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Sacanagem em geral

Gravadora junta artistas veteranos em mesmo disco, começando por Raimundos e Ultraje a Rigor

Leonardo Dias Pereira Publicado em 12/06/2012, às 18h01 - Atualizado às 18h16

Raimundos regravam músicas do Ultraje a Rigor...
Fábio Bitão/Divulgação

No final dos anos 90, a gravadora californiana BYO Records, especializada em punk, lançou a hoje clássica BYO Split Series. A grande sacada foi convidar bandas de outros selos para dividir um disco “brincando” uma com as músicas da outra (e a mais marcante foi a terceira edição, com Rancid e NOFX bagunçando os hits em sessões abertamente descontraídas). Grande admirador da iniciativa, o produtor Rafael Ramos, da Deckdisc, resolveu juntar dois luminares do rock sacana brasileiro no mesmo disco.

“Essa ideia veio durante uma reunião aqui na gravadora onde abordamos que a galera andava meio carente de rock”, ele explica. “No papo, lembramos que o Raimundos continua na ativa, lotando shows pelo Brasil, e também falamos do destaque que o Ultraje a Rigor está tendo no programa do Danilo Gentili. Na outra semana, sugeri um projeto com as bandas e todo mundo pirou.”

Para manter ao máximo a liberdade estética, cada banda gravou em estúdios e cidades separadas, sem ter acesso às listas das músicas que a outra escolheu, nem mesmo ao material bruto elaborado nas sessões. “Imagino que tenha acontecido isso também com o Rancid e o NOFX, com toda a liberdade para sacanear nas músicas dos outros”, brinca Ramos. Mas a lista elaborada em comum acordo entre o produtor e os músicos gira em torno dos hits absolutos, como “Selim” (que virou um country nas mãos do Ultraje) e “Nada a Declarar” (turbinada com o “forrócore” dos Raimundos). O guitarrista e vocalista Digão não esconde a empolgação de ter a oportunidade de tocar as músicas de uma banda que o influenciou. “Ultraje, junto com Camisa de Vênus, abriram as portas da sacanagem na música brasileira”, conta. “O Brasil é sacana, a gente era moleque e pirava no som, fui aos shows com 14 anos. Aí já era, deu no que deu e montamos o Raimundos.”

Pelo lado do Ultraje a Rigor, Roger Moreira revela que foi um grande prazer “ultrajar” as músicas da banda brasiliense, mas confidencia que sentiu dificuldade em adaptar o ritmo alucinado da jornada da primeira noite de um homem relatada em “Puteiro em João Pessoa”. “Talvez por ser da fase inicial deles e ter divisões rítmicas mais intuitivas do que convencionais, além de ser muito difícil de cantar também”, diz. Chamado de Ultraje Vs Raimundos, o projeto deverá ser lançado em julho, acompanhado de um site com detalhes das gravações, mas o grande desafio será conciliar a agenda das bandas para que um show conjunto ocorra. “É o que mais quero fazer, será bem divertido vê-los tocar e vice-versa!”, conta Digão. “Estamos deixando as coisas acontecerem naturalmente.”