Por poder e excentricidade, Ferrari se mantém como paixão de estrelas do rock

Roberto Larroude Publicado em 21/02/2014, às 19h20 - Atualizado às 19h24

VELOCIDADE & ESTILO
Sammy Hagar tem uma coleção de carros, que inclui uma Ferrari 599 GTB 2008;

Músicos em geral, especialmente os roqueiros, costumam ser extravagantes. E um dos muitos privilégios que vêm com o sucesso é poder comprar o que bem entender – até mesmo carros esportivos igualmente extravagantes e que refletem o estilo musical, geralmente potente, chamativo e barulhento. São muitas as opções oferecidas pelo mercado automobilístico de luxo, mas nenhuma marca é tão emblemática e representa tanto quanto a Ferrari.

O tom “vermelho Ferrari” surgiu na década de 1920, quando os organizadores das corridas internacionais na Europa escolheram cores para os carros de cada país. O fundador da escuderia, Enzo Ferrari, levou a tonalidade dos carros italianos de competição para os modelos urbanos, e assim começou a mitologia do cavalo rampante da região italiana de Maranello. Há quem prefira a Ferrari em outras cores, como Sammy Hagar, mais conhecido pelos anos em que foi vocalista do Van Halen (1985-1995 e 2003-2005). Ele é dono de uma coleção impressionante de carros – entre eles, uma Ferrari 599 GTB 2008 preta e personalizada, com o nome dele gravado no porta-luvas, e uma mais antiga, a 512i Boxer, também preta, que ele acelerou sem respeitar qualquer limite de velocidade no clipe de “I Can’t Drive 55”. Outro colecionador com bom gosto por Ferraris é Jay Kay, vocalista do Jamiroquai. Além de uma 550, uma Enzo (edição limitada que teve apenas 400 unidades lançadas, em 2002) e outras tantas versões, a principal peça da coleção dele é uma rara 330GT de 1968 – transformada em perua por uma antiga empresa de customização de automóveis. O cantor pode ser visto com frequência passeando pelo interior da Inglaterra a bordo da 330GT.

O guitarrista Eric Clapton participou de tantos clássicos do rock que entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll três vezes (na carreira solo, com o The Yardbirds e com o Cream). Merecidamente, o britânico ganhou uma Ferrari desenvolvida exclusivamente para ele, a SP12 EC. Baseada na clássica 512BB, de 1970, que Clapton tinha e destruiu em um acidente, a montadora italiana, que sabia da paixão dele pelo modelo, passou dois anos desenvolvendo um esportivo utilizando a moderna Ferrari 458 Italia com motor V8 de 4.5L e 570 cavalos de potência. As mudanças estéticas foram feitas pelo estúdio de design Pininfarina para deixar o visual mais retrô. Mas tanta exclusividade tem um preço, e, apesar de não divulgarem o valor do carro, dizem que Clapton pagou alguns bons milhões de dólares pelo veículo.

Nick Mason, baterista do Pink Floyd, também é um notório colecionador de carros e até transformou a paixão em livro, em 1988, narrando suas experiências em Into the Road. Além disso, Mason é viciado em corridas, tendo participado até de uma das provas mais famosas do mundo, as 24 Horas de Le Mans. Entre os modelos Ferrari que guarda na garagem, dois merecem atenção: um é o Enzo que ele emprestou para o programa de televisão britânico Top Gear testar – sob a condição de que o apresentador Jeremy Clarkson promovesse o livro Inside Out: A Personal History of Pink Floyd. Na hora de descrever o carro, Clarkson acabou usando títulos de músicas da banda e inseriu “Another Brick in the Wall” como trilha sonora. O outro exemplar da coleção do baterista é um dos carros mais caros do mundo, uma Ferrari 250 GTO de 1962: foram produzidas apenas 39 unidades e as que restaram são avaliadas em dezenas de milhões de dólares.