Otto faz a estreia oficial de The Moon 1111 em São Paulo

Em show catártico e dançante, músico mostra que a nova safra de músicas funciona bem ao vivo

Pedro Antunes Publicado em 22/11/2012, às 12h44 - Atualizado às 15h48

Otto no Sesc Vila Mariana
Igor Cruz / Sesc / Divulgação

Não era a primeira vez que Otto exibia canções do disco recém-saído do forno The Moon 1111 em São Paulo. No dia12 de outubro, a nova safra de canções foi apresentada em uma apresentação gratuita na Praça Victor Civita, mas o álbum não tinha chegado às lojas. Na noite desta quarta-feira, 21, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, pode-se dizer que foi a estreia realmente oficial, depois do lançamento no dia 11 de novembro, para fazer jus ao nome do álbum.

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As novas músicas, se não estavam completamente na ponta da língua (do público e de Otto), mostraram que acompanham muito bem o pulsante show do pernambucano realizado na noite desta quarta-feira, 21, no Sesc Vila Mariana.

Das novas, ele mostrou seis das dez que integram o disco, um trabalho imensamente mais solar e feliz do que o anterior, Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos. A apresentação foi aberta com uma dobradinha inédita, “Exu Parade”, bastante percussiva, e a psicodelia tropical de Otto em “The Moon 1111”, que curiosamente foram colocadas na sequência de faixas do disco.

E nesse momento, Otto já estava sem seu paletó branco, mantendo a camiseta curta e a calça também branca, caminhava livremente pelas cadeiras do lotado teatro do Sesc e gritando: “Vai Catatau”, introduzindo o solo viajante do guitarrista Fernando Catatau . Toda a formalidade do espaço também já havia ido para a cucuia e parte da plateia já estava em pé, nas laterais do palco – dois seguranças proibiam que eles chegassem até a frente.

Otto se reencontrou como cantor, compositor e showman com Certa Manhã e também dá bom espaço para o disco com o qual ele exumou a dor e a tristeza após uma sofrida separação. Deste, foram cinco – “Filha”, “Janaina”, “Crua”, “Saudade” e “6 Minutos”. A cada uma delas, a voz de Otto se amplifica e têm-se a impressão que as palavras saem de um lugar diferente, como que espantando os fantasmas daqueles dias que ainda podem perturbá-lo. E, assim, Otto se mantém feliz, piadista e dançarino – como no resto da apresentação.

Percussão do trio formado por Axé, Malê e Toca Ogan, de Peixinhos (Olinda) e pelo baterista Carranca, duelaram por aquelas quase duas horas com as distorções das guitarras de Catatau e Júnior Boca e o teclado de Bactéria. Ora pendendo para um lado, ora para outro. Para completar, um trio de cordas fez participação em algumas das músicas, embora tenha sido difícil se encaixar naquele embate sonoro.

Das novas apresentadas, “Ela Falava” e “Dia Claro”, que ainda possuem resquícios de dor do álbum anterior, e a festiva versão de “A Noite Mais Linda do Mundo”, de Odair José, foram as mais celebradas. Nem mesmo a bela escorregada na primeira delas - ele pulou uma estrofe diretamente para o refrão, e olhou para o baixista Rian Batista -, atrapalhou. É só falta de prática, mesmo.

Entre as piadas, elogios à plateia e algum papo com a sua banda, Otto ainda discursou a favor da paz e o fim do conflito indígena do povo Guarani Kaiowá. Ainda a pedido do público, cantou “Lavanda”, música que abre seu disco Sem Gravidade, de 2003. “Olha só, “Lavanda”. Eu vou cantar porque acho essa música linda”, disse. Ele ainda revisitou algumas poucas músicas mais antigas, como a bela “Dias de Janeiro”, “Ciranda de Maluco”, “TV a Cabo” e “Cuba”.

No bis, ele colocou o percussionista Toca Ogan para cantar “Ogan Di Belê”, da Nação Zumbi. E, por fim, a catarse final se deu com “6 Minutos”, e os versos “Nasceram flores nunca canto de um quarto escuro / Mas eu te juro, meu amor / São flores de um longo inverno”. Flores nascida e colhidas pelo artista reerguido em seu novo (e solar) momento.

O cantor e banda voltam para o Sesc Vila Mariana na noite desta quarta-feira, 22, novamente com ingressos esgotados.