Virada Cultural - Blues e improviso

Em show impressionante, Edgar Winter e banda não tocaram uma nota fora

Por Paulo Cavalcanti Publicado em 17/04/2011, às 02h08

No ano passado, veio pela primeira vez ao Brasil o lendário Johnny Winter. Alquebrado pelos anos de abuso de drogas, Winter fez um show passável, mas não conseguia se mexer e parecia um morto-vivo. Seu irmão Edgar, em compensação, esbanja saúde.

Aos 64 anos, ele tocou no Palco Julio Prestes da Virada Cultural logo após a perfomance de Rita Lee (leia aqui). Ao contrário de Johnny, que é basicamente um guitarrista e cantor de blues, Edgar deixa claro que é um multi-instrumentista de mão cheia e prefere tocar a cantar, embora também faça isso muito bem. Ele toca um pouco de guitarra, mas prefere vários tipos de teclado, além de também mostrar que sabe se virar bem no saxofone e até percussão.

O público presente ao show de Edgar Winter era numeroso e acompanhou com vibração a performance do músico, que é intensa e demanda muita concentração. Toda ela é constituída de muitos solos e improvisos, usando jazz, blues e soul como base sonora. Winter e seus músicos basicamente pegam o tema de uma canção e a partir daí, esbanjam virtuosismo e perfeccionismo.

Um dos momentos mais aplaudidos aconteceu quando Winter improvisou diversos ruídos com a boca, ao passo que seu excelente guitarrista Doug Rappoport reproduziu tudo fielmente. "Tobacco Road", "Sunshine of Your Love", "Shout" e seu hit instrumental "Frankenstein" foram algumas das canções que entraram na salada musical de Winter, que durou cerca de 50 minutos.