Reciclagem às avessas

Velozes e Furiosos 4 reprisa os piores elementos dos dois primeiros filmes da série, mas ganha nas cenas de ação

Por Gustavo Lanzetta Publicado em 03/04/2009, às 18h50

Dominic Torreto (Vin Diesel) é considerado por muitos o ícone da franquia Velozes e Furiosos, mesmo tendo estrelado somente o primeiro filme da série. Em Velozes e Furiosos 4 ele está de volta aos holofotes (ou seriam faróis?) para buscar vingança e relutantemente fazer as pazes com Bryan, o policial sem sal interpretado pelo ator Paul Walker.

Por mais que grande parte do elenco original esteja de volta para oferecer a verdadeira continuação do primeiro filme, a história toda é uma confusão. Quando as investigações de tráfico de drogas de Brian se cruzam com a busca por vingança de seu ex-amigo careca e truculento (Diesel), os dois tentam competir para ver quem chegará ao vilão primeiro - mas Brian, incompetente em suas funções como agente do FBI, percebe que precisa da ajuda de Dominic.

A trama policial com investigações internacionais remete a Mais Velozes e Mais Furiosos, a primeira continuação da cinessérie, que também tenta misturar carros tunados com a carreira policial do personagem de Paul Walker. Além desse fator, o filme ainda pega emprestadas outras características daquele que é o pior título da franquia: o uso exagerado de computação gráfica e a substituição das corridas por perseguições motorizadas.

A única (e boa) cena de competição entre os carros faz várias referências a videogames de corrida (com destaque para Burnout Paradise). Brian, Dom e mais dois corredores pisam fundo costurando pelo trânsito, mas os dois anônimos não são tão habilidosos quando se trata de não colidir com outros veículos. Além disso, o único furioso no filme inteiro é o personagem de Vin Diesel, um viúvo que quer vingar a morte de sua mulher.

Apesar da grande lista de pontos negativos, Velozes e Furiosos 4 tem lá suas qualidades. As cenas com carros são mais excitantes e bem dirigidas do que as dos dois primeiros filmes. O diretor Justin Lin já havia provado que sabia criar ótimos takes de veículos em alta velocidade com Velozes e Furiosos: Desafio Em Tóquio, e com este longa teve a chance de mostrar que também sabe amarrar boas cenas de ação.