Primatas no poder

Planeta dos Macacos: a Origem revive com sucesso a clássica franquia

Paulo Cavalcanti Publicado em 26/08/2011, às 17h49 - Atualizado às 18h22

Planeta dos MacacosMacacos
Reprodução

Depois do fracasso artístico e comercial de O Planeta dos Macacos, dirigido por Tim Burton em 2001, havia pouca chance da franquia ser retomada. Dez anos depois, os primatas ressurgem em Planeta dos Macacos: a Origem. E dessa vez deu certo. O filme tem um grau de inteligência superior aos típicos blockbusters de verão e está fazendo muito dinheiro – só nos Estados Unidos, permanece em primeiro lugar na bilheteria há três semanas.

Ao contrário de Tim Burton, que revisitou o primeiro filme da série original, a produção dirigida por Rupert Wyatt se baseia no quarto longa-metragem, A Conquista do Planeta dos Macacos. James Franco é Will Rodman, um cientista de São Francisco que trabalha em uma droga capaz de curar o mal de Alzheimer – o pai dele, interpretado por John Lithgow, sofre do mal e está definhando a cada dia. A droga é testada em macacos e sob seu efeito os animais demonstram alto grau de inteligência. Depois de um incidente, uma fêmea é sacrificada e os experimentos são suspensos. Will leva para sua casa o filho do chimpanzé fêmea e, por debaixo do pano, começa a dar para ele a milagrosa droga. O chimpanzé, batizado de Caesar, se torna praticamente um ser humano.

Depois de um mal-entendido com os vizinhos de Will, Caesar acaba sendo levado para um lar de primatas dirigido por John Landon (Brian Cox) e seu filho Dodge (Tom Felton, novamente bancando o bad boy que o tornou famoso nos filmes de Harry Potter). Caesar se revolta contra o “sistema carcerário” a qual é submetido. Lá, de forma habilidosa, consegue escapar e libertar seus amigos macacos que, de forma épica, tomam as ruas de São Francisco.

A direção de Wyatt tem pouco humor e nenhum sentimentalismo, o que serve perfeitamente ao tom sombrio e apocalíptico do filme. James Franco vive um personagem banal e por isso cai como luva. Mas ele é um coadjuvante de luxo. Naturalmente, o astro é Andy Serkis, o ator britânico que deu vida a Gollum na franquia O Senhor dos Anéis, e também ao King Kong no remake de Peter Jackson. O trabalho de Serkis é novamente digno de Oscar. Caesar começa como um bebe adorável, vira um adolescente confuso e no final do filme é um líder revolucionário cheio de confiança. Assim como aconteceu quando interpretou Gollum, Serkis foi filmado através da técnica chamada motion capture. Suas expressões e emoções foram capturadas e depois aplicadas a um macaco criado por computador. O sucesso de Planeta dos Macacos: a Origem já garante sequências e não é difícil perceber o que vai acontecer nos próximos filmes – resta saber como isto vai ser feito.