Bananada 2017: Com ajuda de Seu Jorge, Mano Brown faz baile dançante no encerramento da maior edição do festival

Veja um balanço e a nossa lista com os melhores shows do domingo, 14, no evento que aconteceu em Goiânia e teve também Karol Conka, Tulipa Ruiz, Teto Preto e Rakta no último dia

Lucas Brêda, de Goiânia Publicado em 16/05/2017, às 19h53 - Atualizado às 22h42

Bananada 2017 - domingo - abre

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Veja quais foram os shows favoritos do dia da Rolling Stone na galeria de fotos acima, além das coberturas do primeiro e do segundo dia de Bananada 2017.

Mano Brown e Seu Jorge sentados ao redor de uma pequena mesa com uma garrafa de uísque foi a última cena do Bananada 2017 que Goiânia viu, na madrugada de domingo, 15, para segunda, 16. O show do MC dos Racionais foi a última grande apresentação – seguida ainda pelos DJs do palco El Club – do festival, que passou os sete dias anteriores espalhando atrações por clubes, teatros e, no fim da semana, no espaçoso Centro Cultural Oscar Niemeyer.

Pela apresentação inédita do disco solo Boogie Naipe (2016), Brown acabou sendo o artista mais visado do último dia, mas o páreo foi tudo: Tulipa Ruiz levou um show mais básico, mas algumas participações de Liniker injetaram ineditismo nas performances; Karol Conka segue arrastando multidões às vésperas de lançar o segundo álbum da carreira; Teto Preto causou alvoroço com um Techno pouco comum; Black Drawing Chalks e Hellbenders fluíram juntos e até as novatas do Rakta impressionaram no cair da noite.

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O Rakta, aliás, já alguns meses vem sendo uma das maiores revelações da música experimental brasileira. Com quatro integrantes, a banda já tinha lançado um álbum e um EP, mas depois que virou um trio, veio o celebrado disco III (2016) e uma fama pelas intensas apresentações ao vivo. No Bananada, elas abriram o palco Skol pouco depois das 18h, para um público diminuto, mas que ficou vidrado com uma cozinha soando como uma fusão de batidas tribais e pós punk e melodias de teclado/voz ultraprocessadas e irresistivelmente desarticuladas.

Logo depois do Rakta, o domingo de Bananada viu o Poltergat e a banda Brvnks no palco Spotify – de curadoria da Casa do Mancha, de São Paulo –, além de Far From Alaska, já no palco Chilli Beans. “Esta é a nossa oitava vez em Goiânia, sendo a terceira no Bananada, então precisávamos trazer alguma coisa nova”, anunciou a vocalista do grupo potiguar, Emmily Barreto. Os grandes destaques do show, bastante prestigiado, foram as músicas novas, que unem maior groove, riffs pesados robustos e uma apropriação mais ousada da música eletrônica – até mesmo nos vocais.

Em meio a subsequentes shows de Mad Monkees, Koogu, Forgotten Boys e Wry, o Overfuzz tocou no palco Slap, já depois das 20h, em uma apresentação parcialmente prejudicada pela divisão dos horários no dia. Isto por que o Overfuzz foi agendado para o mesmo horário do show conjunto de outras duas bandas locais que dividem praticamente o mesmo público: Hellbenders e Black Drawing Chalks (saiba como foi o encontro na galeria acima). Os fãs de hard rock, no domingo, tiveram que escolher entre uma das duas apresentações, sendo que o caráter raro e o palco maior da performance conjunta acabou pesando.

Nos dois primeiros dias de Bananada no Centro Cultural Oscar Niemeyer – na quinta, 11, o aquecimento gratuito com Boogarins para cerca de 5 mil pessoas, e sexta, 12, para 7,5 mil – as filas foram escassas e a circulação entre os espaços foi tranquila, mas a partir de sábado, 13, um número maior de presentes tornou um pouco mais complicada a locomoção, o que, contudo, não chegou a tornar a experiência impraticável. No sábado e no domingo os públicos totais foram maiores: respectivamente, 10,5 mil e 8 mil.

A soma do público nos três dias “oficiais” do Bananada fez de 2017 uma edição histórica: a maior do festival até agora, em 19 anos de existência. Mesmo com apenas dois veteranos para “garantir” públicos numerosos, Os Mutantes (que nem chegaram a fazer uma apresentação unânime) e Mano Brown (consagrado no Racionais, mas com show recém-lançado e sem hits), o evento conseguiu expandir ainda mais em tamanho e importância.

Com uma variedade tão grande de opções em cada dia de festival, é mais difícil imaginar que uma mesma pessoa goste de absolutamente todas as atrações do line-up. Ou seja, além da óbvia possibilidade de ver um ou outro artista favorito, o que parece fazer o público goiano sair de casa é a experiência de ter contato com música nova relevante – e os encontros promovidos por um evento deste porte. Não é só a boa organização e a pluralidade, contudo, que mantêm o Bananada em ascensão, mas sim o fato de o festival ter entendido como nenhum outro no país a diferença entre diversidade e arbitrariedade.

Veja quais foram os shows favoritos da Rolling Stone Brasil no dia na galeria de fotos acima, além das coberturas do primeiro e do segundo dia de Bananada 2017.

O jornalista viajou a convite da organização do festival