System of a Down estrela documentário

Filme sobre genocídio armênio está em cartaz na Mostra de SP

Por Fernanda Soares Publicado em 29/10/2007, às 15h04

Serj Tankian lidera manifestação que pede reconhecimento oficial do genocídio armênio
Divulgação

O massacre de armênios no início do século 20 - não reconhecido como genocídio até a atualidade por organismos políticos internacionais - é o tema central do documentário Screamers, da jornalista armênia Carla Garapedian. Costurado por trechos de recente turnê européia da banda System of a Down, o filme é exibido nesta terça, na Mostra de Cinema de SP (sala e horário mais abaixo). Veja o trailer no pé da matéria.

Em Screamers, o desafio de Garapedian foi o de fazer um filme que, além de situar o espectador quanto ao genocídio armênio pelos turcos otomanos entre 1915 e 1923, partisse deste caso específico para comentar os extermínios sistemáticos em massa que ocorreram ao longo da história desde então até os dias de hoje, em Darfur. E o fio condutor - às vezes ineficiente do ponto de vista da narrativa - é a música do System of a Down.

Além de fazer rock'n'roll, a banda liderada por Serj Tankian (do hit "Toxicity") luta para que o massacre armênio seja reconhecido mundial e oficialmente como um genocídio. Além da óbvia visibilidade que a banda traz para a questão, seus integrantes têm importante papel no documentário - todos vêm de famílias de sobreviventes do massacre. O avô de Tankian é quem, na maior parte, relembra a matança e sua tragédia pessoal.

Há muitas e extensas imagens da turnê, o que pode agradar mais aos fãs da banda do que ao espectador interessado na questão política, mas há também o depoimento de artistas e autoridades, que dão pistas do porquê do não reconhecimento oficial do massacre armeno por parte de organismos internacionais: o enorme risco político e econômico que isso causaria à Turquia.

Quando fica difícil par Garapedian ligar blocos temáticos pelas imagens da turnê do System of a Down, a documentarista insere imagens dos inúmeros cadáveres (e semicadáveres) empilhados na Alemanha nazista, em Ruanda, na Bósnia, no Iraque e em Darfur.

No filme da jornalista, a repetição das mesmas imagens de corpos esqueléticos, distribuídas ao longo dos anos em diferentes países e contextos, dá indicações expressas da crença da diretora de que, independentemente do número de mortos de um genocídio, sempre haverá sobreviventes, e que o reconhecimento e a memória destas pessoas devem ser mantidos vivos pelos Screamers, não só para que o trauma seja amenizado, mas também para que estes crimes não se repitam.

Screamers, de Carla Garapedian

23/10, terça, às 21h - Sessão 358

UNIBANCO ARTEPLEX 2

Rua Frei Caneca, 569, 3º andar. Informações: 11 3472-2365

28/10, domingo, às 13h30 - Sessão 825

ESPAÇO UNIBANCO 3

Rua Augusta, 1470. Informações: 11 3288-6780