Morre Leonard Cohen

O poeta, cantor e compositor tinha 82 anos

Rolling Stone EUA Publicado em 11/11/2016, às 00h23 - Atualizado às 19h17

O músico Leonard Cohen
Kai-Uwe/AP

Atualizado às 19h13 do dia 11 de novembro de 2016

Embora tenha sido divulgado que Cohen morreu na quinta-feira, 10, a Sony Music Canada confirmou que a morte aconteceu na segunda, 7.

O poeta, cantor e compositor Leonard Cohen morreu na última segunda, 7, aos 82 anos. A morte foi confirmada pela Sony Music Canada, selo do músico, por meio da página dele no Facebook.

"É com profunda tristeza que relatamos que morreu o lendário poeta, compositor e artista Leonard Cohen. Perdemos um dos mais venerados e prolíficos visionários da música. Uma missa ocorrerá em Los Angeles em uma data a ser divulgada. A família pede privacidade durante seu período de luto", diz o comunicado.

Cohen ascendeu nos anos 1960, em meio a uma cena de influentes cantores e compositores folk, como Bob Dylan, Paul Simon e Joni Mitchell. Com seu barítono reverberante, o canadense oriundo de Westmount, Québec, cantou sobre temas como amor, sexo, fé, espiritualidade, guerra, paz, êxtase e depressão. O último álbum de inéditas dele, You Want It Darker, foi lançado em 21 de outubro deste ano.

Nascido em 21 de setembro de 1934, o músico aprendeu a tocar violão quando era adolescente e chegou a formar um grupo de música folk chamado Bucksin Boys. Influenciado pelo escritor espanhol Federico Garcia Lorca, passou a se dedicar à poesia e escrita. Após se formar na McGill University, mudou-se para a ilha grega de Hidra, onde comprou uma casa por U$ 1,5 mil. Enquanto vivia em Hidra, Cohen publicou a coletânea de poemas Flores Para Hitler (1964) e os romances A Brincadeira Favorita (1963) e Belos Perdedores (1966).

Frustrado pelo fracasso das vendas dos livros, o cantor foi para Nova York em 1966 a fim de investigar a efervescente cena musical folk da cidade. Por lá, conheceu a cantora Judy Collins, que interpretaria algumas das canções dele no álbum In My Life, incluindo o hit “Suzanne”. Rapidamente, Cohen se tornou um dos compositores favoritos de gente como Judy, James Taylor, Willie Nelson, entre outros.

Nos anos 1970, deu início à primeira de muitas extensas turnês mundiais. “Uma das únicas razões para eu sair em turnê é conhecer gente nova”, disse à Rolling Stone EUA em 1971. “Eu considero isso como uma missão de reconhecimento. É como se eu estivesse em uma operação militar. Eu não me sinto como um cidadão.”

A relação de Cohen com Suzanne Elrod durante a década de 1970 resultou em duas crianças: o fotógrafo Lorca Cohen e Adam Cohen, líder do grupo Low Millions. O canadense ainda se envolveu romanticamente com as backing vocals Laura Branigan, Sharon Robinson, Anjani Thomas e Jennifer Warnes, com quem chegou a compor e produzir posteriormente.

Em 1995, Cohen fez uma pausa na carreira. Naquele ano, ele se tornou um monge budista e adotou o nome Jikan (“silêncio”). Foi somente em 2001 que ele quebrou o jejum musical com o álbum Ten New Songs, uma colaboração com a cantora Sharon. Embora nunca tenha abandonado o judaísmo, ele justificou a adoção da filosofia budista como uma maneira de tratar os recorrentes episódios depressivos pelos quais passava.

O ato final da carreira de Cohen começou em 2005, quando Lorca passou a desconfiar que a agente de longa data do pai, Kelley Lynch, estava desviando dinheiro do fundo de aposentadoria do músico. De fato, Kelley roubou mais de U$ 5 milhões do intérprete. Para se recuperar, o cantor deu início a uma turnê de dimensões épicas, realizando cerca de 247 shows entre 2008 e 2010. Ele continuou a gravar, lançando Old Ideas (2012) e Pouplar Problems, que chegou às lojas norte-americanas um dia depois de completar 80 anos.