Vaticano é acusado de prejudicar Anjos e Demônios

Filme baseado em livro de Dan Brown foi obstruído pela Arquidiocese de Roma, diz Ron Howard; para bispo de 102 anos, filme é "altamente difamatório"

Da redação Publicado em 04/05/2009, às 20h31

Anjos e Demônios, adaptação cinematográfica do livro homônimo de Dan Brown (de O Código da Vinci, já transportado para as telas), sofreu obstruções do Vaticano, garantiu o diretor da fita, Ron Howard. Os filmes passaram longe de ser recebidos com braços abertos na cidade-estado da Igreja Católica. Mas, em coletiva de imprensa no domingo, 3, o cineasta disse que, ao contrário de ...Da Vinci, Anjos e Demônios teve zero cooperação do Vaticano.

Para Howard, a Igreja atuou "por canais alternativos" para assegurar que a produção fosse tão prejudicada quanto possível. A proibição para rodar a volta às telas do simbologista Robert Langdon (Tom Hanks) dentro de igrejas já havia sido decretada. Mas o cineasta também encontrou veto para filmar em algumas áreas que tivessem igrejas ao fundo, além de ter uma estreia do filme cancelada.

"Deveria haver uma projeção aqui em Roma que já havia sido aprovada e suponho que o Vaticano tenha algo a ver com isso", disse.

Howard afirmou que sua "única frustração como cineasta" é ter falhado ao idealizar, em março, uma sessão especial para bispos e outros membros do alto clero. Convite declinado. "Quanto às críticas, por enquanto todas vêm de pessoas que não assistiram ao filme."

O diretor chegou a pedir, em post de abril no blog Huffington Post, a licença "para ser um pouco polêmico". Na ocasião, escreveu: "Acredito que os católicos, incluindo a maioria da hierarquia da Igreja, vão gostar muito do filme pelo que é: um mistério excitante, ambientado na inspiradora beleza de Roma". Tratava-se de réplica a uma coluna escrita pelo presidente da Liga Católica para Direitos Religiosos e Civis, Bill Donahue, no jornal New York Daily News. A acusação era a de praxe: o filme era poço sem fundo de "difamações à Igreja Católica com histórias falsas".

A nova aventura de Langdon o leva a um soturno grupo, o Iluminati, com um plano um tanto quanto herege: emplacar um de seus membros como Papa para, então, explodir o Vaticano. A opinião de um bispo de 102 anos ecoou, ao longo da semana, na imprensa italiana. Para ele, a proposta do filme é "altamente difamatória e ofensiva aos valores da Igreja e do Espírito Santo".

O novo livro da série, The Lost Symbol, chega às prateleiras em setembro.