We Feel Love: Giorgio Moroder, o pai da disco music, enfileira hits e mostra faixa inédita em SP

DJ e produtor italiano fez set baseado nas parcerias com Donna Summer e afirmou que a cantora "é insubstituível"

Luciana Rabassallo Publicado em 09/08/2014, às 12h37 - Atualizado em 18/08/2014, às 15h34

Giorgio Moroder
Divulgação

O DJ e produtor Giorgio Moroder, conhecido como o pai da disco music, se apresentou nesta sexta-feira, 8, no clube Skol Factory, em São Paulo. Durante a primeira passagem dele pelo país, o músico italiano enfileirou hits e botou o público para dançar na festa (quase) fechada com um set que durou aproximadamente 90 minutos.

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Aos 74 anos, Moroder é uma lenda viva na música. Com mais de quatro décadas de estrada, a escalada do italiano rumo ao estrelato começou no anos 1970, quando os sintetizadores tornaram-se populares. Ao lado da cantora Donna Summer - que morreu em maio de 2012 -, ele fez uma revolução na música e abriu caminhos para a música eletrônica que conhecemos hoje.

Se em 2014 a EDM (Eletronic Dance Music) de Avicii, Hardwell e David Guetta - música eletrônica de fácil digestão feita para massas e que tem reunido milhares de pessoas em grandes festivais no mundo todo - está no auge e gerando uma receita milionária é porque em 1970 o jovem Moroder "inventou" a disco music.

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"Boa noite, meu nome é Giorgio Moroder, mas vocês podem me chamar de Giorgio", disse assim que subiu ao palco ao som de "Love To Love You Baby", o primeiro grande hit dele ao lado de Donna Summer, canção do álbum de mesmo nome lançado em 1975. Com imagens de Donna no telão, veio o segundo sucesso da noite: "Heaven Knows", single de The Brooklyn Dreams (1978). Na sequência foi a vez de "Macarthur Park", do mesmo ano, que ganhou uma nova roupagem.

Sempre dançando e com um simpático sorriso, Moroder também mostrou as grandes contribuições dele para o cinema. Com cenas icônicas dos longas-metragens no telão, o músico italiano tocou o tema do filme Flashdance (1983), “Flashdance… What a Feeling”, “Take My Breath Away”, de Top Gun - Ases Indomáveis (1986), e "Chase", de O Expresso da Meia-Noite (1978), - trilhas sonoras que lhes renderam três estatuetas do Oscar, por Melhor Música e Melhor Trilha Sonora.

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Na segunda parte do set, o produtor tocou as clássicas "From Here To Eternity" e "Together in Electric Dreams". Além de "On The Radio", "Bad Girls", "Hot Stuff" e "Last Dance", todas parcerias com Donna Summer e "She's On Fire", com vocais de Amy Holland. Quando a apresentação parceria ter chegado ao auge, Moroder pegou o microfone mais uma vez e anunciou: "Está é a primeira vez que vou tocar essa música". Foi então que veia a inédita "74 is The New 24" [74 é o novo 24], uma brincadeira com a idade dele, com kicks acelerados e os conhecidos sintetizadores.

Para mostrar que a idade não é empecilho e que está antenado com a música atual, ele ainda tocou uma versão de "Fancy", hit da cantora australiana Iggy Azalea. "Acho que o nosso tempo acabou, mas para encerrar vou mostrar as minhas duas favoritas", disse ele, antes do hit máximo "I Feel Love", que faz parte do álbum de Donna Summer, I Remember Yesterday, lançado em 1977. A escolhida para encerrar a noite foi "Call Me", gravada pelo grupo de new wave Blondie em 1980.

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Donna Summer é insubstituível:

Antes de se apresentar em São Paulo, Giorgio Moroder falou ao site da revista Rolling Stone Brasil sobre a retomada da carreira dele, o reconhecimento do público jovem e a parceria com Donna Summer.

Em 2013, quando o duo francês Daft Punk lançou o álbum Random Access Memories, um estado de frenesi tomou conta do mundo da música eletrônica por conta de uma faixa: "Giorgio by Moroder", uma belíssima homenagem ao pai da disco music. Depois de 30 anos, a repercussão da canção fez com que Moroder voltasse ao lugar de onde ele nunca deveria ter saído: o palco. Além disso, apresentou o trabalho dele ao público jovem.

"Eu não sabia exatamente o que eles queriam comigo", contou o músico. "Um belo dia recebi uma ligação deles [Daft Punk] e me disseram que queriam colaborar comigo em uma música. Depois, me ligaram de um estúdio em Paris e me pediram para falar sobre a minha carreira. Conversamos durante duas horas, nos despedimos e eu nunca mais falei com eles", relembra, antes de acrescentar visivelmente lisonjeado: "Depois de quase um ano, eu ouvi o resultado e tomei um grande susto. Foi uma surpresa".

Esta foi só uma das grandes parcerias de sucesso do músico, responsável por alavancar a carreira de Donna Summer, de quem ele fala com grande carinho: "Ela é extraordinária e nunca haverá ninguém como ela". "Quando começamos a fazer música éramos só nós dois. Não é como nos dias de hoje, em que os artistas têm vários agentes e empresários. Nós começamos basicamente do zero", relembra. "O contato que tivemos trabalhando juntos é impossível de ser reproduzido na atualidade."

Entre os grandes sucessos que a parceria gerou está "I Feel Love", hit máximo das pistas de dança e faixa seminal para a música eletrônica contemporânea, que Moroder diz não ter feito muito sucesso na época do lançamento: "Eu sabia que tinha criado algo novo, mas a música não foi muito bem nos Estados Unidos e as coisas acontecerem devagar". "Eu só me dei conta do tamanho e importância de "I Feel Love" há uns cinco ou seis anos. As pessoas sempre me dizem que eu fiz algo novo e isto me deixa feliz", finaliza.