Médico diz em carta que história de Bowie ajudou outro paciente a encarar a morte

Filho do cantor, Duncan Jones compartilhou a carta no Twitter

Redação Publicado em 18/01/2016, às 12h25 - Atualizado às 17h12

Imagem registrada na última sessão de fotos da vida de David Bowie
Jimmy King/Divulgação

Neste domingo, 17, Duncan Jones, filho de David Bowie, quebrou o silêncio no Twitter compartilhando a carta do Dr. Mark Taubert, que conta como a história do músico ajudou um paciente a aceitar a morte.

"No começo dessa semana, tive uma conversa com um paciente em seus últimos dias de vida. Discutimos a morte e a música de Bowie e isso nos ajudou a falar sobre vários assuntos pesados, o que nem sempre é fácil de discutir com alguém que enfrenta a própria morte", escreve o médico. "Na verdade, a história do artista se tornou uma maneira de nos comunicar muito abertamente sobre o assunto, algo que muitos médicos e enfermeiros lutam para introduzir como tema de conversa."

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Taubert diz também que o câncer de Bowie impactou diretamente as pessoas com quem trabalha. "O fato de você ter escolhido uma morte em casa tão próximo do lançamento do seu álbum, com uma mensagem de adeus, dificilmente é coincidência. Tudo isso foi cuidadosamente planejado para se tornar um trabalho de morte artística. Para mim, 'Lazarus' é muito profundo e muitas das cenas podem significar coisas diferentes para todos nós; para mim é sobre lidar com o passado quando você precisa encarar o inevitável", pontua.

O médico britânico, que trabalha para a instituição de caridade Marie Curie, diz ainda que a familiaridade que tem com o assunto ajuda a perceber que o músico se preparou para os momentos mais difíceis na luta de 18 meses contra a doença. "Muitos de nós acreditamos que a morte acontece nos hospitais, em situações muito clínicas, mas eu presumo que você escolheu a sua casa com alguns detalhes, um de nossos objetivos nos cuidados paliativos. Muitos de nós gostaríamos de vestir um terno alinhado da mesma forma que você vestiu nas imagens que disseram ser de suas últimas semanas". A carta de Taubert foi compartilhada mais de quatro mil vezes no Facebook.