Do ponto em que parou

Renovado, Stone Temple Pilots comanda o revival dos anos 90 no SXSW

Por Pablo Miyazawa, de Austin, Estados Unidos Publicado em 19/03/2010, às 12h45

Stone Temple Pilots no SXSW

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Os anos 90 estão na moda. O Stone Temple Pilots que o diga.

Após ensaiar um retorno em 2008, que se estendeu por 2009 e rendeu algumas dezenas de apresentações na América do Norte (e um show cancelado no Brasil), a banda liderada pelo vocalista Scott Weiland deu início a uma nova era com uma apresentação energética no festival South by Southwest, em Austin (Texas).

Tocando fora do circuito de bares que dá o tom do festival (o show foi no auditório Austin Hall, com capacidade para pouco mais de quatro mil pessoas), o quarteto formado por Weiland, os irmãos Dean (guitarra) e Robert DeLeo (baixo) e Eric Kretz (bateria) apresentou uma prévia do que será a turnê de seu próximo disco, homônimo, a ser lançado em 25 de maio. Mesclando sucessos dos dois primeiros discos com novas faixas, a banda se apresentou com coesão e desenvoltura, como se ainda estivesse em seu auge, e não retornando de um pseudo-hiato. Como resposta, foi recebida com louvor pelos fãs que abarrotaram a casa.

Enquanto Robert, Dan e Eric se mantinham concentrados e em silêncio, Weiland, de colete e gravata, era o comandante do show. Falando sem parar entre uma música e outra - e ainda tão magro quanto nos tempos de Velvet Revolver -, o vocalista de 42 anos parecia disposto e à vontade diante dos parceiros com quem lançou cinco discos desde 1992 (o último, Shangri-La Dee Da, precedeu o fim das atividades do grupo, em 2003). "Não estamos fazendo isso só por nosso ego, mas por vocês também", ele declarou, se dirigindo à audiência de braços levantados. Como que em uma intenção de recuperar o tempo perdido, o quarteto concentrou forças no repertório do primeiro álbum, Core: foram seis faixas, como os hits "Plush", "Sex Type Thing", "Creep" e "Wicked Garden", além de "Dead and Bloated" e "Crackerman". Do álbum seguinte, Purple (1994), foram lembradas "Vasoline" (que abriu a apresentação), "The Big Empty" e "Interstate Love Song". A coleção de hits do STP é variada e volumosa, o que permitiu que algumas obviedades ficassem de fora, como "Big Bang Baby", de Tiny Music (1996). Deste, a banda só resgatou "Trippin' on a Hole in a Paper Heart", que fechou o show de cerca de uma hora e vinte minutos de duração.

"Between the Lines"

Para divulgar o novo disco, a banda tocou quatro músicas inéditas, entre elas o provável primeiro single "Between the Lines" e "Bagman". Percebendo uma certa impaciência da plateia a cada novidade, Weiland brincou - "Esta é mais uma música nova" - antes de emendar o hit "Plush", que rendeu ao STP seu único prêmio Grammy, em 1993. Já no bis, o STP retornou com uma surpresa: a presença de Robby Krieger, lendário guitarrista do The Doors, que deu canja em uma versão fiel e cantada em coro de "Roadhouse Blues".

Eternamente (e erroneamente) relacionada ao movimento grunge, o Stone Temple Pilots sobreviveu durante mais de uma década carregando o estigma de ser a mais subestimada banda dos anos 90. O retorno pode cheirar a mofo, mas é bem-vindo, já que vem acompanhado de um disco de inéditas e uma atitude renovada por parte de seus integrantes. Resta saber por quanto tempo toda essa disposição irá se manter. O prognóstico, pelo que foi visto no palco de Austin, é dos mais otimistas.

"Roadhouse Blues"

Set list:

"Vasoline"

"Crackerman"

"Wicked Garden"

"Hollywood Bitch"

"Between the Lines"

"Huckleberry Crumble"

"Big Empty"

"Sour Girl"

"Creep"

"Plush"

"Interstate Love Song"

"Bagman"

"Hickory Dichotomy"

"Sex Type Thing"

"Dead and Bloated"

Bis:

"Roadhouse Blues"

""Trippin' on a Hole in a Paper Heart"