Naná Vasconcelos abre o carnaval do Recife com homenagem ao frevo

Ritmo foi celebrado pela Unesco como patrimônio da humanidade; percussionista também é homenageado

Pedro Antunes, do Recife Publicado em 08/02/2013, às 21h58 - Atualizado em 09/02/2013, às 18h49

Naná Vasconcelos
Marcelo Lyra/ Divulgação

Uma a uma, as dez nações do maracatu subiam a Avenida Rio Branco, que corta Recife velho ao meio e desemboca no Marco Zero, onde está localizado o palco principal da primeira noite do carnaval da cidade, um dos maiores e mais populares do país. É uma noite de homenagens, a Naná, e sua longa história como grande líder do ritmo, e ao frevo, celebrado pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade. Outro celebrado é o fotógrafo Alcir Lacerda, morto em agosto de 2012, aos 84 anos, a maioria deles dedicados a beijar as belezas do estado com suas lentes.

O som dos tambores subia a avenida já às 19h, com o sol escondido (não há horário de verão aqui). O batuque retumbava no peito, ameaçador, grave, mas também festeiro. A grande celebração havia se iniciado. Uma hora depois, o show pirotécnico, ao fim da apresentação de quase uma hora, encerra a abertura. Enche o céu negro de fogos, enquanto no chão, nas ruas antigas de Recife, o clima também é quente e abafado.

Nas ruas adjacentes, palhaços, homens das cavernas e perucas coloridas perambulavam e pulavam o carnaval. Logo atrás do Marco Zero, um bloquinho, enxuto e barulhento, puxava o canto de “Bandeira Branca, Amor”. Um clássico carnavalesco, que no Recife ganha cor e sorrisos em rostos suados. Ali, sentada na Rua do Bom Jesus, a estátua de Antônio Maria (1921-1964) observava tudo sorridente, entre mesinhas de plástico, ocupadas por foliões menos dispostos a perambular por ali.

A primeira noite do carnaval segue em homenagem ao frevo. Sobem no palco Silvério Pessoa, Luiza Possi, Nena Queiroga, Fafá de Belém, Emílio Santiago, Tibério Azul, Otto, Armandinho, Márcia Castro, Lenine, Roberta Sá, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho.

Ao todo, o carnaval terá 1.500 apresentações e 770 desfiles. Serão mais de 300 shows, 103 deles dedicados ao frevo, distribuídos em 17 palcos. As festividades vão até a conhecida quarta-feira de cinzas, 13.