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Les Paul, pioneiro da guitarra elétrica, morre aos 94 anos

Idealizador do modelo mais famoso das guitarras Gibson revolucionou a música em várias frentes: também esteve por trás de métodos como multitrack e overdub

Da redação Publicado em 13/08/2009, às 22h53

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Les Paul, que deu à música novos rumos como um dos pioneiros na invenção da guitarra elétrica, morreu nesta quinta, 13, aos 94 anos.

O comunicado foi dado pela Gibson Guitar (com retransmissão pela agência de notícias Associated Press), empresa que tem o modelo Gibson Les Paul como campeão de popularidade. Precursor também das gravações em multitrack (instrumentos captados separadamente e, então, combinados na mesma faixa), o guitarrista morreu de complicações de uma pneumonia, no White Plains Hospital, em Nova York.

O músico e inventor havia sido hospitalizado em fevereiro de 2006, após descobrir que ganharia dois Grammy por Les Paul & Friends: American Made, World Played, álbum realizado para comemorar suas nove décadas de vida. "Me sinto como um velho edifício com nova haste no topo", brincou à época.

Fagulha vital para o rock 'n' roll, a guitarra elétrica de corpo sólido que Les Paul (nascido Lester William Polfuss) idealizou data do final dos anos 30. Em 1941, o guitarrista, já afeiçoado ao meio do jazz e do country (gravou Bing Crosby e as Andrew Sisters, entre outros), criou o "the Log", um pedaço de madeira com dimensões 4x4, com cordas de aço. "Fui a uma casa noturna e toquei. Claro que todo mundo me tachou de louco", disse. Mais para frente, ele acrescentou as asas de madeira - o instrumento ganhou, assim, a forma tradicional de guitarra.

Na mesma época, Leo Fender (que, no dia 10 de agosto, completaria 100 anos de vida) também concebia sua versão do instrumento inovador.

Criada em 1952, a Gibson Les Paul ganhou ramificações e foi adotada por artistas de várias gerações, como Pete Townsend, Jimmy Page, Jeff Beck e Slash. A marca de guitarra, legado mais famoso do alquimista do som, conseguiu vender um modelo de 1955 por US$ 45,6 mil, em leilão na Christie's, há quatro anos. O instrumento, inclusive, serviu como molde para jogos como Guitar Hero.

A idealização do método multitrack também foi um empurrão para provocar "o fim do mundo musical como antes o conhecíamos". A revolução no meio se deu pela possibilidade de gravar, separadamente, diferentes partes de uma mesma música. Assim, os músicos ganharam a oportunidade de sincronizar a canção como bem entediam, sem precisar gravar tudo ao mesmo tempo. Atualmente, softwares de computador injetam ainda mais potência à inovação de Les Paul.

Em 1947, o músico entoou "Lover (When You're Near Me)" com auxílio de oito partes de guitarra, reunidas por multitrack - movimento revolucionário para a época.

Como músico, ele foi velho conhecido das paradas de sucesso, especialmente ao lado da mulher, Mary Ford, com quem formou a dupla responsável por 36 discos de ouro e 11 faixas nº 1 nas paradas, muitas com técnicas inventadas por ele. Algumas delas são "Vaya Con Dios", "How High the Moon", "Bye Bye Blues" e "Nola". Se os anos 50 foram gloriosos para o duo, a década seguinte seria mais amarga: eles se separaram em 1964, com interrupção da parceria musical.

De acordo com a Associated Press, Les Paul declarou que poderia "pegar minha Mary e fazer três, seis, nove, 12, quantas vozes eu desejasse" com suporte o método conhecido como "overdub". Exemplos clássicos do aplicativo estão nos Beatles (a partir de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band) e Queen ("Bohemian Rhapsody"), além de outra dupla famosa: Karen e Richard, os irmãos do The Carpenters.

"Hoje, um cara não conseguiria pensar em cantar uma música no palco sem microfone e sistema de som", Les Paul afirmou certa vez.

Confira a galeria de fotos montada pelo site da Rolling Stone EUA, com vários artistas (de B.B. King a Eddie Van Halen) empunhando sua Gibson Les Paul.