Virada Cultural 2013: a baiana Daniela Mercury mostra sua bossa

A performance ainda teve hits da cantora e discurso contra o preconceito

Guilherme Bryan Publicado em 18/05/2013, às 22h59 - Atualizado em 19/05/2013, às 18h33

Daniela Mercury na Virada Cultural

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Com quinze minutos de atraso, o Zimbo Trio entrou no palco Júlio Prestes, em São Paulo, para tocar o clássico “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, que também encerrou o show da convidada Daniela Mercury, num medley com “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, e o Hino Nacional Brasleiro. Em cerca de uma hora e meia, a cantora baiana, conhecida como rainha do axé, cantou majoritariamente clássicos da Bossa Nova, em meio a discursos contra a homofobia e os preconceitos em geral.

O show começou com “Madalena”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, e contou com outros clássicos imortalizados por Elis Regina, como “Fascinação”, “Upa Neguinho”, “Ladeira da Preguiça”, “Amor Até o Fim”, “Águas de Março” e “Como Nossos Pais”. Outro homenageado da noite foi Vinicius de Moraes, cujo centenário será comemorado em 19 de outubro. No repertório, estavam “Eu Sei Que Vou Te Amar”, “Tarde em Itapoã” e “Samba da Bênção”. Também foram lembrados Dorival Caymmi, com “Samba da Minha Terra”, e Paulo Vanzolini, que morreu em 28 de abril. Daniela Mercury se atrapalhou, cantou primeiro o final de “Ronda” e depois recomeçou a canção, assumindo em grande estilo o equívoco.

Claro que não faltaram os tão esperados discursos contra os preconceitos em geral, principalmente contra homossexuais, negros, baianos e mulheres. Em um show em que o público parecia muito abaixo do esperado, foi possível avistar uma faixa com os dizeres “Mais Daniela, menos Feliciano. É hora da virada contra a homofobia”. E a cantora elogiou a decisão da oficialização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e pediu o impeachment do deputado Marco Feliciano.

Um dos momentos mais fortes foi quando cantou o Ilê Ayê (que Bloco É Esse). Também eram muito aguardados, claro, os sucessos “Canto da Cidade”, “Você Não Entende Nada” e “O Mais Belo dos Belos”, todos com Daniela Mercury, corajosa, se arriscando na percussão. Também estavam no setlist “Mas Que Nada”, de Jorge Benjor; “Serrado”, de Djavan, e “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa.

Ficou-se com a sensação de um show bastante morno, mas, ao mesmo tempo, sofisticado para a abertura de uma Virada Cultural e mostrando uma artista que não tem vergonha em se arriscar, ainda mais na companhia de três dos melhores instrumentistas da música brasileira. Presentes, na plateia, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o senador Eduardo Suplicy, que teve os documentos e o celular furtados durante o espetáculo, certamente aprovaram. Daniela Mercury deixou o palco afirmando que também estava ansiosa para ver Gal Costa, a atração seguinte.