Patti Smith: “Fico envergonhada quando as pessoas me chamam de musicista”

Artista lançará o livro de memórias M Train

Redação Publicado em 05/10/2015, às 11h27 - Atualizado às 12h13

A cantora Patti Smith

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Prestes a lançar o livro de memórias M Train, uma espécie de continuação de Só Garotos (2010), a cantora Patti Smith afirmou que não se sente confortável ao ser chamada de musicista, preferindo outros termos, como intérprete ou compositora. A declaração foi dada durante uma sabatina de Patti no último sábado, 3, no New Yorker Festival.

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“Fico envergonhada quando me chamam de musicista, pois não sei tocar nenhum instrumento”, disse a cantora ao público, segundo o jornal The Guardian. “Não tinha aspirações musicais, gosto de me apresentar para pessoas”, afirmou Patti.

Crítica: Patti Smith – Só Garotos (2010).

A cantora ainda falou sobre a conflituosa relação com a poesia, afirmando que, inicialmente, ele achava que leituras do gênero eram muito chatas. Patti ainda explicou que a poesia publicada por ela – e lida regularmente em eventos – é fruto do amor cultivado por autores como Allen Ginsberg, William Burroughs e Jim Carroll.

Ao falar sobre a própria incursão no gênero, Patti contou que “nada havia sido planejado. Foi apenas para fazer poesia de forma mais visceral”. O amor de estrela pela literatura é antigo. Em 2008, a cantora realizou uma exposição na Fondation Center, em Paris, na qual apresentava itens que demonstram a admiração dela por um seleto grupo de autores.

Dentre os objetos estavam uma camiseta com foto do ainda jovem poeta francês Arthur Rimbaud, usada por ela em diversos shows, e um cartão de visita dele, arrematado por Patti em um leilão. Além disso a mostra trazia fotos do túmulo de Walt Whitman e seixos do leito do rio no qual Virgina Woolf se matou. Ela ainda documentou outras relíquias, como a cadeira de Roberto Bolaño Ávalos, em polaroides.

Em 21 de setembro, Patti passou por Lisboa, onde visitou a Casa Fernando Pessoa. No local, ela gravou um vídeo no qual lê trechos do poema “Saudação a Walt Whitman”, assinado pelo heterônimo Álvaro de Campos.

Assista ao vídeo