaram retribuindo a admiração com abraços e uma rápida conversa com os que estavam na grade que os separava da plateia.

O Popload Gig continua neste domingo, 7, com shows da banda escocesa The View e dos capixabas da Mickey Gang.