Pulse

Após hiato de quatro anos, Basement Jaxx divulga disco de inéditas de olho nas pistas de dança

Junto é um convite para uma viagem dentro do universo pessoal do duo britânico

Lucas Brêda Publicado em 19/08/2014, às 13h46 - Atualizado em 25/08/2014, às 14h36

Basement Jaxx
Divulgação

Foram quatro anos sem um disco de inéditas e, nesta segunda, 18, a dupla britânica Basement Jaxx, enfim, divulgou o novo álbum, Junto, na íntegra para audição (player abaixo). “Não queríamos enjoar disto”, explica Felix Buxton, em entrevista por telefone á Rolling Stone Brasil, sobre a demora entre os lançamentos. “Você vê várias bandas mais velhas ficando rabugentas e é algo ridículo, porque muitas outras pessoas queriam estar no lugar deles”.

E por mais que o duo – que também conta com Simon Ratcliffe – tenha se mantido ocupado com turnês, trilhas sonoras de filmes e trabalhos com música clássica, o tempo longe dos holofotes serviu para “fortalecer nosso lado humano”, segundo Buxton. “Você tem que ter um equilíbrio. Reservar espaço para as relações pessoais, passar tempo com a família e com os amigos”, conta.

Capitaneado pelo hit instantâneo “Never Say Never”, Junto se apresenta com a premissa de colocar o Basement Jaxx de volta aos festivais e pistas de dança. E apesar de desconversar sobre uma inclinação mais mercadológica, Buxton deixa clara a intensão de “fazer algo positivo, captar as boas vibrações”. Ainda assim, ele afirma: “Não estou preocupado com isso. Não é algo que eu possa controlar”. Para ele, “o público é que vai decidir o que é ou não é um hit”.

Principal gênero na música pop

Desde 1999, quando a dupla apresentou ao mundo o seminal Remedy, muita coisa mudou. E o cenário encontrado pelo Basement Jaxx com o novo disco parece bem mais propício ao sucesso – e a dupla agradece. “[A música eletrônica] se tornou muito popular. O que era a segunda opção em relação ao rock agora se tornou o estilo principal na cultura pop”, diz Buxton, que não poupa elogios ao duo britânico que chamou atenção recentemente: o Disclosure.

“Eles são bons. De certa forma, estão levando para frente algo que, sim, definitivamente, nós fazíamos quando lançamos Remedy”, diz ele, reconhecendo com certa humildade a importância histórica. “É este o estilo que estão seguindo, e isso é legal, eles estão fazendo muito bem”.

Por mais que se apresente animado com os novos artistas da música eletrônica, Buxton não deixa barato para os DJs mais populares, com David Guetta, Dimitri Vegas ou Like Mike. “Tocamos em Miami um dia e eu assisti aos shows de outros DJs. As pessoas estavam adorando. Elas sabem quando os fogos de artifício serão ativados e a hora exata de ficarem animados. É estar em um parque de diversões e ter uma música tocando no fundo”, comenta, com certa ironia.

“Poderíamos fazer muito dinheiro com isso. Mas não é algo que eu realmente queira fazer. Estamos sempre preocupados com a nossa criatividade e com a nossa natureza artística”.

Capacetes que pensam música

“Estou muito animado porque descobri, recentemente, um capacete que está desenvolvimento, no qual você pode, basicamente, 'pensar uma música'. Você consegue imaginar coisas na sua mente e então as ondas cerebrais vão ao computador e isso cria a música”, se exalta Buxton, acentuando ainda mais o sotaque inglês.

A colocação foi feita após o músico comentar o videoclipe do single “Never Say Never”, no qual é criada uma “máquina de dança” fictícia. “Qualquer um pode fazer músicas. Todos temos habilidades e a questão é saber desenvolvê-las”, diz Buxton. “Então acho que as pessoas no futuro estarão usando capacetes”.

“Bem vindos ao mundo de Basement Jaxx”

“Somos muito felizes por ganhar dinheiro fazendo algo que, anteriormente, era um hobby”, comemora a dupla, que chega ao sétimo disco da carreira. A voz serena e clara para expor ideias marca a fala de Felix Buxton. Com um descompromisso em relação aos bens materiais, ele encara a vida com um olhar pessimista e, ao mesmo tempo, esperançoso, elaborando teorias e contando histórias de pessoas próximas.

“Felicidade para mim é ver as coisas como elas são”. “Fico pensando se o que estou fazendo tem algum sentido, dá algum propósito à minha vida”, completa. “Tenho a impressão de que estamos amarrados em uma cultura que é obsessiva por coisas que distraem, com coisas brilhantes, que impressionam. Isso só nos deixa insatisfeitos”, explica.

O duo britânico parece não sentir o peso e a importância histórica construídos ao longo dos anos, com um disco pouco ousado, mas que promete ser repleto de significado. Desde a primeira faixa, Buxton e Ratcliffe fazem um convite para uma viagem pelo universo pessoal deles, cheio de leveza e emoções: “Senhores, senhoras e canalhas, bem vindos ao mundo de Basement Jaxx”.

Ouça abaixo Junto, o novo disco do Basement Jaxx, no serviço de streaming Rdio.