“O Cavalera Conspiracy é como o Ramones usando crack”, diz Max sobre a energia da banda no palco

Grupo liderado pelos irmãos Cavalera vem ao Brasil pela terceira vez para quatro apresentações; show em São Paulo, deste sábado, 17, teve o local alterado

Pedro Antunes Publicado em 14/11/2012, às 20h00 - Atualizado às 20h35

Cavalera Conspiracy
Divulgação / Site Oficial

Max Cavalera sentia um gosto amargo vir à boca toda vez que pensava em fazer um show em São Paulo. Culpa do desértico Ginásio da Portuguesa, no distante ano de 1998, quando ele trouxe então sua nova banda, Soulfly, para a capital paulista pela primeira vez desde a sua saída do Sepultura. Aquilo abateu o sujeito que, no palco, parece incontrolável e imbatível. Foi somente em fevereiro deste ano que o amargo ficou doce. O bravo Cavalera, de 43 anos, teve o que ele chamou de seu “momento John Lennon”.

Leia como foi a apresentação do Cavalera Conspiracy na abertura do show do Iron Maiden em São Paulo, em 2011. – na íntegra e gratuitamente!

“Era o pessoal me abraçando, querendo tirar foto. Queriam um pedaço meu. Eu não tinha tido mais essa experiência”, diz o músico por telefone, de um hotel na Argentina, onde tinha show naquela noite de quinta-feira, 8. O show em questão foi com o mesmo Soulfly, agendado após uma iniciativa de crowdfunding dos próprios fãs. “Quando descobri [o financiamento coletivo], percebi o quão do caralho foi. Uma puta atitude. Sentia aquela amargura, sabe. Fiquei realmente chateado. O mundo inteiro aceitou o Soulfly, Austrália, Estados Unidos, Europa, menos o Brasil!”, ele diz sobre a apresentação de 1998. Já sobre a última passagem pela capital paulista com a banda, Cavalera é enfático – desta vez, de um jeito positivo: “Aquele foi um dos melhores shows da minha carreira inteira”.

Ainda que agora a turnê seja com sua outra banda, o Cavalera Conspiracy, montada em companhia do irmão Iggor (baterista, também ex-Sepultura), Marc Rizzo (guitarra solo) e Johny Chow (baixo), tudo está relacionado para Max. Não por acaso eles só agora estão prestes a embarcar pela primeira turnê própria pelo Brasil – com shows no Rio de Janeiro (Circo Voador, no dia 15), Belo Horizonte (BH Music Hall, dia 16), São Paulo (Via Marquês, dia 17) e Curitiba (Master Hall, 18). As passagens da banda por aqui foram apenas em uma apresentação no SWU, em 2010, e como grupo de abertura para os shows do Iron Maiden.

Os irmãos Cavalera voltaram pisando com calma e analisando bem o retorno. Em São Paulo, por exemplo, o show será inspirado naqueles antigos shows do crescimento do punk e metal no Brasil, nos porões e inferninhos mais sujos e obscuros: várias bandas se revezando no palco e as cabeleiras balançando para todos os lados. O Cavalera Conspiracy será headliner de um minifestival, que ainda terá Korzus, Ratos de Porão e Krisiun (em Belo Horizonte, só o Krisiun participa). “São bandas pioneiras do metal e do punk de São Paulo”, elogia Max. “Será um encontro histórico, o fã verdadeiro de metal brasileiro tem que estar presente.”

Ainda assim, com tantas atrações, o local do show na capital paulista foi trocado em cima da hora, nesta terça, 13. Saiu do Espaço das Américas e foi para o Via Marquês, com uma queda no limite de capacidade, de oito mil para duas mil pessoas, segundos os respectivos sites oficiais. A produtora, contudo, não se pronunciou sobre o assunto.

Diferentemente das outras vezes em que o Conspiracy passou por aqui, desta vez há um novo disco nas lojas, o Blunt Force Trauma, lançado dias depois do show com a Donzela de Ferro no Morumbi, na capital paulista. “É um disco mais direto”, analisa Max. “Fizemos um lance muito mais cru e energético. A ideia era fazer como o Reign in Blood (1986), do Slayer. Hoje existem discos com mais de uma hora de duração e não dá para ouvir inteiro direito”, explica ele sobre o tempo do álbum, cujas 11 faixas chegam ao fim em pouco menos de 35 minutos.

No show, a levada também é acelerada. “Não dá tempo para respirar”, diz Max. “É como o Ramones usando crack. O Iggor gosta de fazer uma música atrás da outra. Vai na porrada”, completa. “Apesar de nenhum de nós usar. A música é o nosso crack [risos].” A apresentação também contará com a presença dos irmãos Ritchie e Iggor Cavalera, filhos de Max de 25 e 17 anos, respectivamente.

Apesar de ainda morar em Phoenix, entre “cobras, ratos, aranhas e escorpiões”, como ele mesmo brinca, Max já planeja um novo álbum do grupo gravado aqui no Brasil. “A ideia é passar um tempo por aí. Queremos uma vibração diferente nas letras e no som. Pensei em gravar no [estúdio carioca] Nas Nuvens, de onde muitos bons discos brasileiros saíram”, diz. “Vou arrumar um tempinho na agenda dos Estados Unidos em 2013”, completa o músico. É a prova de que as feridas, por mais profundas, sempre cicatrizam.

Cavalera Conspiracy no Brasil:

No Rio de Janeiro

Quinta, dia 15 de novembro, a partir das 22h

Local: Circo Voador – R. dos Arcos S/N - Lapa

Ingressos: R$ 88 a R$ 176

Informações: No Ingresso.com

Em Belo Horizonte

Sábado, dia 16 de novembro, a partir das 21h

Local: Music Hall - Av. Contorno 3239 - Santa Efigênia

Ingressos: R$ 80 a R$ 160

Informações: 31 3461-4000 ou no no site Ticket Brasil

Em São Paulo

Sábado, dia 17 de novembro, a partir das 19h

Local: Via Marquês - Av. Marquês de São Vicente, 1589 – Barra Funda

Ingressos: R$ 120

Informações: 11 3611 2696 ou no site Ingresso Rápido

Em Curitiba

Domingo, dia 18 de novembro, a partir das 19h

Local: Master Hall– R. Itajuba, 143 – Portão

Ingressos: R$ 85

Informações: 41 3315-0808 ou no site Disk Ingressos