Virada Cultural - Boa surpresa

Mesmo parecendo não ser conhecido do público, Los Straitjackets ganhou espectadores na tarde do domingo, 17

Por José Julio do Espirito Santo Publicado em 18/04/2011, às 11h53

Contando os trabalhos em estúdio, ao vivo e em parceria com outros artistas (incluindo uma indicação ao Grammy por Rock 'N' Roll City, com o bluesman Eddy Clearwater), o quarteto de Nashville Los Straitjackets soma dezesseis álbuns lançados desde 1995. Na tarde ensolarada do domingo, 17, no Largo do Arouche, isso não dizia quase nada. Era ínfima a parte da plateia que conhecia a banda e a expressão de curiosidade tomou conta do público quando os quatro integrantes, como sempre vestindo máscaras de lucha libre e se enrolando para se comunicar em espanhol, subiram ao palco.

Comandados pelo guitarrista Eddie Angel, o grupo conquistou o público já na terceira música. Desde o ano passado, a banda se apresenta sem um de seus fundadores. Danny Amis, mais conhecido como Daddy-O Grande, já se apresentou no Brasil, acompanhado pelo excelente instrumental do trio The Dead Rocks, de São Carlos. Agora ele está em tratamento contra um câncer de medula óssea. Em seu lugar, o "primo" mexicano Gregorio El Grande empunhou a segunda guitarra. Completam o time Pete Curry (vulgo Pedro del Mar) no baixo, e Jason "Teen Beat" Smay na bateria.

Guitarras limpas, bem mais para a precisão de The Ventures que o reverb beirando a distorção de Link Wray ou do mestre Dick Dale marcaram o som do quarteto em faixas como "Tempest" ou "Soul Finger", músicas sempre presentes no repertório, ou em covers de trilhas sonoras que despertaram a memória afetiva da plateia, como os temas de abertura de Os Monstros e Batman, seriados da década de 60. Já perto do fim do show, quase todo mundo dançou feliz, gritando "Tequila!" a cada break do standard. O Largo do Arouche virou aquela praia de paulista - o carlor escaldante, mas sem mar -, mas a música não poderia ter sido melhor.