Metal alternativo

Muse lota casa de shows em SP com mistura de gêneros do rock

Por Bruna Veloso Publicado em 01/08/2008, às 10h03 - Atualizado às 13h25

Matt Bellamy domina o público à frente do Muse, em São Paulo
Rafael Beck

Riffs de rock pesado, estilo e elementos indies e letras que passam pelo épico, romântico e sobrenatural: o Muse juntou elementos de várias vertentes do rock e criou um estilo que agrada alternativos que têm um pé no heavy metal, metaleiros que se rendem a sons mais brandos e meninas que gostam de vocais em falsete.

Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard criaram o embrião do Muse por volta dos 13 anos de idade. Quase dez anos depois de seu debut fonográfico (Showbiz, de 1999), a banda está no Brasil pela primeira vez com a turnê de H.A.A.R.P., CD e DVD ao vivo lançados no início deste ano. O repertório traz parte das músicas que foram tocadas no estádio de Wembley, nos dois shows que deram origem ao álbum.

Os ingleses abriram a apresentação em São Paulo com "Knights of Cydonia", com direito a "Oh oh oh" da platéia - um coro a la "Fear of the Dark", de Bruce Dickinson e seu Iron Maiden. "Hysteria" comprovou a força dos pulmões do público - e a partir daí, a cada introdução os fãs gritavam e levantavam as mãos, como se agradecessem o fato de estar ali. Garotos e garotas com cabelos propositalmente desarrumados, camisas listradas e óculos de armação grossa se misturavam a um sem número de pessoas com camisetas da banda.

Veja aqui trechos do show na capital.

O Muse abusa de distorções no baixo e na guitarra - o som é tão pesado que às vezes fica difícil acreditar que o palco é ocupado por apenas quatro pessoas (um tecladista acompanha a turnê do trio). Os riffs e solos parecem ser executados sem esforço por Matt, que faz caras e bocas e se ajoelha no palco como um guitar hero. Mas quando o trio se rende inteiramente às suas influências mais pesadas e resolve se prolongar em sessões instrumentais, a barulheira que sai da guitarra chega a incomodar os que admiram a banda por conta da suavidade vocal do frontman.

A casa estava cheia, e parte do público à direita do palco tentava, de tempos em tempos, se mover por entre a massa para ver de perto o vocalista, do lado oposto - os telões laterais ficaram desligados durante todo o show; o telão localizado atrás da banda mostrava trechos de letras ou imagens coloridas.

A platéia inteira cantou "Supermassive Black Hole" com o baixista, no backing vocal - e dançou com o riff pegajoso da música. Ao final da faixa seguinte, "Butterflies and Hurricanes", uma explosão à frente do palco sinalizou a quedinha que Matt e Cia. têm pela pompa do hard rock oitentista.

Matt mostrou sua versão de "Feeling Good" (composição de Anthony Newley e Leslie Bricusse que virou sucesso na voz de Nina Simone) ao piano - a leveza do som das teclas foi um descanso para os ouvidos. Seguindo com o momento "calmo" do show, o grupo lançou a introdução marcial e a letra quase emo de "Invincible" (dos versos "faça seus sonhos se tornarem realidade/não desista da luta" e do refrão "e hoje à noite nós podemos verdadeiramente dizer que juntos somos invencíveis").

Antes de sair do palco, tocaram "Plug in Baby". Balões gigantes cheios de papel picotado foram jogados no público que, às cotoveladas e empurrões, fazia o possível para tocar nas bolas cheias de ar. Aos gritos de "Muse", a banda voltou com "Stockholm Syndrome" - para a satisfação da maioria, prolongaram a música em distorções intermináveis, enquanto Matt levou a guitarra às costas e fez a alegria dos headbangers alternativos, antes de fechar a apresentação de pouco menos de 90 minutos com "Take a Bow".