Terceiro dia do Goiânia Noise dá espaço para bandas novatas

Os três dias de festival reuniram cerca de cinco mil pessoas no Centro Cultural Oscar Niemeyer

PEDRO ANTUNES, DE GOIÂNIA Publicado em 12/11/2012, às 16h03 - Atualizado às 18h27

Indigno
Marina Marques / Divulgação

Apesar de não ter sido o encerramento oficial do festival Goiânia Noise, a noite de sábado, 10, foi o fim para as grandes bandas e público em quantidade mais expressiva. O terceiro e último dia, neste domingo, 11, foi inteiramente dedicado a dar espaço para grupos alternativos, novas promessas ou veteranos velhos de guerra da música independente brasileira.

Com apenas um só palco, o Esplanada, aquele montado no espaço aberto do Centro Cultural Oscar Niemeyer, o último dia de festival correu de forma mais vagarosa e cadenciada. Cada banda tocava seu set de cerca de 30 minutos, e depois era necessário mais 20 para que o palco fosse remontado. E por aí foi por cerca de nove horas de som, com o cronograma iniciado às 14h e terminando depois das 22h, horário limite exigido por lei para a emissão de barulho. E o fim foi justamente com a única banda estrangeira do dia e digna do “noise” que dá nome ao festival, a equatoriana Indigno.

“É a primeira vez que saímos de nosso país”, explica o vocalista do grupo de metal extremo Santiago Velásquez, após o show, no backstage. “Para você entender o quão difícil foi, fomos nós mesmos que pagamos as passagens de avião. O governo não incentiva a cultura.” Seu tamanho diminuto – por volta de 1,60 metro – em nada condiz com a erupção sonora de seus uivos e berros guturais que se espalharam pelo espaço.

O show, ainda que com um quórum aquém do esperado, teve um impacto muito forte com a velocidade das baquetas e palhetas, muito bem sincronizadas. Entre as faixas do disco Siniestro Proceder, único do grupo, e o single “Embriaguez del Poder”, eles ainda incluíram uma cover de “Roots Bloody Roots”, do Sepultura. “Eles são uma referência no metal que queremos fazer”, continua Santiago.

Reunindo uma maioria de bandas locais, como Mechanic[KISS], The Galo Power, Shakemakers, Corja e Damn Stoned Birds, com ingressos mais baratos (R$ 20 a inteira), o terceiro dia de shows atraiu um público mais jovem. Até crianças eram vistas perambulando pelo espaço, acomodadas nos ombros dos pais, ou ainda tocando uma guitarra imaginária.

Com a desistência dos goianos do The Violins, o papel de protagonistas do fim da tarde ficou com Os Skrotes e seu viajante som instrumental. É jazz, é rock, é psicodélico. Um trio com a incomum formação de teclados, bateria e voz e uma sonoridade construída com camas de referências plurais que são diluídas e embaralhadas por eles – até um riff de “Run To The Hills”, do Iron Maiden, apareceu dentro de uma das canções.

Balanço

Com um público total de cinco mil pessoas, conforme o divulgado pela organização do festival, a 18ª edição do Goiânia Noise exibiu grandes surpresas nestes três dias de festival. Além dos já citados do terceiro dia, houve os argentinos Pez e Boom Boom Kid, a leva de referências dos anos 70 e 80 com o Space Truck e o Mapuche, e os sempre vigorosos shows de Autoramas e Karina Buhr, que abriram para o quarteto da Suécia Crucified Barbara.

Ainda assim, problemas estruturais foram sentidos. Alguns simples de resolver, como a falta de cestos de lixo espalhados pelo Centro Cultural Oscar Niemeyer. Outros mais graves, como os atrasos que prejudicaram imensamente alguns grupos que precisaram dividir o público que ainda chegava, durante a tarde, causando shows constrangedoramente vazios.