Roc Nation e família de Prince entram em conflito sobre catálogo digital do cantor

Tidal, plataforma de Jay Z, pede ao tribunal do Minnesota para aplicar acordo de exclusividade que Prince teria feito com o serviço de streaming

Rolling Stone EUA Publicado em 15/11/2016, às 15h02 - Atualizado às 17h12

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Roc Nation, gravadora de Jay Z, e a família de Prince estão disputando o destino do catálogo do cantor e a respeito de um acordo de exclusividade dele com serviço de streaming Tidal.

Em documentos providos ao tribunal do Minnesota, estado norte-americano, nos últimos meses, ambos os lados reivindicam o catálogo, que foi disponibilizado exclusivamente no serviço de streaming de Jay Z desde que Prince removeu o catálogo dele de todos os outros serviços em julho de 2015.

No requerimento da Roc Nation, provido na última sexta, 11, e obtido pela Rolling Stone EUA, a empresa pediu ao tribunal para aplicar o que seria um acordo com Prince sobre o catálogo digital dele, além de “acesso à informação sobre a Bremer”, que administra o patrimônio de Prince, e as “transações de negócios” do banco.

Um requerimento atualizado seguiu o patrimônio de Prince para trazer as publicações internas, e portanto os direitos ao catálogo de Prince, para a Universal Music como parte de uma nova parceria. Esse acordo, segundo ao site da revista Billboard, ameaçaria os direitos exclusivos do Tidal ao catálogo de Prince, já que a Universal e a família de Prince prefeririam ter a música do cantor em outros serviços de streaming para maximizar o lucro.

De acordo com o TMZ, a família de Prince proveu um requerimento separado acusando a Roc Nation e o Tidal de disponibilizar os 15 álbuns de Prince sem autorização, contrariando o acordo inicial com o músico.

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No dia 7 de junho, no que teria sido o aniversário de 58 anos de Prince, o Tidal adicionou 15 álbuns menos conhecidos do catálogo de Prince – incluindo o Black Album e Crystal Ball – assim como LPs do período "Artist Formerly Known As" do cantor, álbuns ao vivo, a trilha sonora de Girl 6 e dois novos álbuns do New Power Generation.

Adicionalmente, o requerimento da família de Prince afirma que eles não encontraram prova de que o Tidal teria pagado US$ 750 mil antecipados, que o serviço prometeu em troca do LP do Prince exclusivo à Tidal, Hit N Run: Phase One. Uma fonte ligada à família de Prince disse à Rolling Stone EUA que não fora encontrada nenhuma papelada provando que Prince teve um contrato com o Tidal. O requerimento em nome do patrimônio de Prince procura “negar qualquer alegação de relacionamento contratual com o Tidal”, a fonte disse. Quando quesionado sobre a existência de um contrato, um representante do Tidal indicou à Rolling Stone EUA o requerimento da empresa (abaixo), traçando os termos do acordo.

Sob os termos do acordo inicial do Tidal com o Prince, o serviço disse que eles foram prometidos direitos de streaming dos dois próximos LPs de Prince – Hit N Run: Phase One e Hit N Run: Phase Two –, além de um álbum cheio não lançado adicional e exclusividade de streaming do catálogo de Prince previamente lançado.

Em junho de 2015, depois que Prince fez o acordo com o Tidal, o cantor disse em uma declaração: “Depois de uma reunião, ficou óbvio que Jay Z e a equipe que ele reuniu no Tidal reconhecem e aclamam o esforço que músicos de verdade colocam na sua arte para atingir o melhor que eles podem nesta época crucial na indústria da música. O Tidal nos honrou com um acordo não restritivo, que mais uma vez nos permite continuar fazendo arte da maneira com a qual nos acostumamos, e nós somos extremamente gratos pelo generoso apoio.”

Um representante da Stinson Leonard, o escritório de advocacia representando o banco Bremer Trust, que administra o patrimônio de Prince, não respondeu a inúmeros pedidos para comentário. Um representante de Jay Z se recusou a comentar.

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