Novo American Pie aposta no saudosismo

Reunindo o elenco dos três filmes originais, American Pie: O Reencontro relembra histórias de quase dez anos atrás e serve como retomada da adolescência para o público

Stella Rodrigues Publicado em 20/04/2012, às 12h41 - Atualizado às 13h03

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Esse texto contém spoilers

Estreia nesta sexta, 20, American Pie: O Reencontro, que aposta em fórmula que costuma dar certo, o saudosismo. O filme, dirigido por Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg (de Madrugada Muito Louca), usa um recurso fácil da cultura norte-americana - a volta ao lar para o reencontro de formandos - para reunir o elenco da trilogia original American Pie, antes de ela degringolar para um caça-níqueis vergonhoso. O ponto forte, claro, é a nostalgia. Enquanto Jim (Jason Biggs), Michelle (Alyson Hannigan), Stifler (Seann William Scott), Oz (Chris Klein), Heather (Mena Suvari), Vicky (Tara Reid), Kevin (Thomas Ian Nicholas), Finch (Eddie Kaye Thomas) e todos os outros personagens relembram as histórias épicas de suas juventudes, o público que passou a adolescência acompanhando as tramas relembra seus próprios anos dourados. O efeito é o mesmo de ver Pânico 4, mas em vez de ficarmos saudosos da nossa obsessão por filmes de terror, é a obsessão adolescente por sexo que vem à tona.

Os méritos não vão muito além. Há alguns momentos e piadas que valem a pena, mas em geral, há poucas surpresas. Stifler pode ter se tornado um boneco do mercado financeiro, usar terno, mas continua o mesmo idiota que só quer saber de se divertir com os amigos e pegar mulheres, com as mesmas cantadas e piadas previsíveis e crassas. Jim e Michelle, ainda apaixonados, enfrentam as dificuldades que anos de casamento e um filho pequeno trazem para a relação. A viagem para a casa do pai de Jim é para ser um fim de semana de reencontro do casal – mas os amigos dele acabam atrapalhando esses planos. Finch se tornou um aventureiro, viajou o mundo em busca de satisfação pessoal, mas nunca mais encontrou uma mulher que o fizesse tão feliz quanto a mãe de Stifler (Jennifer Coolidge, que como sempre é uma das presenças mais divertidas na tela). Ao retornar, se engraça com uma amiga de Michelle da banda da escola, que passou por aquele processo clichê de patinho feio que vira cisne. Oz é uma celebridade de reality show de competição e namora uma “trophy wife” vazia e maluca, enquanto Kevin leva uma vida de adulto responsável. Ou seja, os adolescentes “tão americanos quanto torta de maçã” cresceram e, em maior parte, se tornaram adultos condizentes. O pai de Jim, agora um viúvo solitário, continua dado a tentar passar grandes lições ao filho, mas agora há uma inversão de papeis em quem aconselha quem.

Algumas das novidades incluem Stifler aprendendo tudo sobre A Saga Crepúsculo para conquistar a nova geração de colegiais bêbadas e Jim se tornando o garanhão, ao reencontrar a garota de quem era babá – agora crescida e louca para perder a virgindade com ele. O machismo inerente da cultura de filmes de high school também permanece. Boa parte dos adolescentes de East Great Falls cresceu, mas não aprendeu muita coisa na faculdade sobre liberdade sexual feminina. Por outro lado, os garotões - que passaram o fim do ano letivo em 1999 tentando perder a virgindade; o verão de 2001 tentando incrementar suas vidas sexuais ; e 2003 se preparando para encarar a vida adulta - agora têm a chance de parar e refletir sobre o que esses anos significaram para eles. O desafio é reencontrar as namoradas e tentações daquela época e perceberem que agora são adultos, e aquela inconseqüência toda faz parte de um passado que eles vão para sempre tentar reviver plenamente.