Virada Cultural: Cauby Peixoto e Angela Maria em clima de total veneração

Os dois artistas que se confundem com a história da música brasileira fizeram show com a plateia ganha de antemão e lembraram Elis

Antônio do Amaral Rocha Publicado em 06/05/2012, às 12h44 - Atualizado às 13h21

Com o Theatro Municipal lotado de um público de pessoas de idades variadas, no qual predominava fãs confessos de Cauby Peixoto e Angela Maria, existia um certo burburinho que evidenciava ansiedade pela chegada de dois dos maiores ícones da música cantada no Brasil.

Com uma miniorquestra afiada, composta de 11 elementos com regência, Angela Maria e Cauby se revezaram, ora em solos, ora em duetos. Juntos cantaram "Onde Anda Você", "Nem Eu", "Ave Maria no Morro" e "Brigas". Em solo, Angela interpretou "O Portão", "Esse Cara", "Gente Humilde" e aparentemente a pedidos, "Babalu". Cauby, sempre sentado, lembrou "Something", "Bastidores", "Granada", "Memory" e "Conceição", que o público pedia sempre no intervalo de uma canção e outra.

Entre trocas de juras de amores entre si, Cauby chegou a dizer que a voz de Angela era a mais linda que ele conhecia, e que nem a Barbra Streisand era páreo para ela.

O ponto alto do show aconteceu no momento em que no telão do fundo palco foi projetado um antigo depoimento de Elis Regina, da década de setenta, falando da forte influência que ela recebeu de Angela, que também aparece no vídeo quando juntas cantaram "Vida de Bailarina". E foi a deixa para Angela cantar a música. Ela e Cauby encerram cantando juntos "Carinhoso" e foram aplaudidos de pé por vários minutos. Na saída os comentários ouvidos eram de pura satisfação.

E Elis está sendo homenageada em outros shows desta edição da Virada Cultural. No palco do Bulevar São João, Luciana Alves e Diogo Poças cantaram o repertório de um dos discos mais importantes da música brasileira de todos os tempos, o festejado Elis e Tom, de 1974. Já nos bastidores, Luciana, que tem bastante vivência cantando na noite e atualmente trabalha com o violonista Chico Pinheiro, declarou que para ela "esse repertório é absolutamente afetivo. Além de ser lindo, de ser só de clássicos, é um disco comemorativo da Elis e é sempre uma forte emoção cantá-lo". Pena que mesmo diante de um espetáculo tão belo, tenha ocorrido uma briga que prejudicou o show. Cerca de 100 adolescentes iniciaram o tumulto, e a plateia, com medo, acabou derrubando a grade de proteção diante do palco.