"Os Estados Unidos são o berço do individualismo e o cowboy é o principal símbolo disso", diz Harrison Ford

Ator concedeu entrevista aos jornalistas na estreia do filme Cowboys & Aliens no Festival de Locarno, na Suiça

Rui Martins/BR Press Publicado em 10/08/2011, às 19h52

Harrison Ford e Daniel Craig em cena de Cowboys & Aliens

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(Locarno, BR Press) - Cowboys & Aliens é uma superprodução reunindo Daniel Craig e Harrison Ford, os astros de James Bond e Indiana Jones, em um estranho western. Nele, um bandido procurado pela polícia, um criador de gado, o xerife, os bandidos da região e os índios se unem contra extraterrestres atraídos pelo ouro e decididos a conquistar o planeta. O filme foi exibido no Festival de Locarno, na última sexta-feira, 6, em estreia europeia.

O tema extraterrestre é marcante no Festival de Locarno: já foram exibidos o filme Super 8 (escolhido para a abertura), onde o exército combate um extraterrestre, e Attack the Block, um inventivo filme inglês sobre o ataque de extraterrestres a uma periferia de Londres, onde são liquidados por trombadinhas, traficantes e bandidos descendentes de imigrantes.

Mas é o público internacional - que constitui a principal renda de Hollywood, segundo o diretor Jon Favreau, de Cowboys & Aliens - que dirá se essa mistura heterogênea de índios, cowboys e cowgirls com invasores vindos de outro planeta será bem aceita ou provocará indigestão.

Decepção

Ao terminar a projeção do filme para a crítica, o clima era de decepção. Deixando-se de lado a história pouco convincente, uma adaptação da HQ de autoria de Scott Mitchell Rosenberg, salvam o longa as interpretações de Daniel Craig e Harrison Ford. Não fossem eles, a frustração seria total.

Harrison Ford não se sentiu preterido por interpretar o segundo papel no filme. E é com bom humor que comentou, em entrevista aos jornalistas: "Quem sabe vão me chamar para o papel de vilão no próximo filme de James Bond?"

O ator, conhecido pelo papel de Indiana Jones, confessa que, depois de lidas as 30 primeiras páginas do roteiro de Cowboys & Aliens, pensou que não era o ator ideal para ele. "Este não é o gênero de filme para mim, mas o pessoal à minha volta argumentou que o meu gênero de filme não dá mais dinheiro e, no fim, achei que tinham razão. Quem sabe é a minha idade, ou mudou o tipo de espectadores ou ainda o entretenimento cresceu demais e não haverá mais lugar para o cinema?".

Depois dessas considerações, surpreendentes por virem de um ator de tão grande sucesso, Harrison Ford conta ter lido todo o roteiro e falado com Steven Spielberg - o que acabou por despertar seu interesse, apesar de o cineasta não ter envolvimento com o filme em si. "O projeto era muito mais ambicioso que o título e se tornou um filme divertido", acrescenta o ator.

Fronteiras

Assim, Ford fez valer uma frase de Jon Favreau de que "todo ator norte-americano sonha trabalhar em um western". Ford acha que isso está ligado ao passado dos Estados Unidos e que os westerns fazem com que se sintam orgulhosos. Mas com uma ressalva: para ele, Cowboys & Aliens é mais verdadeiro que muitos outros westerns, "porque restaura a questão das fronteiras, reconhecendo aspectos esquecidos".

Explicando porque não se fazem mais westerns como antigamente, Ford acha que, para os produtores, esse gênero era dispendioso e tornou-se mais lucrativo fazer filmes de espionagem (outra referência indireta a Bond), sobre agentes da CIA ou comédias para atrair mais espectadores. "Uma pena", diz ele, que tem uma especial predileção por Os Profissionais, de Richard Brooks, com Burt Lancaster, Lee Marvin e Claudia Cardinale.

O gênero western teve seu sucesso porque o cowboy do faroeste tornou-se, de certa forma, o símbolo da conquista norte-americana, e a jovem nação precisava de uma mitologia ligada à conquista da terra, à conquista dos índios e à determinação dos pioneiros. "Os Estados Unidos são o berço do individualismo", acredita Harrison Ford, "e o cowboy é o principal símbolo disso".

Cowboys & Aliens estreia em 9 de setembro no Brasil.