Vinicius Calderoni fala sobre novo disco: “É ‘anti-easy listening’”

Integrante do 5 a Seco, músico explora as interseções entre música, teatro e cinema

Lucas Reginato Publicado em 14/06/2013, às 14h26 - Atualizado às 14h58

Vinicius Calderoni
Braulio Araujo e Laura del Rey / Divulgação

Vinicius Calderoni é formado em cinema e tem uma companhia de teatro, mas é com a música que engatou carreira mais sólida. O artista, integrante do 5 a Seco, lança agora, aos 27 anos, o segundo álbum solo, Para Abrir os Paladares, e explica como as áreas artísticas se interligam em sua vida.

“Tem um conceito na academia que eu aprendi que é o ‘descanso ativo’: você descansa o braço correndo, relaxa a respiração fazendo exercício para a perna etc. Assim você está sempre em movimento, e acho que funciona mais ou menos desse jeito para mim. Na hora que eu faço teatro eu descanso um pouco da música. São coisas que se complementam”, explica.

Seu novo disco, por exemplo, surgiu na verdade há quatro anos quando ele e Tó Brandileone, colega de infância e companheiro no 5 a Seco, começaram a compor trilhas sonoras para teatro e cinema. “Ali foi o primeiro momento que a gente compôs, arranjou, tocou e produziu”, conta Calderoni, que salienta a importância da autossuficiência para o exercício da liberdade criativa. “Começamos a procurar uma sonoridade sem mediações de outras pessoas, era um espaço livre para a experimentação.”

“Desde cedo eu tinha uma vontade de fazer um disco que não deixasse o ouvinte se acomodar na cadeira muito tranquilamente, que fosse um ‘anti-easy listening’. Tinha a vontade de que fosse um disco propositivo, cheio de surpresas, contrastes e rupturas sonoras”, conta. “Não é o experimentalismo pelo experimentalismo, mas a procura pelo máximo de expressividade que cada canção já tinha em sua lógica composicional.”

As composições de Calderoni, afinal de contas, invariavelmente guardam a dramaticidade de quem está acostumado a trabalhar em outras mídias. Em Para Abrir os Paladares, os arranjos ressaltam essa influência em detalhes diversos. Logo na canção de abertura, “Carne e Osso”, entre guitarras e baterias surge uma respiração que acelera como alguém em atividade. Em “Joquempô”, um lúdico jogo de palavras ganha reforço de brincadeiras sonoras, e assim por diante.

Mas tudo isso só foi possível porque Calderoni e Brandileone tiveram a possibilidade de experimentar. Isso porque ambos conseguiram uma solidez rara com o 5 a Seco, que mesmo passando longe da máquina do mainstream consegue frequentemente fazer shows para mais de mil pessoas em São Paulo. “Tira um pouco a preocupação de fazer alguma coisa que tenha um apelo comercial”, ele explica. “As coisas têm que ter vida longa e paralela, com alternâncias”, filosofa o músico, que avisa que em julho o grupo vai comemorar quatro anos de existência com shows individuais na Sala Crisantempo e um do conjunto no Auditório Ibirapuera, onde gravaram DVD no ano passado.

Outra importante vitrine conquistada por Calderoni foi a participação na série global Louco por Elas, comandada por João Falcão – “um herói da minha infância e da minha adolescência”, afirma ele, que cita diversas peças do autor, como Uma Noite na Lua, com Marco Nanini, e A Dona da História, com Marieta Severo e Andrea Beltrão. Calderoni participou de um episódio e teve a raríssima oportunidade de mostrar aos milhões de telespectadores da Rede Globo quatro de suas novas canções. “Foi o maior presente que eu já ganhei.”

E agora chegou o momento de o músico levar o disco que surgiu do teatro de volta ao palco, desta vez em seu show. Para reproduzir tantos detalhes das canções, ele chegou, ao lado do pianista Zé Godoy, a uma solução. “Muitas coisas os músicos suprem, mas muitas outras são disparadas em paralelo, porque a gente toca com um metrônomo”, esclarece. Ele ressalta a dificuldade em às vezes emendar canções, assim como no álbum, sem uma pausa para respirar.

É com este show que Calderoni trabalha atualmente. Depois de passar pelo Tom Jazz, ele faz agora uma série de apresentações com convidados especiais na Sala Crisantempo. Na semana passada, foram três dias, com participações de Filipe Catto, Blubell e Marcelo Pretto, Maurício Pereira e Tim Bernardes. A programação segue neste fim de semana.

Vinicius Calderoni em São Paulo

De 7 a 16 de junho, às 22h30 nas sextas e aos sábados, às 19h nos domingos

Local: Sala Crisantemo - R. Fidalga, 521 - Vila Madalena

Preço: R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia)

14/06, sexta-feira, às 21h30 - com Tó Brandileone

15/06, sábado, às 21h30 – com Marcelio Freire

16/06, domingo, às 19h – com Dandara e Paulo Monarco